After the Rain – Análise

Título: Koi wa Ameagari no You ni | After the Rain | Love is Like after the Rain
Adaptação: Manga
Estúdio: Wit Studio
Demografia | Género: Seinen| Romance
Ficha Técnica: Indisponível

 

“Nostalgic Rainfall (ノスタルジックレインフォール)” – CHiCO with HoneyWorks

 

After the Rain – Análise

Encontro-me um pouco perdida nas palavras. Deve ser uma consequência inerente a obras que envolvem esse tema, contudo, After the Rain é uma daquelas séries que tenho que vos falar.

Sinto uma necessidade tremenda de expor esta hidden gem da temporada de inverno de 2018, uma verdadeira obra prima da Wit Studio. Tal como referi numa outra análise, esta foi o grande motor dos esforços da Wit Studio, e aqui vejo-me obrigada a aclamar não só o visual mas, e sobretudo, o conteúdo narrativo!

 

 

Koi wa Ameagari no You ni – Enredo

Não vou mentir, a premissa quando lida deixa-nos reticentes. Afinal, uma miúda de 17 anos apaixonada por um homem de 45 anos é algo pesado e contra toda a moral e, inclusive, lei. Contudo, porque neste tipo de sinopses deveria existir sempre um contudo, não é só isso. Ou devo dizer, é muito mais que isso.

 

 

A Tachibana é apaixonada pelo Kondou. Facto. Não podemos questionar as razões para tal facto uma vez que, tal como a obra tão bem o expõe, não existe uma mera razão. Existe um momento e depois uma série deles que só a ela fazem sentido.

Se o Kondou é apaixonado por ela, deixo-vos em aberto para explorarem o anime e descobrirem por vocês mesmos. Afinal não vim falar sobre isso, porque não há nada para falar sobre isso. Porquê? Porque After the Rain é muito mais que isso.

 

 

A Verdadeira Sinopse

After the Rain narra a história de duas pessoas de idades diferentes mas em estágios da vida semelhantes. Kondou e Tachibana vivem o dia a dia de forma honesta e rotineira enquanto fogem de um passado que poderia ter sido glorioso.

Kondou foi um aspirante a novelista que acabou por desistir da sua carreira e Tachibana uma atleta de atletismo com fortes aspirações que sofreu uma lesão grave.

Enquanto um assume que já é tarde para conquistar o seu sonho, a outra convence-se que nunca mais conseguirá correr e muito menos atingir as expetativas que todos depositam nela.

 

 

Um pouco diferente do que estavam à espera não é verdade? Pois bem, esta é a derradeira sinopse de After the Rain: uma história sobre o passado e a esperança de um futuro. Uma história terna, forte e repleta de entrelinhas, afinal temos um escritor como protagonista!

 

 

Comparo-a muito a outra grande obra, Fune wo Amu, uma das obras que mais gostei de assistir. Este tipo de séries são únicas seja pela sua composição seja pela sua construção. São diferentes. Têm um ritmo narrativo próprio, cujo visual também narra a história e cujas as frases proferidas pelos protagonistas têm o peso de uma quote.

Não há diálogos em vão, não há cenas criadas ao acaso para entreter. Cada segundo daqueles meros 25 minutos é usado para transmitir algo, para transpor algo ao espetador. Como se toda a série fizesse parte de um plano maior, de um puzzle que vamos montando relaxadamente até ao culminar do 12º episódio.

 

 

Koi wa Ameagari no You ni – Uma experiência visual e auditiva

Existe uma primazia pelo pormenor transcendente! Um rigor quase que ridículo em adequar o cenário à emoção da personagem, ao que está a acontecer em paralelo, a algo!

“Protagonista deitada na cama a pensar”, numa outra obra teríamos um plano sobre a face da mesma de forma a conseguirmos compreender o que esta sente. Em After the Rain podemos ver qualquer coisa, um plano sobre a cortina que se movimenta com o deitar desta, um marcador de livro que se agita ao som do tiro de início de corrida, … Em suma, toda uma experiência visual e auditiva.

 

 

Consigo comparar, sem qualquer tipo de remorso, a qualidade cinematográfica de After the rain com obras como The Garden of Words de Makoto Shinkai. Por um motivo muito simples: também aqui a história é narrada pelo ambiente. Também aqui o papel da animação sobressai o que já de belo existe.

Conheço a manga original e devo dizer que toda a hesitação face a esta adaptação foi arrebatada pelo deslumbramento que senti após o primeiro episódio. Estava quase certa que seria incrível, mas damn Wit Studio, quase vos perdoo pelo que não fizeram a Mahoutsukai no Yome.

 

 

Não vou desenvolver os aspetos técnicos uma vez que não me sinto capaz de os analisar como merecem. Acrescento apenas que desde a coloração, a animação e a fluidez visual, tudo foi meticulosamente criado para complementar na perfeição a história. A grande ovação vai para os responsáveis pelo enquadramento das cenas, desde guionistas a diretores de episódio, a visão que estes criadores têm de como criar um cenário e de o enquadrar num plano maior é qualquer coisa.

A banda sonora foi excelente, sobretudo composta por músicas orquestradas, possui sonoridades que acabam por ficar no ouvido.

 

 

Juízo Final

Animes com temáticas sobre os sonhos e a luta para os realizar é algo comum. Em boa verdade é a base da maioria dos shounens (ou devo dizer do anime/manga em geral?!). Contudo a abordagem com que esse mesmo tema é retratado determina a qualidade da história e o peso que esta detém sobre nós.

After the Rain é, por excelência, uma obra de emoções, de vidas. Não há pudor em expor o que de melhor e pior o humano comum tem: os seus medos, os seus anseios, os seus arrependimentos. Mas também não os esfregam na cara. Tudo é contado para irmos interpretando por camadas, seja as personagens seja o universo que as envolve.

Claro que há comédia – e muito engraçada por sinal – e romance, After the Rain é uma obra completa e só não digo excelente porque terminou. Infelizmente é uma história com “panos para mangas” e apenas 12 episódios não consegue ter o peso de uma série de 24 ou mais, do mesmo género. Estamos a falar de um slice of life num registo lento pelo que no último episódio ficamos com a sensação de que nos falta algo.

Ainda assim, não nos sentimos perdidos e muito menos reparamos em qualquer plot hole narrativo. Em boa verdade, se gostarem de seinen slice of life esta é um must see! Realço apenas que se trata de uma série mais adulta e com uma abordagem mais direcionada a um público trabalhador ou pelo menos na fase em que se prepara para (maior de 16).

 

 

 

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