Ciclo de Cinema sobre Akira Kurosawa em Setembro e Outubro 2020

Como já tem sido habitual, a Leopardo Filmes e a Medeia Filmes juntaram-se, uma vez mais, para trazerem um ciclo de cinema japonês a todos os portugueses. Desde Lisboa, ao Porto, a passar ainda por Setúbal, Coimbra, Braga e Figueira da Foz, podemos contar com a exibição de sete filmes de Kurosawa.

 

O cinema tem tantas semelhanças com as outras artes… Se tem muitas características da literatura, também as tem do teatro, ou mesmo um lado filosófico, atributos da pintura e da escultura, e elementos musicais. […] Mas há algo muito especial nos filmes que é puramente cinemático. Quando faço filmes ou vou ver os filmes de outros cineastas, é à procura dessa experiência.

Akira Kurosawa

 

Ciclo de Cinema sobre Akira Kurosawa

 

Pelo menos até ao próximo dia 15 de outubro poderemos contar com sete filmes do realizador japonês Akira Kurosawa no Cinema Medeia, em Lisboa, e no Teatro Campo Alegre, no Porto – as datas dos outros locais estão ainda por anunciar.

Descubram, infra, todas as informações sobre os sete filmes a serem exibidos neste ciclo de cinema sobre o realizador. Devem ter em atenção que algumas datas, mesmo em em Lisboa e no Porto, ainda não foram divulgadas e apenas o serão assim que se aproximar a data de estreia da obra em questão. Dessa forma, consultem regularmente este artigo!

 

Ciclo de Cinema sobre Akira Kurosawa em Setembro e Outubro 2020

 

Os Sete Samurais (1954)

VER DATAS DE EXIBIÇÃO EM LISBOA E NO PORTO – cliquem aqui! (Estreia a 17 de setembro)

 

Título original: Shichinin No Samurai
Realização: Akira Kurosawa | Argumento: Shinobu Hashimoto, Hideo Oguni, Akira Kurosawa | Director de Fotografia (35mm, 1,33, preto & branco): Asakuzu Nakai
Música: Fumio Hayasaka

Interpretação: Takashi Shimura (Kambei, o chefe), Toshiro Mifune (Kikuchiyo, o camponês), Yoshio Inaba (Gorobei), Seiji Miyagushi (Kyuzo, o mestre de combate com sabre), Minoru Chiaki (Eikachi), Daisuke Kato (Shichiroji), Ko Kimura (Katsushiro)

Produção: Toho (Tóquio) | Duração: 207 minutos

Estreia em Portugal: Lisboa (Cinema Eden), em 29 de Março de 1968; reposição (versão integral) em Lisboa (Cinema King, Atalanta Filmes), em 26 de Novembro de 1993

 

 

Sinopse:

No século XVI, exasperados com as incursões de grupos de bandidos, que lhes roubam as colheitas e as mulheres, um grupo de camponeses pede auxílio aos samurais. Seis guerreiros, chefiados por Kambei e pelo filho de um camponês, decidem defender os camponeses sem receber pagamento, apenas casa e comida, pois têm a convicção de cumprir um dever.

 

Festivais e Prémios:

Festival Internacional de Veneza 1954 – Vencedor do Leão de Prata
Óscares 1954 – Nomeado na Categoria de Melhor Direcção de Arte e Melhor Figurino

 

Os Sete Samurais, outra das obras-primas de Kurosawa, sobre a qual o realizador afirmou: “Um filme de acção pode não ser mais do que um filme de acção. Mas como é maravilhoso se ele puder ao mesmo tempo pintar a humanidade! Esse foi sempre o meu sonho desde a época em que era assistente de realização. Depois destes anos todos, sonho reconsiderar o drama antigo a partir deste ponto de vista”.

 



 

Yojimbo, o Invencível (1961)

VER DATAS DE EXIBIÇÃO EM LISBOA E NO PORTO – cliquem aqui! (Estreia dia 24 de setembro)

 

Título original: Yojimbo
Realização: Akira Kurosawa | Argumento: Akira Kurosawa e Ryuzo Kikushima | Director de Fotografia (35mm, Tohoscope, preto & branco): Kazuo Miyagwa
Música: Masaru Sato

Interpretação: Toshiro Mifune (Sanjuro Kuwabatake), Eijiro Tono (Gonji, o vendedor de saké), Kamatari Fujiwaea (Tazaemon, o mercador de seda), Takashi Shimura (Tokuemon, o mercador de saké), Seizaburo Kawazu (o escudeiro de Tazaemon), Isuzu Yamada (Orin, mulher de Seibei), Hiroshi Tachikawa (Yoichiro, seu filho)

