Akame ga Kill! – Análise

por Renato Sousa
Akame ga Kill! - Night Raid

Depois de duas temporadas em transmissão (24 episódios), o anime Akame ga Kill! conheceu o seu fim. Um projeto a cargo da White Fox que passava por adaptar para o ecrã o manga brutal, aventureiro e fantasioso de Tetsuya Tashiro. Será que cumpriu com as expetativas?

 

Akame ga Kill! – Sinopse

Tatsumi e dois amigos abandonam a sua vila para rumarem à Capital da região. O objetivo passa por ganharem bom dinheiro que lhes permita salvar o povo ao qual pertencem da fome e da mediocridade.

Contudo, a Capital não é aquilo que os seus “outsiders” imaginam. O Imperador é bastante jovem e toma todas as suas decisões com base no seu conselheiro, Honest (que nome tão irónico!). Um homem que procura apenas satisfazer os seus caprichos e as suas necessidades, esquecendo quaisquer valores éticos e moralmente corretos. Conclusão? A Capital é um lugar de corrupção, onde poucos se arriscam a ir contra a opressão e ditadura pela qual o Imperador dá a cara.

Porque a história não teria interesse se fosse de outra maneira, Tatsumi vai ser um dos poucos a ir contra o Império. O jovem vai se juntar ao grupo de assassinos conhecido por “Night Raid” que suja as mãos para fazer justiça na região.

 

Akame ga Kill! - Esdeath

Esdeath

 

Akame ga Kill! – Ambiente e Enredo

Após um arranque bem conseguido, Akame ga Kill! acaba por seguir os procedimentos standard de obras do género onde o confronto entre duas organizações é o principal destaque.

Ou seja, surge uma primeira fase onde se conhecem os protagonistas do “lado bom” da história com recurso a aventuras e missões algo simples. Depois então (segunda metade), a série passa a projetar o confronto mais aguardado de todos, com os vários membros das duas partes a medirem forças.

As lutas, transformações e poderes das personagens, sendo que muitas das suas habilidades estão dependentes das Imperial Arms que cada um utiliza, são sem dúvida o ponto forte desta trama. É com este argumento que Akame ga Kill! consegue cativar os seus espectadores no início, e é com ele que leva os seus fiéis seguidores a acompanharem a história até ao fim. Existe uma boa diversidade de personagens prontas para o combate, cada uma delas com os seus poderes peculiares e interessantes, e as batalhas revelam-se muito intensas.

No meio de tudo isto, a grande diferença desta para outras obras do género, e com sinopses semelhantes, está na facilidade com que a morte atinge as personagens. Os heróis a escorrerem sangue, com aberturas no corpo por tudo quanto é canto, e mesmo assim surgirem firmes e hirtos, é a típica visualização que temos neste tipo de séries. Mas Akame ga Kill! funciona de maneira diferente. A morte atinge os protagonistas com alguma facilidade. Até demais, chegando mesmo a tornar-se um hábito.

Contudo, e aproveitando o tema do parágrafo anterior, o sentimentalismo e a emoção não são muito exuberantes na produção. Eles são uma constante, mas poucos são os que nos conseguem tocar. Pelo menos falo por mim, que nunca fiquei lá muito sensibilizado. Simplesmente triste. A dificuldade em passar a dor e as lágrimas daqueles que sofrem com a morte dos outros para o lado de fora do ecrã é notória.

 

Akame ga Kill! - Tatsumi

Tatsumi

 

A opinião em cima leva-me a falar já da parte do desenho. Daí ter juntado o ambiente e o enredo num só ponto. Os desenhos são belos e a qualidade gráfica é excelente. Todavia, para o tipo de série em causa, para a visceralidade do anime na parte da ação, o estilo escolhido não é o mais apropriado. Dá-me a ideia de ser demasiado soft, demasiado curvado, nítido e limpo para os acontecimentos brutais que repentinamente surgem na cara do espetacdor. Um traço algo mais rabiscado e um escurecimento de cores (têm demasiada vivacidade) seria, a meu ver, a conceção ideal.

Para terminar a parte do enredo, tenho obrigatoriamente de falar das cenas cómicas, que surgem totalmente fora do contexo. Das duas uma: ou se dispensavam, ou então repensavam-se as alturas em que marcam presença. Estas cenas são capazes de aparecer nas alturas mais dramáticas de cada episódio, o que é totalmente descabido e deita por terra as intenções de divertir o espectador.

 

Akame ga Kill! – As Personagens

Sobre as personagens, de notar que são poucas aquelas que conhecemos com algum detalhe e profundidade. Perfeitamente compreensível. Afinal de contas, está em causa uma produção de 24 capítulos. Com tanta gente do lado dos Night Raid e dos Jaegers, os seus grandes inimigos, é normal que o tempo não dê para tudo. De qualquer das formas, nada de preocupar, pois fica-se a conhecer o mínimo dos mínimos exigido sobre quase todas as personagens que tentam vestir o papel de herói.

 

Akame ga Kill! – Banda Sonora

No que diz respeito à vertente musical, a banda sonora assenta bem no patamar do agradável. Relativamente aos openings e endings, todos eles são protagonizados por cantoras femininas, umas mais conhecidas do que outras. Sora Amamiya é a única que repete presença ao ser a cantora da primeira abertura e do segundo encerramento. Pessoalmente fiquei mais agradado com a música de fecho (“Tsuki Akari“) do que com aquela com que a série se estreia: “Skyreach“. Pelo meio andam Miku Sawai e Rika Mayama. Esta última é a minha preferida graças ao tema “Liar Mask”, o segundo opening do anime.

 

Akame ga Kill! - The Jaegers vs Night Raid

The Jaegers vs Night Raid

 

Akame ga Kill! – Juízo Final

Akame ga Kill! tem realmente alguns pontos que podiam ser melhorados. Ou melhor, mais adequados. Um destaque particular para as cenas cómicas mal posicionadas e para o aspeto das personagens que é demasiado acolhedor para a abordagem que a obra faz. Os ambientes não têm nada de negro nem causam no espectador aquela sensação de suspense, de mistério, de que algo terrível vai acontecer a seguir.

No entanto, naquilo que é o seu ponto principal, Tomoki Kobayashi e seus companheiros fizeram um bom trabalho, ou não estaria eu a cotar este anime com uma boa pontuação. É uma obra de grandes lutas, à qual não escapam os sacrifícios humanos nesta demanda pelas causas em que acreditam. Quem adora estes estilos tem obrigatoriamente de a ver. Ainda me lembro das palavras proferidas na parte inicial da história e que comprovam a forte ligação entre as personagens e os acontecimentos despoletados:

 

Nós (Night Raid) cometemos assassinatos. Não há justiça em algo assim. Podemos morrer a qualquer altura como forma de retribuição pelos nossos atos.

 

Por fim, confesso que na altura das primeiras impressões dei asas a um potencial que teve voos ligeiramente mais baixos que o esperado. Não foi a série com maior talento em nenhuma das temporadas onde marcou presença, e nem sempre conseguiu deixar o espectador na ansiedade de ver os próximos desenvolvimentos.

Seja como for, os resultados apresentados são dignos de valorização. Com este trabalho, sem dúvida que a White Fox contribuiu para a boa qualidade do anime em 2014. Akame ga Kill! merece a tua oportunidade, que pode nascer com a visualização do trailer que se segue.

 

Akame ga Kill! – Trailer

 

 

 

0 comentário

Também deverás gostar de

Deixar um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.