Ajin Segunda Temporada – Análise

por João Simões
Ajin Segunda Temporada – Análise

 

Notas:

  • Esta análise contém ligeiros spoilers;
  • O anime encontra-se disponível na Netflix.

 

Ajin Segunda Temporada – Análise

 

Título: Ajin
Adaptação: Manga
Produtora: Polygon Pictures
Géneros: Sci-Fi, Ação, Drama
Ficha Técnica: Disponível
Primeiras Impressões: Disponível
Análise Primeira Temporada: Disponível

 

– Um potencial bem Aproveitado –

Se leram a minha análise à primeira temporada, terão deduzido que descartei dois elementos muito criticados por outras pessoas: a ausência de profundidade narrativa e a presença considerável de momentos convenientes ao desenvolvimento do enredo. Eu estou consciente da existência deles, entendo porque são alvos de crítica e não estou contra quem os levou como tal. Então… porque os descartei eu?

Porque não me incomodaram. Para mim essa não é a intenção do anime. Até pode ser a do manga, o que explicaria parte da existência das críticas. Eu até considero que a história tem um bom nível de profundidade, porém não é explorada; e tem pontos narrativos extremamente convenientes que, por segundos, me fizeram questionar – “mas… então… isso não faz muito sentido… como é que… hummm…” -, mas depois de ver a razão pela qual eles foram colocados, consegui processar facilmente como “algo a ignorar”.

Atenção, eu considero-os dois dos elementos mais importantes de uma narrativa! Sendo que, para mim, só perdem relevo quando o nível de entretenimento que me é fornecido os consegue superar. E Ajin superou, daí ser relativamente fácil olhar-lhes de lado.

 

 

Por falar em entretenimento de qualidade, o final da temporada anterior deixou abertura para a criação de uma sequela superior, o que, por sua vez, foi executado com sucesso através de mais e melhores momentos aliciantes, como:

  • O reforço e exploração da existência de vários grupos com diferentes ideais, levando-nos quase até ao último episódio sem conseguirmos escolher um dos lados. Os dois grupos principais têm convicções extremamente fortes, que são muito bem transmitidas ao público, e que nos deixam ali num ping pong entre quem é que está mais certo para atingir o mesmo objetivo. Isto adicionou uma camada de densidade à narrativa, o que acabou por intensificar a ação e suspense nos momentos de confronto entre estes dois grupos;
  • O quão refrescante foi ver um bom nível de ação tática, com bases realistas, numa animação japonesa. Acaba por transmitir uma sensação quase nostálgica dos bons filmes ocidentais do mesmo género;
  • As constantes reviravoltas, na sua maioria, saborosamente inesperadas;
  • O desenvolvimento emocional do protagonista;
  • E a interpretação dos Seiyu: Mamoru Miyano (Yagami Light em Death Note) e de Houchuu Ootsuka (Jiraya em Naruto) que deram vida aos protagonistas Kei e Sato, respetivamente. É uma pena que a animação facial não tenha conseguido acompanhar o nível de expressão dada por estes dois grandes atores.

 

 

– Melhorias Técnicas? –

Nesta temporada a falta de um bom frame rate não me fez tanta impressão como na primeira. Talvez tenha sido ligeiramente melhorado, talvez o meu olho se tenha habituado, ou talvez a narrativa se tenha intensificado ao ponto de ter vencido a batalha pela imersão.

Independentemente disto, existem vários momentos, muito bons por sinal, em que não existe qualquer tipo de quebra de frame rate, revelando que essa lentidão ao longo da série não foi necessariamente uma limitação técnica, mas sim uma má escolha criativa.

 

 

– Pensamentos Finais –

Claro que não foram só coisas boas, o que não faltam é elementos que podiam ser melhorados, seja as muitas personagens sub-desenvolvidas completamente irrelevantes para o desenvolvimento narrativo, seja a falta de caracterização e progressão de algumas personagens importantes, ou até a falta de conclusão de muitas pontas soltas… No entanto acho que nenhum destes elementos atropela o positivo que apontei nas duas análises.

Aliás, alguns destes problemas ainda poderão ser colmatados. Isto porque o final não é totalmente conclusivo, deixando no ar a viabilidade de uma terceira temporada. Por um lado isto pode ser bom, por outro pode ser mau. Passo a explicar: quando cheguei ao fim da primeira temporada senti que uma continuação era necessária e que tinha potencial para superar a antecessora. Contudo, este final foi satisfatório e não sei até que ponto será possível criar algo superior, existindo a possibilidade de estragar o que até aqui foi criado. Mas bem, poderá ser como Sato-san diz:

 

“A melhor parte de um jogo é quando é jogado pela segunda vez”

 

De modo a inserir isto num contexto e escala que toda gente perceba: Ajin é um meio termo que se encontra entre o que Tokyo Ghoul tentou atingir e o que Kiseijuu atingiu.

Não é um título que será mencionado daqui a duas décadas, nem é um título que andará a ser esmiuçado ao longo dos tempos, é simplesmente algo para se divertirem, algo para mudar de ares, algo para ver entre títulos que tenham a tal “profundidade narrativa”.

 

 

 

2 comentários


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2 comentários

Leandro Santos 5 Setembro, 2017 - 19:38

concordo contigo em tudo.. esta segunda temporada é claramente superior à primeira..

tem os seus defeitos como dizes, e ate importantes, mas todas as suas virtudes quase que anulam os defeitos, a série quando se tentou empenhar nalgum ponto em especifico consegui-o quase plenamente e isso é de louvar.

Responder
João Simões 6 Setembro, 2017 - 0:37

Exato! Deixou-me bastante satisfeito esta segunda temporada : )

E com uma grande vontade de agarrar o manga…

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