Dance With Devils | Análise

O anime Dance With Devils é baseado no conceito original criado por Daisuke Iwasaki, da Rejet, e a história original é de Grimoire Henshushitsu. A produtora de jogos Rejet, o estúdio de música Elements Garden, e a companhia musical Avex, anunciaram o projeto sob a produção dos estúdios Brains Base (Durarara!!, Isshuukan Friends.).

 

Dance with Devils | Opening

“Kakusei no Air” de Wataru Hatano (exceto primeiro episódio)

 

Dance with Devils | Enredo

A história gira em torno de Ritsuka Tachibana, uma estudante do segundo ano do ensino secundário que frequenta a academia Shiko, na cidade de Shiko. Ela aprecia muito a sua vida de estudante enquanto vive com a sua mãe Maria. Um certo dia a sua vida entra na ruína, onde nada é o que parece. O anime narra a história de Ritsuka e a sua nova vida rodeada de demónios, vampiros e pela busca do Grimoire.

 

 

Será um anime baseado na ópera lírica? Ou um musical pop? Ou simplesmente uma série com cenas de destaque cantadas? Mesmo após a visualização da série, não sei em qual das categorias listar esta obra. Acredito que seja um misto de tudo, sem poder ser considerado nada em concreto, por isso vou-me ficar pelo termo que mais se aproxima das características major da produção: um musical.

Sim, teoricamente, a série é um musical romântico. Porquê teoricamente? Porque a conexão entre atuação e narrativa nem sempre é positiva, existindo não poucas vezes, uma tentativa forçada de colocar as personagens a cantar sem razão aparente, em momentos muito pouco oportunos a nível narrativo.

 

 

Os primeiros passos de dança…

O primeiro contacto com a obra pode levar ao choque e estupefação. A surpresa é inevitável. A não ser que conheçam o manga original, é difícil supor o tipo de adaptação a que esta foi sujeita. As personagens são introduzidas com uma introspeção cantada, personalizada através de um “vídeo-clip” dedicado a cada música. À medida que a premissa se afirma e o drama começa a lançar as suas primeiras pedras, mais e mais espetáculos musicais são inseridos, protagonizados pelos personagens masculinos e femininos sempre com o objetivo de expor sentimentos, ânsias e desejos.

A originalidade na apresentação e construção da obra seriam de louvar não fosse a má colocação de muitas das músicas, levando-me a admitir que se tornou tortuoso assistir aos primeiros episódios. Todavia, à medida que a narrativa avançava, o número de músicas diminuía ao mesmo tempo que qualidade das mesmas aumentava. Além disso, o oportunismo foi aprimorado ao longo da série, conseguindo inclusive afirmar que tornou-se agradável e divertido ouvir/ver as atuações.

 

 

Uma narrativa cliché… E qual o problema nisso?

Quando iniciamos uma adaptação de um manga harem para jovens raparigas, não estamos à espera de nada mais que uma narrativa cliché que poderá ser melhor ou pior trabalhada (claro que tudo o que for melhor é bónus). Não vou por isso criticar o cerne da história, mas sim as linhas do enredo e como o cliché é montado. Para quem tem pouca experiência em obras quer literárias quer de anime, esta narrativa é uma doce guloseima para os amantes de romance. Dance with Devils possuiu as peças necessárias para construir um agradável puzzle romântico num universo fantasioso. A história é relativamente simples, o universo é cativante e explorado de forma ponderada, o caminho criado para a imersão narrativa está montado com a firmeza necessária para compenetrar o público-alvo.

Conseguiu a narrativa colmatar as falhas da má aplicação musical? Não foi má, mas também não foi perfeita. A trama criada é interessante, conseguiu ser estruturada de forma coesa a partir de determinada altura (depois do ligeiro escorregão dos primeiros episódios). As pistas e mistérios foram meticulosamente implementados ao longo dos episódios, inclusive em muitas das músicas. As justificativas existem, e ao contrário de algumas obras dentro do género, as coisas não surgem porque sim. Não há acasos, não há quebras narrativas, apenas elementos sem resposta, e que assim permanecem mesmo após o término.

 

 

Dance with Devils | As Personagens

Cada personagem é identificada sob um sub-tipo musical associado a um género de dança, desde Jitterbug, Bolero, Tango, B-Boying (Break-dance), Farandole, Pas de Deux. A qualidade na execução da música vs personalidade vs dança é realmente de louvar. Para os apreciadores de dança acredito que estas associações façam ainda mais sentido no momento em que as comparem com a personalidade das personagens.

