Momo to Manji: Manga Shounen-Ai Inspira Arte ao Estilo Ukiyo-e

Da autoria de Sawa Sakura, a obra boys-love com o título Momo to Manji, ambientada no período histórico Edo, inspirou uma série de peças de arte tradicional. Iwano Ichibee, representante da nona geração de artistas da sua família e a quem foi atribuído o título de Tesouro Nacional Vivo no Japão, criou o papel washi usado como base para 200 edições limitadas de gravuras ukiyo-e inspiradas no manga.

 

Manga Shounen-Ai Inspira Arte ao Estilo Ukiyo-e

 

Para quem desconhece, o papel washi é artesanal e o seu fabrico foi considerado “património cultural imaterial” pela UNESCO. Fino e quase translúcido, o papel washi elabora-se com fibras de madeira da planta ganpi, do arbusto de papel japonês e da amoreira-do-papel. É um material mais do que adequado para imprimir e reproduzir em grande número imagens que remetem para o estilo ukiyo-e (cenas do mundo flutuante, se traduzido literalmente).

Caraterística do período histórico de Edo (1603-1868), a arte japonesa ukiyo-e apresentava-se geralmente sob a forma de xilografias e surgia a partir de pinceladas simples, por vezes aleatórias, que eram trabalhadas de modo a recriar cenários tanto quotidianos como folclóricos, históricos ou eróticos. Na sua obra, a mangaka Sawa Sakura inclui elementos estéticos que recordam o estilo ukiyo-e.

 

 

A página da Collab Japan (rede que divulga colaborações entre profissionais artísticos japoneses) dedicada a este projeto aceitou reservas durante o último semestre de 2019 e começou a expedir as gravuras em Janeiro deste ano. Dada a natureza artesanal, limitada e delicada das peças, o preço de cada uma atingiu os 42 mil ienes (333€). Os clientes também puderam inscrever-se num sorteio em que o prémio era uma de 10 gravuras especiais assinadas por Sawa Sakura.

 

Manga Momo to Manji

Momo to Manji é publicada desde 2015 pelo grupo editorial Shodensha através da revista onBLUE, especializada no género de manga yaoi. O manga segue o romance entre Manji, um ex-bombeiro com traços femininos e bon vivant, e o inocente Momo, um kagema (termo histórico para prostituto).

Esta série yaoi foi eleita a melhor do género no ano de 2017 na lista Kono BL ga Yabai! 2018 e recebeu o Prémio de Excelência do Ministério de Assuntos Culturais do governo japonês em Março de 2019; dois meses depois, Sakura participou num painel sobre boys-love e a consciencialização do público para a temática LGBT.

O terceiro e mais recente volume do manga foi publicado em Agosto de 2019. Nas lojas Animate foi disponibilizada uma edição especial que inclui uma versão áudio; a Toranoani comercializa essa mesma edição, acompanhada de uma bolsinha e um livreto. No ocidente, é possível encontrar uma versão francesa do manga pelo grupo Hana Collection.

São fãs de projetos que unem o tradicional ao contemporâneo? Estariam dispostos a investir numa edição ou arte exclusiva do vosso manga favorito?

Fontes:

Tradução e composição: Maria J Oliveira

 

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