Produção: Filmes Kurosawa e Toho (Tóquio) | Duração: 110 minutos

Estreia em Portugal: Porto (Cinema Estúdio), 8 de Julho de 1969

 

 

Sinopse:

Uma pequena cidade a norte de Tóquio vive sob o domínio de dois grupos de bandidos: um deles protege os mercadores de seda, o outro os de saké. Um samurai mercenário, Sanjuro Kuwabatake, vende os seus serviços às duas quadrilhas e assiste à destruição recíproca dos inimigos. Porém, a chegada de Unosuke, irmão de um dos chefes rivais, munido de uma arma de fogo única em toda a região, vai endurecer o conflito.
Fingindo aliar-se a Unosuke, Sanjuro Kuwabatake mata vários dos seus asseclas até ser finalmente descoberto e preso. Entretanto, a batalha final aproxima-se.

 

Festivais e Prémios:

Festival Internacional de Veneza 1961 – Prémio Volpi Cup para o Actor Toshirô Mifune e Prémio Novo Cinema
Óscares 1962 – Nomeado na Categoria de Melhor Figurino

 

Yojimbo, o Invencível, o seu filme mais popular, um dos maiores êxitos do cinema japonês de sempre. Kurosawa dizia que na base desse sucesso estava o carácter do herói, Sanjuro (extraordinária interpretação do grande actor Toshiro Mifune, que fez 17 filmes com o realizador), um verdadeiro herói, que, quando luta, tem uma razão para o fazer.

 



 

Viver (1952)

VER DATAS DE EXIBIÇÃO EM LISBOA E NO PORTO – cliquem aqui! (Estreia dia 1 de outubro)

 

Título original: Ikiru
Realização: Akira Kurosawa | Argumento: Shinobu Hashimoto, Hideo Oguni e Akira Kurosawa | Director de Fotografia (35mm,1,33, preto & branco): Asakazu Makai
Música: Fumio Hayasaka

Interpretação: Takashi Shimura (Kanji Watanabe), Nobuo Kaneko (Mitsuo Watanabe, filho de Kanji), Kioko Seki (Kazue Watanabe, a mulher de Mitsuo), Makoto Kobori (Küchi Watanabe), Kumeko Urabe (Tatsu Watanabe), Yoshie Minami (a criada), Miki Odagiri (Toyo Odagiri)

Produção:  Toho (Tóquio) | Duração: 143 minutos

Inédito comercialmente em Portugal

 

 

Sinopse:

Kanji Watanabe, funcionário municipal é informado que tem um cancro e que só lhe restam três meses de vida. Reconhecendo o vazio que foi a sua vida, Watanabe empenha-se na transformação de um terreno baldio num parque onde as crianças possam brincar, um projecto ao qual destina todas as suas forças.

 

Festivais e Prémios:

Festival Internacional de Berlim 1954 – Nomeado para o Urso de Ouro, Prémio Especial do Senado de Berlim

 

Viver – Ikiru, que no ano de estreia figurava à cabeça da lista dos melhores filmes para os críticos japoneses, e que para André Bazin, aquando de uma retrospectiva do cinema japonês em Paris, uns anos mais tarde, foi “o mais belo, o mais sábio e o mais comovente dos filmes japoneses que [lhe] fora dado ver”.

 



 

A Fortaleza Escondida (1958)

VER DATAS DE EXIBIÇÃO EM LISBOA E NO PORTO – cliquem aqui! (Estreia dia 8 de outubro)

 

Título original: Kakushi Toride No San-Akunin
Realização: Akira Kurosawa | Argumento: Shinobu Hashimoto, Ryuzo Kikushima, Hideo Oguni, Akira Kurosawa | Director de Fotografia (35mm, Tohoscope, preto & branco): Kazuo Yamasaki
Música: Masaru Sato

Interpretação: Toshiro Mifune (General Rokurota Makabe), Misa Uehara (Princesa Yukihime), Takashi Shimura (General Izumi Nagakura), Susumi Fujita (General Hyoe Tadokoro), Eiko Miyoshi (uma aia), Minoru Chiaki (Tahei, o camponês gordo), Kamatari Fujiwara (Mataschishi, o outro camponês)

Produção: Masumi Fujimoto e Akira Kurosawa, para a Toho (Tóquio) | Duração: 139 minutos

Inédito comercialmente em Portugal

 

Sinopse:

No século XVI, durante as guerras civis que assolam o Japão, uma princesa, a sua família, os seus guerreiros e o seu tesouro são perseguidos. A cabeça da princesa está a prémio. A princesa parte em busca de refúgio com um general, dois camponeses que este capturara, e o tesouro. Para chegar a uma região segura, o grupo deve atravessar território inimigo.

