Mirai Nikki | Análise

Transmitida em finais de 2011 e inícios de 2012, esta produção da Lantis e Funimation Entertainment deu que falar muito cedo entre os fãs do anime em geral, e logo por bons motivos. A confirmação dessas mesmas opiniões chegou após o término da série, quando a dita cuja começou a…
Mirai Nikki | Análise
Mirai Nikki | Análise
2014-07-31

Mirai Nikki

Enredo - 7.4
Personagens - 7.6
Produção Visual - 8.2
Banda Sonora - 8.5
79

7.9

Bom

Uma premissa inicial extremamente promissora que depois não teve um seguimento ao nível das expectativas criadas. Longe do patamar alvo, Mirai Nikki não deixa de ser uma obra com algum valor.

Avaliação dos Leitores do ptAnime: 4.16 ( 9 votos)
8

Transmitida em finais de 2011 e inícios de 2012, esta produção da Lantis e Funimation Entertainment deu que falar muito cedo entre os fãs do anime em geral, e logo por bons motivos.

A confirmação dessas mesmas opiniões chegou após o término da série, quando a dita cuja começou a surgir bem cotada e classificada nos mais diversos websites relacionados com este tipo de entretenimento que é o Anime. Veja-se, por exemplo, o MyAnimeList, onde surge pouco abaixo do Top 200, ficando à frente de obras conhecidas como Paprika, 5 Centimeters per Second, ou mesmo do mítico Dragon Ball Z.

Eu só acabei de visualizar a série há bem pouco tempo, e a verdade é que a opinião que construí sobre “Mirai Nikki” não vai de encontro à opinião geral. Curiosamente, outro dia encontrei (finalmente!) uma outra crítica que corresponde mais ou menos àquilo que penso sobre a produção, que a meu ver não é tão brilhante ou de alta qualidade como a pintam.

 

 

Mirai Nikki | Uma breve sinopse

“Future Diary”, assim é conhecida pelo Ocidente, é uma série sobre telemóveis que funcionam como diários capazes de preverem o futuro. Cada um destes diários tem a sua particularidade, funciona de maneira diferente dos outros, e corresponde a um portador.

Inesperadamente, todos os seus possuidores veem-se envolvidos num jogo de sobrevivência criado por Deus (Ex Machina), cujo objetivo passa por se matarem uns aos outros até ficar apenas um sobrevivente. O vencedor será o substituto de Deus daí em diante.

 

Afinal, nem sempre uma boa premissa se reflete numa história com bom enredo

Esta é uma das conclusões a que chego após a visualização completa de Mirai Nikki. Depois de uma entrada bastante forte em cena, que veio confirmar a sinopse interessante apresentada em cima, o desenvolvimento da história trouxe consigo várias fragilidades e incoerências que à partida não eram esperadas em termos de enredo e personagens.

Começo por realçar a insuficiência de paralelismos criados entre os vários portadores de diários do futuro. Se a competição envolve doze concorrentes, o que naturalmente se pode esperar são vários acontecimentos simultâneos executados por diferentes portadores de diários. Uns a confrontarem-se, outros a traçarem planos, a atuarem pela calada, formação de alianças temporárias entre portadores e outras coisas do género. Algumas destas coisas acontecem, mas não com a regularidade esperada.

De forma completamente desnecessária, grande parte dos eventos deflagrados e intervenções dos diversos concorrentes são orientados num só sentido: o de Gasai Yuno e de Amano Yukiteru – os protagonistas da história.

Como facilmente se percebe, não faz muito sentido que tal aconteça, até porque é na base desta orientação que vários desenvolvimentos demonstram ser forçados e perdem brilho – início de spoilers. O caso mais gritante é mesmo o de Yukiteru que estupidamente acredita e defende Yuno em praticamente toda a série apesar das barbaridades criminosas que a rapariga comete. De facto, e aproveitando que estou a falar de Amano, esta personagem denota uma mudança de atitude incompreensível.

Se na parte inicial da história, Yukiteru demonstra ser um grande cobarde, o rapaz termina a obra a cometer atos de real força e determinação apesar de serem completamente bárbaros. Dizer que o jovem é bipolar não é propriamente descabido.

 

Amano Yukiteru & Gasai Yuno

 

Gasai Yuno é a psicopata de serviço que vive obcecada com Yukiteru. Para ela, Yukiteru apenas pode relacionar-se com ela e mais ninguém. Qualquer um que se atravesse nesta linha de pensamento é um alvo a abater. Neste caso estou a falar de uma personagem cuja construção até é coerente. Isso percebe-se facilmente à medida que se vai descobrindo o seu passado e o associamos às intervenções do presente. Em contrapartida, a forma inexplicável como sobrevive a algumas explosões e outras situações do género é ridícula. Independentemente das voltas que se dê, Gasai acaba sempre por sobreviver.

Todavia, aquele que acaba por ser mais digno de referência nesta análise é mesmo Akise Aru. Se há personagem que se encaixa perfeitamente neste tipo de obra criminal e de investigação é Akise. Ele é o verdadeiro detetive, mais ainda que Nishijima e Fourth, e não é portador de um diário que o ajude, tornando-se assim uma personagem ainda mais relevante. Os seus raciocínios são fantásticos e o modo como a produção nos permite acompanhá-los é também muito boa. Com base nisto, faz confusão como só há uma personagem com este nível em Future Diary.

Não posso também deixar de manifestar a minha insatisfação com a reta final da história. A inserção de novos mundos e dimensões só veio complicar um enredo que por uma via mais simples conseguiria ir mais longe em termos de sucesso. Assim é quase como uma história à parte. Seria muito mais interessante uma luta acesa até ao final entre os vários portadores, e que alguns deles fossem construídos de forma mais sólida – fim de spoilers.

Olhando agora para os parâmetros gráficos de Mirai Nikki, os mesmos atingem um patamar bastante satisfatório. O desenho das personagens e a qualidade gráfica dos ambientes detonam brio no trabalho desenvolvido pelos seus responsáveis. Para além disso, é de realçar também a construção das cenas onde tudo se passa e correspondentes cenários pela sua diversidade e originalidade.

 

 

A banda sonora é, a par da premissa inicial da história, a parte com mais qualidade de Mirai Nikki. As músicas reproduzidas estão muitíssimo bem coordenadas com aquilo que se passa em cena, aumentando o impacto dos acontecimentos no espetador. Os Openings e Endings são também bastante apreciáveis, quer ao nível do vídeo quer da música. Se tivesse de destacar um em relação aos outros por ser ligeiramente melhor, escolhia o primeiro Opening que é talvez o mais marcante.

 

Mirai Nikki | Juízo Final

Concluindo, mesmo nesta análise estão presentes mais pontos positivos que negativos, o que muitas vezes pode ser uma contagem enganosa. Uma excelente história com um ambiente minimamente aceitável consegue ser muito mais valorizada do que uma com excelente grafismo e banda sonora, mas que se perde completamente em termos de enredo como é o caso de “Mirai Nikki”.

Se vale a pena ver? Vale, não digo que não. O grande problema de Mirai Nikki é a sua premissa inicial que, juntamente com os primeiros episódios, é capaz de nos cativar imenso mas que depois não tem seguimento ao nível do enredo. A série começa a apresentar incoerências, situações forçadas e lacunas nas personagens que surgem em destaque, perdendo assim um nível de qualidade elevado associado às nossas expectativas.

 

 

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