A potencial influência da Cultura Japonesa na Economia do Japão

por Daniel Silva
A potencial influência da Cultura Japonesa na Economia do Japão

No pós-Segunda Guerra Mundial, o mundo precisava de grandes mudanças estruturais. Por isso, do Acordo de Bretton Woods até à criação da Organização das Nações Unidas e da execução do Plano Marshall, foi criado um sistema de estabilidade propício à recuperação dos países sem haver preocupação com eventuais crises.

 

A potencial influência da Cultura Japonesa na Economia do Japão

 

A potencial influência da Cultura Japonesa na Economia do Japão

 

Enquanto na Europa a recuperação levou o continente à sua grande força mundial, na Ásia foi vista a realização do potencial anteriormente inexplorado. Japão, Coreia do Sul e Taiwan tornaram-se centros de condução económica para o resto do mundo durante o período pós-guerra.

Dos três, quem tomou a dianteira em grande parte foi o Japão, que num curto espaço de tempo se transformou numa “jóia” mundial e também numa superpotência em formação, que poderia futuramente rivalizar com os Estados Unidos. Neste processo, as fronteiras japonesas foram expandidas através do seu desenvolvimento tecnológico e da sua produção cultural, com o anime a ser um dos maiores disseminadores do simbolismo japonês para o resto do mundo.

Esta evolução, entretanto, foi perdendo a força nos tempos atuais do Japão. Um número de factores que envolvem questões tanto internas quanto externas acabaram por limitar a expansão japonesa no palco mundial. Mas nem tudo está perdido, principalmente se o Japão souber utilizar de forma inteligente não apenas o poder do anime, mas também de outros dos seus elementos culturais.

 

Depois dos dias de luta, surgem os dias de glória

Desde os anos 50, que o crescimento económico do Japão foi extraordinário. Com taxas de crescimento do seu produto interno bruto ultrapassando a média de 10% durante as décadas de 50 e 60, o país é um dos poucos exemplos modernos de transformação de economia de renda média em renda alta que podem ser encontrados no mundo.

Muitos foram os pontos que contribuíram para que isso acontecesse. A nível interno, o investimento em infraestruturas para conectar as várias cidades que serviam de pólo económico para o país – além do crescimento natural da população japonesa – e o foco no desenvolvimento educacional nacional deram a base necessária para que o Japão se projetasse como força externa.

Os americanos acabaram por ser um factor-chave nesse processo. O apoio por eles fornecido ao Japão veio não só no formato de financiamentos, mas também de transferências tecnológicas para os conglomerados empresariais japoneses – chamados de zaibatsu –, o que permitiu ao país produzir materiais industrializados inicialmente de baixa qualidade, mas que foram sendo aprimorados com o tempo. Essa melhoria impulsionou o status japonês, permitindo que o país adquirisse mais fundos por meio de exportações.

 

A potencial influência da Cultura Japonesa na Economia do Japão

 

A potencial influência da Cultura Japonesa na Economia do Japão

Expansão cultural e o início do declínio

A cultura foi outro canal através do qual o Japão se projetou mundialmente. Uma vez que o país passou a ser exemplo para tantos outros que almejavam alcançar o estatuto de nação desenvolvida, os holofotes viraram-se para o arquipélago. Com isso, o país fez questão de mostrar que o Japão era mais do que uma nação especialista em produção de materiais industrializados.

Produtos culturais japoneses começaram então a ultrapassar barreiras nacionais, chegando a diversas nações fora da Ásia. Um desses produtos foi a música do Japão, que durante os anos 70 e 80 foi bastante influenciada por estilos musicais americanos e brasileiros gerando o “city pop”, que tem visto um ressurgimento graças a músicas como “Plastic Love”, de Mariya Takeuchique ganhou um videoclipe quase 37 anos após o seu lançamento. Outro desses exemplos foi o anime, produto de exportação que chegou a casas de todo mundo através de franquias como Dragon Ball e Gundam.