 

Festivais e Prémios:

Festival Internacional de Berlim 1959 – Vencedor do Urso de Prata e Prémio FIPRESCI

 

O genial A Fortaleza Escondida súmula da arte de AK, que aqui utiliza pela primeira vez o cinemascope e que se tornou um tal êxito que lhe veio permitir fundar a sua própria produtora.

 



 

Dodeskaden (1970)

VER DATAS DE EXIBIÇÃO EM LISBOA E NO PORTO – cliquem aqui! (Estreia dia 8 de outubro)

 

Título original:
Realização: Akira Kurosawa | Argumento: Akira Kurosawa, Hideo Orguni, Shibobu Hashimoto, com base em oito dos quinze contos | Director de Fotografia (35mm, 1,66, Eastmancolor): Takao Saito, Yasumichi Fukusawa
Música: Toru Takemitsu

Interpretação: Zuchi Yoshitaka (Rokuchan, o rapaz louco), Kin Sugai (a mãe de Rokuchan), Junzaburo Ban (Yukcihi Shima), Kiyoko Tange (a mulher de Shima), Michio Hino (Ikawa), Tatsuhei Shimokawa (Nomoto), Keiji Furuyama (Matsui), Hisasbi Igawa (Masuo Masuda)

Produção: Yonki-No-Kai e Toho (Tóquio) | Duração: 136 minutos

Inédito comercialmente em Portugal

 

Sinopse:

O filme consiste em diversos episódios da vida dos habitantes de um pequeno bairro de lata: bebedeiras, sonhos, depressões, casos de adultério, a luta pela vida de todos os dias. Um rapaz conduz um eléctrico imaginário, um outro, que procura comida nos caixotes de lixo dos restaurantes, sonha em encontrar o pai, uma rapariga faz flores artificiais para sustentar o avô alcoólico. O “chefe” informal do grupo é o velho Tamba, um velho artesão, capaz de tudo perceber e de tudo perdoar.

 

Festivais e Prémios:

Festival Internacional de Veneza 1971 – Prémio OCIC
Óscares 1971 – Nomeado na Categoria de Melhor Filme Estrangeiro

 

Começa aqui um período mais difícil para o cineasta, um período de incompreensão, que leva a que o seu filme seguinte, Dodeskaden, o último que veremos neste ciclo essencial, só se concretize cinco anos depois. Como resposta a um período depressivo, Kurosawa rodou este filme admirável em 4 semanas, com baixo orçamento (“fiz o filme para provar que não tinha enlouquecido”). Dodeskaden, contruído sobre narrativas irónicas, entrelinhas, ilusões, como sublinhou o escritor Pedro Eiras, inspira-se em Gorki e num romance do japonês Yamamoto, e é nele que Kurosava utiliza pela primeira vez a cor, com o olhar do pintor Rokuchan (recorde-se que, na sua infância, fora um professor de desenho que despertara o interesse do jovem Akira pela escola; de resto, o desenho e a pintura foram actividades que sempre continuou a praticar). O realizador afirmou: “Rokuchan simboliza o artista, o cineasta, que cria única e exclusivamente por meio da sua imaginação, neste caso o caminho de ferro imaginário, isto é, o cinema”.

É um filme de resistência, um filme de sobrevivência, das personagens que o habitam e de um realizador, de um homem com uma sabedoria desconcertante, simultaneamente tão humana e sobre-humana. Pouco tempo depois da sua estreia Kurosawa teve uma tentativa de suicídio, felizmente malograda.

 



 

O Barba Ruiva (1965)

VER DATAS DE EXIBIÇÃO EM LISBOA E NO PORTO – cliquem aqui! (Estreia dia 15 de outubro)

 

Título original: Akahige
Realização: Akira Kurosawa | Argumento: Akira Kurosawa, Masato Ide, Hideo Oguni, Ryuzo Kikushima, a partir do romance Akahige Shinryodan, de Shugoro Yamamot | Director de Fotografia (70 mm, preto & branco): Azakasu Nakai e Takao Saito
Música: Masaru Sato

