Akagami no Shirayuki-hime Opening | Desconstrução

Nos primeiros frames do opening temos um plano com uma erva em foco, que ao que tudo indica é um dente-de-leão. Lá ao fundo, desfocada, vemos a personagem principal: Shirayuki. Aquele que parece um simples enquadramento dá-nos uma incrível quantidade de informação sobre a personalidade, objetivo e mentalidade que a personagem incorpora.

 

 

Vamos então começar pelo que reparamos logo: o foco e desfoco, que existe entre a personagem e a planta. O desfoco da Shirayuki diz-nos de quem vamos falar, a quem pertence esta história, levando de imediato a nossa atenção para aquilo que realmente está em foco: o dente-de-leão. Este personifica, em primeiro lugar, o objetivo principal da nossa protagonista: tornar-se numa grande Herbalista. Em segundo lugar, e para quem não sabe, esta erva possui propriedades medicinais bastante fortes e versáteis, sendo que é uma das plantas mais usadas pelas pessoas que praticam esta profissão.

Portanto, daqui retiramos não só os objetivos de Shirayuki, mas também os traços da sua personalidade. O dente-de-leão é uma erva selvagem que migra aquando o seu nascimento (teoricamente falando), e por lá fica, até dar origem a novas sementes. O mesmo aconteceu com o espírito selvagem da protagonista, mudou de cidade, mostrou-se flexível perante as adversidades, e criou as suas raízes neste novo local. Esta sequência é então concluída com uma metáfora visual de uma das passagens mais importantes da personagem:

Este é Local que eu escolhi para mim mesma. Mesmo que um dia uma eventualidade me direcione para a estagnação, eu sei que um vento incrível irá soprar a meu favor.

Na sequência vemos o vento que sopra nas costas da nossa protagonista e com ele, as sementes do dente-de-leão a serem levadas para um outro local, terminando assim esta sequência no título da obra: Akagami no Shirayuki-hime.

 

 

Depois do título, o vento leva-nos até Shirayuki que nos abre as portas do seu mundo, conduzindo-nos ao seu quarto, até às páginas de um livro sobre herbalismo. Que poderá por sua vez simbolizar as páginas de uma história que nos será contada, uma vez que de seguida somos enviados para o mundo de Zen, onde este nos é apresentado pela primeira vez.

 

 

Seguimos para algumas cenas de treino de ambos os lados, parando num dos frames mais importantes e interessantes de todo o opening: Izana. Este segue-se após a evolução de Zen e de Shirayuki, transmitindo assim a imagem de conflito que este representa para os protagonistas.  

 

 

Neste vemos Izana com o seu sorriso de satisfação calculista, em conjugação com o seu olhar observador, como se estivesse em processo de construção de mais um plano de diversão sociopata. Porém, ainda que esta caracterização seja toda interessante e verdadeira, o grande interesse assenta na dicotomia desta complexa personagem, apresentada visualmente pelo seu reflexo nos vidros da janela. Se repararem, se olharem bem perto, o Izana que temos em frente não é o mesmo Izana que se encontra no reflexo. A personagem que nos é caracterizada em primeira mão, poderá apenas ser uma máscara, para algo que ele pretende não mostrar. No reflexo vemos um Izana de olhar aborrecido, deprimido, e o sorriso é completamente inexistente.

 

 

Depois de toda esta complexa dualidade é-nos mostrada a personagem mistério: Obi. Que apesar de não se conhecerem as suas verdadeiras razões, defende aqueles de quem gosta, sendo essa a missão dele. Um “ninja” misterioso, que mantém os seus olhos distantes no local que quer proteger.

 

 

Sem mais variáveis, entramos num dos pontos mais interessantes, e mais importantes do opening, aquele que nos mostra a estrutura narrativa, através de uma montagem intercalada de sequências entre os dois protagonistas da obra, enquanto preparam e percorrem os seus próprios caminhos. Estas decalcam a independência de Zen e de Shirayuki, bem como os seus objetivos perpendiculares que eventualmente se vão cruzar.

 

 

Assim que se encontram, como é visível pela sequência acima, as linhas de ambos não se voltam a separar. Os dois lados que só se encontravam por eventualidades comuns, tornam-se agora numa só linha.

Isto é representado pelo plano final, onde Shirayuki já se encontra com Zen dentro do castelo a olhar para fora, e não de fora, a visualizar o castelo.

 

 

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