 

 

Os anos 90, entretanto, não foram felizes para o Japão. A economia acabou por sofrer um superaquecimento que gerou “bolhas” de supervalorização de vários ativos japoneses: residências, empresas, ações e afins. O rebentar dessas “bolhas” levou também ao início do declínio japonês no cenário mundial, com a década de 90 sendo apelidada de “década perdida” pelos economistas.

 

Maneiras alternativas para a recuperação

Atualmente, o Japão e a sua economia enfrentam problemas sérios em termos de recuperação.

Com uma população composta maioritariamente por idosos e que fica cada vez mais reduzida e limitada quanto a ações de investimento financeiro ou produtivo, o cenário interno não é bom. O cenário externo também não colabora, com a Coreia do Sul e, posteriormente, a China a conquistar o lugar do país como grande exportador mundial de produtos industrializados.

Mas ainda há uma maneira pela qual o Japão pode começar a recuperar terreno, e esta pode ser feita através da sua influência cultural. Fora do Japão, animes e videojogos ainda são produtos fortes. Franquias como Dragon Ball ainda atraem milhares de pessoas na América Latina para suas sagas. Já Pokémon, mesmo com as polémicas que envolveram o lançamento dos seus últimos jogos, Sword e Shield, conseguiu vender mais de 1,3 milhão de cópias no Japão nos seus três primeiros dias nas lojas.

 

 

Entretanto, o Japão não explora a imagem dessas franquias de maneira tão eficaz como faz internamente. De facto, o anime muitas vezes serve “apenas” como promoção para a venda de produtos relacionados às franquias, que vão desde livros até utensílios domésticos. Um dos grandes impedimentos desta potencial expansão é o conservadorismo das empresas japonesas, que não costumam gostar de apostar em mercados que não conhecem muito bem – ainda que essas apostas possam trazer resultados positivos, desde que as adaptações necessárias ao novo mercado sejam realizadas.

Algo que pode servir de exemplo para tal são as máquinas de pachinko, que atraem milhões de pessoas para salões de jogos nas cidades japonesas e têm várias versões inspiradas em franquias de anime e jogos do Japão. O jogo pode não ser tão famoso fora do país, mas as suas mecânicas são bem semelhantes às slot machine e às máquinas de roleta, produtos disponíveis em sites de slot machine online como a do Cassino Online Betway.

Exportar esses produtos é algo que já foi feito noutros meios, como a franquia Yakuza de videojogos, que ganhou versões para o Ocidente após vários anos de espera, e também o serviço Crunchyroll, que apresenta transmissões simultâneas de animes entre o Japão e o resto do planeta.

O mundo musical também já faz essas experiências e tem obtido grandes êxitos. A banda de heavy metal X Japan atrai multidões para estádios no Japão e para festivais de música na Europa e nos Estados Unidos. No mundo pop, a cantora Kyary Pamyu Pamyu chama à atenção pela sua extravagância, conquistando fama internacional.

 

 

A questão é aproveitar o momento

Aproveitar a exploração de indústrias não-físicas não é algo exatamente novo. Os Estados Unidos já fazem isso desde o começo do século passado, por meio das indústrias do cinema e da música. Isto sem mencionar setores como o da tecnologia da informação, em que é possível obter grandes ganhos por meio de vendas de software e propriedades intelectuais.

O Japão parece, no entanto, não ter sabido explorar os seus potenciais nesses mercados da melhor forma possível e o seu declínio a partir dos anos 90 em nada auxiliou. Com isso, abriu-se espaço para a concorrência de países como a Coreia do Sul, que entrou em mercados culturais e tecnológicos que poderiam ter sido continuamente explorados pelo Japão.

Entretanto, ainda há tempo de mudar o curso. As próximas Olimpíadas, a serem realizadas em Tóquio no ano que vem, já têm dado sinais de que o anime e o manga serão pontos focais do evento, uma vez que os posteres das competições serão desenhados pelos mangakas Naoki Urasawa e Hirohiko Araki.

O que resta é conduzir o barco – e o espectáculo – ao rumo certo!

 

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