Interpretação: Toshiro Mifune (Kyojo Niide, o Barba Ruiva), Yuzo Kayama (Noburu Yasumoto, o aprendiz), Chishu Ryu (o seu pai), Kinuyo Tanaka (a sua mãe), Yoko Naito (a sua noiva), Ken Mitsuta (o pai da noiva), Yoshio Tsuchiya (Handayu Mori), Tatsuyoshi Ehara (Genzo Tsugawa)

Produção: Kurosawa Films – Toho (Tóquio) | Duração: 185 minutos

Inédito comercialmente em Portugal

 

 

Sinopse:

Inícios do século XIX. Após estudar medicina durante vários anos em Nagasaki, o jovem Naburo Yasumoto regressa a Edo com a esperança de ser nomeado para a equipa médica da Corte. Apanhado de surpresa ao ser nomeado para uma clínica pública, Yasumoto desrespeita deliberadamente as regras do hospital. Aos poucos, porém, o jovem começa a respeitar o chefe da clínica, Barba Ruiva, um homem íntegro, que vê em cada doente “uma desgraça da vida”. Quando Otoyo, uma adolescente condenada à prostituição, adoece física e moralmente e procura os cuidados da clínica, o Barba Ruiva encarrega Yasumoto de curá-la.

 

Festivais e Prémios:

Festival Internacional de Veneza 1965 – Prémio San Giorgio, Prémio OCIC e Prémio Volpi Cup para o Actor Toshirô Mifune

 

O Barba Ruiva marca o fim de uma época: a crítica rende-se por inteiro ao cineasta, e este filme é um dos objectos mais fascinantes que realizou, mas fala-se também agora da “megalomania” dos seus projectos, do seu exagerado perfeccionismo, da sua “desmesura”, do tempo demasiado que levou a fazê-lo. E, apesar de um razoável sucesso de bilheteira, o filme não conseguiu pagar-se.

 



 

O Trono de Sangue (1957)

VER DATAS DE EXIBIÇÃO EM LISBOA E NO PORTO – cliquem aqui! (Estreia dia 15 de outubro)

 

Título original: Kumonosu-Jo
Realização: Akira Kurosawa | Argumento: Shinobu Hashimoto, Ryuzo Kikushima, Hideo Oguni, Akira Kurosawa, segundo Macbeth de William Shakespeare | Director de Fotografia (35mm, 1,33, preto & branco): Asakazu Nakai
Música: Masaru Sato

Interpretação: Toshiro Mifune (Taketoki Washizu – “Macbeth”), Isuzu Yamada (Asaji -“Lady Macbeth”), Minoru Chiski (Hoshiari Miki- “Banquo”), Takamaru Sasaki (Kuniharu Tsuzuki rei “Duncan”), Takashi Shimura (Noriyasu Odagura), Akira Kubo (Yoshiteru, filho de Miki -”Fleance”), Yoichi Tachikawa (Kunimaru NIDU “Malcolm”), Chieko Naniwa (uma bruxa), Takashi Shimura (Noriyasu Odagura – “Sirward”)

Produção: Shojiro Motoki, Akira Kurosawa, para a Toho (Tóquio) | Duração: 110 minutos

Inédito comercialmente em Portugal

 

 

Sinopse:

O general Washizu e o general Miki perdem-se na floresta e encontram uma bruxa, que prevê que Washizu será rei e que será sucedido pelos herdeiros de Miki. É então que Washizu mata o seu senhor, Kuniharu Tsuzuki, e Miki. A bruxa prevê agora que ele estará a salvo enquanto a floresta não se puser em movimento. Mas o filho de Miki ataca o castelo de Washizu, usando as árvores da floresta como camuflagem. O filho de Washizu nasce morto, a sua mulher enlouquece e ele é traído pelos seus homens. Adaptação livre de Macbeth de William Shakespeare, O Trono de Sangue introduz pequenas diferenças em relação à peça (uma só bruxa, ao invés de três) e acrescenta novas cenas (quando a floresta se põe em movimento, os pássaros fogem e invadem o castelo).

 

Festivais e Prémios:

Festival Internacional de Veneza 1957 – Nomeado ao Leão de Ouro

 

O Trono de Sangue um dos filmes maiores do realizador, uma das melhores adaptações do Macbeth de Shakespeare ao cinema (como escreveu Manuel Cintra Ferreira, “aquela em que melhor se sente o som e a fúria da tragédia do grande do isabelino”).

 



 

Não se esqueçam de verificar sempre com o local de exibição o dia e hora exacta da exibição de cada um destes filmes. De todos os apresentados, qual o que irão, sem dúvida alguma, ver nos cinemas?

 

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Fonte: Press Leopardo Filmes

 

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