Akagami no Shirayuki-hime | Primeiras Impressões

por Raquel Cupertino
Akagami no Shirayuki-hime

Título: Akagami no Shirayuki-hime
Adaptação: Manga
Estúdio: Bones (Fullmetal Alchemist, Eureka Seven)
Géneros: Drama, Fantasia, Romance, Shoujo
Ficha Técnica: Disponível

 

Opening

“Yasashii Kibou” – Saori Hayami

 

Akagami no Shirayuki-hime | Enredo

A história desenvolve-se à volta de Shirayuki, uma bela rapariga que trabalha como “médica”, e que possui cabelo vermelho, algo muito raro no seu país. Quando o príncipe do seu país a propõe em casamento e a persegue, esta foge e acaba por conhecer Zen, o príncipe do país vizinho. Encontrando respeito pelo jovem, ela decide servir ao seu lado como médica da corte.

 

Akagami no Shirayuki-hime

 

As re-adaptações de contos ocidentais são uma prática comum do mundo da animação japonesa. Akagami no Shirayyuki-hime é, traduzindo à letra, Branca de Neve de cabelo vermelho. A peculiar conjuntura de nomes leva a uma estranheza inicial que culmina rapidamente num fascínio pela nova e original “Branca de Neve”. Neste conto não há anões, não há bela adormecida à espera do primeiro beijo que a faça acordar do sono, nem bruxa má, invejosa pela beleza alheia. Nesta história as referências à obra ocidental baseiam-se nisso mesmo, elementos significativos espalhados criteriosamente ao longo do episódio.

 

Akagami no Shirayuki-hime

 

É muito fácil para nós estabelecer a ligação à história ocidental, contudo em nada se assemelha em termos narrativos. Começando pelas personagens, estas adquirem uma personalidade e substância longe de imaginar, dado o género e título envolvidos. Em vez de uma bela donzela, frágil e carente, somos confrontados com Shirayuki, uma independente e trabalhadora especialista em herbanária (semelhante a um médico nos dias de hoje) que encara com lógica e pragmatismo as dificuldades.

Será Akagami no Shirayuki-hime mais um cliché romântico? À partida não o parece ser, mas vou deixar em aberto para uma posterior análise, aquando o termino da obra. A verdade é que este primeiro episódio não possui elementos que nos garantam a qualidade narrativa ou uma estupenda construção e desenvolvimento. A premissa é exposta, as personagens apresentadas e o enquadramento narrativo ligeiramente desenvolvido, uma dose certa de informação sem passar a linha do exagero. A qualidade e quebra de clichés é uma realidade constante ao longo de todo o episódio, quanto à sua continuidade é algo a averiguar nos próximos episódios.

 

Akagami no Shirayuki-hime

 

Akagami no Shirayuki-hime | Ambiente

O ambiente é sem dúvida alguma o ex-libris de Akagami no Shirayuki-hime. Com uma animação de nos fazer babar por mais, a obra presenteia-nos com um ambiente brilhante, repleto de cores vivas e resplandecentes, meticulosamente colocadas. Tudo numa harmonia que nos faz desejar pertencer aquele mundo fantástico onde o sol brilha como ninguém, e a palete de cores em cada imagem se equipara à realidade vivida.

 

Akagami no Shirayuki-hime

 

A coerência e composição permanecem ao longo de todo o episódio. Não existe quebras significativas e os pináculos de realização assumem-se como mais maravilhas para os nossos olhos, já rendidos ao trabalho do estúdio. O character design apesar de não ser o ponto forte penetra-se na perfeição no ambiente, enriquecendo-o e dando ainda mais substância ao mundo fantástico em que é inserido.

A banda sonora surgiu nos momentos certos, sob a tonalidade certa. Dentro dos sons clássicos e melodias orquestradas, provou estar à altura da obra, fornecendo o realismo e magia ideias.

 

Akagami no Shirayuki-hime

 

Akagami no Shirayuki-hime | Potencial

A calma e composição progressiva da narrativa dão-nos fortes indícios de que este poderá ser um dos melhores animes da temporada de verão de 2015. Com uma desenvoltura que nos conquista visual e narrativamente, fica difícil negar um segundo episódio a mais uma produção da grande Bones.

Há garantias de que se tratará de uma ótima obra? Não, não há. Há riscos inegáveis no que diz respeito à narrativa. Apesar das personagens serem surpreendentemente boas, este primeiro episódio não possuiu informação suficiente (e ainda bem), que nos garanta a qualidade final da franquia, pelo que a única certeza que me parece existir é na fantástica animação. A Bones mostra o seu esplendor em cada brilho, cor, construção cénica e movimento, pelo que pelo menos nesse ponto não ficaremos desfalcados.

Claro que não é uma escolha para todo o tipo de espetadores! Se desejam ação, drama exacerbado ou carga psicológica desafiante, esta não será a escolha mais adequada.  Akagami no Shirayuki-hime possui contornos clássicos de um romance japonês, mas com personagens carismáticas, o que só por si torna um atrativo aos espetadores mais exigentes. Contudo, mesmo que toda a conjuntura narrativa seja deplorável, pelo menos temos a fantástica animação a fazer-nos babar!

 

 

 

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