Kaitou Joker – Análise

A suspeita, apresentada no artigo de primeiras impressões, de que Kaitou Joker era uma obra mais direcionada para um público infantil, veio a confirmar-se, após a visualização dos treze episódios que preenchem a sua primeira temporada. Ainda assim, em raros momentos, a série consegue despertar a curiosidade num público mais velho, podendo encaixar na categoria de produção familiar. Mas, dadas as circunstâncias, pareceu-me mais sensato escrever esta análise com base no seu principal público-alvo.

 

Antes de roubar, convém avisar!

Caso para dizer que a ladroagem nunca foi tão simpática como nesta trama. Kaitou Joker, o “ladrão fantasma” que é o grande protagonista da série, não rouba importantes artefactos pelo mundo inteiro, sem antes avisar os seus donos e protectores que o vai fazer. De um modo geral, este é o ponto de partida da maioria do episódios, que, por consequência, coloca em alerta os detentores das relíquias, as forças de segurança, e até os rivais de Joker. Sempre com dia e hora marcada nos seus avisos, esta é uma característica original da série, concebida a pensar no seu grande público, que parece ter o efeito de atracção pretendido, mas também um sentido de responsabilidade. Afinal de contas, existe uma tentativa – talvez não muito convincente, mas esforçada! – dos seus criadores, em passar uma mensagem positiva para este tipo de ladroagem, comparativamente aos roubos e assaltos tradicionais.

 

 

O enredo de Kaitou Joker

Na altura das primeiras impressões, referi que cada episódio tinha um conteúdo isolado dos seus anteriores e seguintes. Todavia, terminada agora a visualização da produção, sou forçado a corrigir essa impressão. Primeiro, porque algumas aventuras se dividem em dois capítulos. Depois, porque, pelo meio, são incluídas viagens ao passado, nas quais são exploradas, em bom detalhe, várias personagens importantes do “elenco bom”.

Por seu lado, o lado mau, liderado pelo Professor Clover, tem tempo de antena que evoca o seu passado, mas fica por dizer como ele ali chegou. Uma história possivelmente reservada para a segunda temporada (ou seguintes), já que nesta produção de estreia são os seus subordinados que recebem esse aprofundamento.

No meio de todas estas aventuras e desventuras, com as várias personagens principais à mistura, esta abordagem parece-me bem executada, quando me coloco (mais uma vez), na perspectiva do público mais jovem. Sem grandes elaborações nem complexidades, o desenvolvimento do enredo é “levado a bom porto”.

 

 

A concorrência de Kaitou Joker

Quando junto Joker ao restante elenco, fico com dúvidas até que ponto este possa ser um protagonista destacado dos restantes. Sou levado a crer que, pelo menos entre Joker, Queen e Spade, a luta seria renhida se houvesse uma votação para eleger a personagem favorita. Especialmente este último, por tudo o que mostra nesta trama de estreia, será uma grande ameaça, em termos de popularidade, àquele que dá nome à obra. E se esta disputa fosse desempatada entre os assistentes de ambos, talvez Dark Eye seja favorito em relação a Hachi, o ninja aprendiz, e “dono de casa”, de Joker.

 

 

Os truques mágicos de Joker e companhia

Quando, na introdução, falei na capacidade de trama em despertar a atenção de um público mais maduro, estava a pensar neste aspecto. Isto é, nas estratégias e truques (não confundir com as armas e acessórios utilizados, sobre os quais falarei mais à frente) utilizados por Joker e companhia para roubarem os artefactos a que se propõem, ou mesmo para se libertarem de situações perigosas e incómodas. Porque, de facto, em muitas intervenções não é óbvio o que aconteceu. Nestas alturas, é feito um parêntesis no decorrer da acção, para ser apresentada a explicação ao espectador. Um tempo de antena normalmente conduzido por Silver Heart, mentor dos jovens ladrões fantasma. Muitas dos truques confirmam-se simples, uma vez revelados, mas também existem alguns com um pouco mais de complexidade, que pode ser difícil o público mais novo perceber sozinho.