As personagens masculinas não são más, simplesmente representam aquilo que elas são: possibilidades amorosas de um jogo para jovens raparigas, em que o objetivo é selecionar um dos 6 pretendentes. Dentro de cada personalidade-tipo, os protagonistas estão todos maravilhosamente representados. Conseguimos delinear preferências, determinar ações, falas, decisões, e ainda somos contemplados com drama e narrativa com sentido dentro de um pano de fundo congruente com o enredo fulcral.

 

 

Dance with Devils | Ambiente

O ambiente é simplesmente deslumbrante. Por muito que se odeie os “vídeo-clips” musicais, nada se tem a apontar quanto à execução e composição técnica dos mesmos. A diversidade, originalidade e consistência entre a música, cena e movimentos bocais das personagens são simplesmente perfeitos.

A animação é fluída, brilhante, num jogo de cores recheado por uma palete imensa de possibilidades. Uma vez que cada personagem é detentora de um género representativo de dança, e uma vez que cada género detém uma harmonia de cores e ambiente (ou seja Tango é mais febril e intenso que um Farandole), as cores e a animação variam constantemente de acordo com todas essas características. Transpondo o espetador para um circo de esculturas de cores e explosões de cenários deslumbrantes, onde nada é constante, mas tudo é belo. Uma vez que não se prende a uma linha visual concisa, a obra pode de facto variar sem parecer estranho nem se tornar pesada. Ainda assim, os tons mais negros, roxeados e rubros têm primazia, ou não seria esta uma obra sobre demónios.

 

 

Os pormenores associados às personagens e seus poderes são, indubitavelmente, um dos pontos fortes do ambiente, não menosprezando as particularidades dos ornamentos cénicos e das indumentárias. Em suma, não há nada a apontar de negativo neste quesito, pelo que animação é fluída na sua maioria, e adequada à temática mais negra da obra. Com a exceção de alguns momentos de exímia qualidade na animação, esta provou-se estar dentro da média ao longo de toda a obra.

 

 

A banda sonora é o ponto de destaque desta obra. Não necessariamente pela excelência estonteante, mas pela variedade e consistência (ou tentativa de) com os géneros musicais em que se basearam. A inspiração na ópera lírica é mais que evidente, sobretudo nos primeiros episódios, infelizmente não conseguiram captar a essência clássica durante muito tempo. A dificuldade em conter a adaptação mais “pop” de cada género, levou a uma fuga mais ou menos bem sucedida do clássico. Dance with Devils afirma-se assim como uma tentativa de musical, onde as personagens expõem as suas angústias, sentimentos e decisões através de composições que variam entre a sonoridade lírica e o pop, seja em solo ou em grupo.

Além das atuações dos protagonistas, temos ainda composições que vão desde melodias orquestradas clássicas, sonoridades góticas e músicas cantadas em gospel. Em suma, variedade e quantidade musical não falta em Dance with Devils!

 

 

Dance with Devils | Juízo Final

Pode-se dizer que a linha entre o amor e o ódio é bastante testada nesta produção. Não é uma obra para qualquer um, e mesmo para aqueles que lhe dão uma oportunidade, há momentos em que apetece trepar paredes, avançar cenas, esquecer músicas e amaldiçoar a quem teve aquelas tristes ideias. Os atores que dão voz às personagens são estupendos, mesmo que esta obra não seja do vosso interesse vale a pena ouvir algumas músicas e saborear a qualidade soberba destes atores! Isto para não falar nas atuações! A Brains Base não é dos melhores estúdios da atualidade sem razão aparente. Ela conseguiu aqui desenvolver um espetáculo auditivo e visual de louvar. Com exceção de algumas produções musicais muito mal colocadas nos episódios, na verdade não posso criticar tão afincadamente a animação em termos de ambiente, de uma forma geral.

 

 

Em termos narrativos, não possui a premissa mais interessante, contudo a forma como é trabalhada não é má, só não é boa. Para os menos exigentes e/ou público-alvo, é relativamente fácil compenetrar na dor e confusão da protagonista, e imergir num mundo de fantasia onde nada é o que parece.

Portanto, não sugiro a visualização a ninguém que:

  1. Não goste de musicais
  2. Não goste de harem masculinos
  3. Não goste de clichés
  4. Não goste de personagens-tipo
  5. Nãos goste de musicas J-Pop

E mesmo aos que gostem disso tudo, têm de ter em atenção que poderão ser algumas vezes interrompidos da vossa imersão por uma personagem que decide cantar num momento dramático.

Em suma, é uma obra para um público restrito de espetadores no entanto, consegue surpreender pela positiva, os mais reticentes dentro dos amantes do género. A série melhora consideravelmente à medida que nos aproximamos do clímax final, nos mais variados quesitos, tornando-se mesmo agradável.

 

Dance with Devils | Trailer

 

 


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