 

 

O humor

Se no ponto anterior reside aquele que, a meu ver, é o grande aspecto de interesse para o público mais velho, quero a ele acrescenter o humor e divertimento inerentes à trama. Esta dupla, de alguma forma, também podem ser factores transversais à idade do público. Sendo certo que a sua tonalidade é igualmente simplista, não quer isto dizer que não possa fazer rir alguns adultos, ou sacar umas contracções musculares mais alegres das suas faces. Nem que seja pelo efeito contágio de alguém mais novo que, ao lado, se está a rir a “bandeiras despregadas”.

 

Os pontos fracos

A fechar a lista de características que devem ser evidenciadas desta criação, não posso deixar de salientar um ponto que deixa a desejar, e um outro mais negativo.

O primeiro (que fica aquém do mínimo exigido) diz respeito ao arsenal de armas de Joker. Mesmo para uma faixa etária muito baixa, o número de recursos parece-me demasiado limitado. Ou seja, o protagonista recorre quase sempre às suas cartas e às suas “pastilhas mágicas”, sendo que estas últimas lhe conferem o aspecto de outra pessoa durante uns minutos. Para uma série com um número tão reduzido de episódios, é evidente o desgaste provocado por esta repetição, e a sua consequente perda de interesse. A falta de ideias nesta vertente é evidente, comprometendo a qualidade da trama.

O segundo, é a “abertura de uma porta”, a meu ver desnecessária, que a série nunca mais será capaz de fechar. Refiro-me em concreto à personagem Roco, companheiro de Queen, que passa por ser um cão normal numa fase inicial. Só mais à frente, para incredulidade do espectador, este se torna falador para os humanos. Mais à frente, esta característica humana revela-se igualmente presente noutros animais que foram vítimas de experiências de laboratório. Claro que isto é tudo uma questão de gosto e de preferência do espectador. A meu ver, e com base no que esta série inicial de Kaitou Joker mostrou, parece-me que a obra passava melhor sem tal vertente.

 

 

Os aspectos mais técnicos

Relativamente a estes segmentos da produção, não tenho nada a acrescentar depois do que disse no meu primeiro olhar a Kaitou Joker. Portanto, a única coisa que aqui faz sentido, é reforçar essas ideias.

A arte tem um estilo muito próprio, que me parece extremamente apelativo para o público infantil. De igual modo, o jogo de cores arbitrário e o traço carregado do desenho reforçam essa intenção, cujo resultado é muito positivo. À boleia deste estilo e do seu público-alvo, a animação tem o trabalho mais facilitado, seguindo também ela uma linha simplista, mas de boa qualidade, tendo em conta essa categoria onde se insere.

No que toca ao som, a banda sonora coaduna-se com os acontecimentos que estão a ser transmitidos no ecrã. Como também já havia dito, na altura da estreia, o opening é bastante alegre e animado, enquanto o ending desperta pouca atenção.

 

 

Juízo Final

Em suma, e sempre com o público mais novo em mente (relembro que a pontuação desta análise é dada em função dele), Kaitou Joker apresenta-se como uma produção bem conseguida, capaz de divertir, ao mesmo tempo que desperta curiosidade e raciocínio nos seus espectadores. Tudo isto é alcançado à boleia de uma simplicidade muito sólida, em qualquer que seja o aspecto da série aqui alvo de análise. De facto, só quando a série tenta sair fora dessa orientação é que perde alguma da sua consistência. Por último, não confundir simplicidade com variedade, onde a trama também peca um pouco por escassez, nomeadamente no que toca às armas das suas personagens mais importantes, algumas comuns entre muitas delas.

Em relação a um público mais velho, Kaitou Joker pode justificar a sua entrada na lista de obras a visualizar quando numa perspectiva de ser vista com os mais novos. De outro modo, e no caso deste tipo de humor já não suscitar gargalhadas, só mesmo para quem tiver interesse por enigmas e truques de magia. E, mesmo nestes casos, não creio que o entusiasmo dure muito tempo.

 

Kaitou Joker – Trailer

 

 

 

Artigos Relacionados

Kaguya-sama – 3ª Temporada revela Estreia e Teaser

Blue Period Episódios 2 e 3 – Opinião

Mob Psycho 100 – Anime recebe 3ª Temporada