Reportagem Comic Con Portugal 2017

3… 2… 1, que a Comic Con Portugal 2017 comece!!!

 

 

Vasculhando no meu calendário anual, dezembro significa duas coisas: Comic Con Portugal e Natal! Sem qualquer resquício de vergonha por tal associação, acredito que não serei a única amante da cultura pop que organiza o seu calendário pessoal com o evento em mente. E, pelos últimos (e surpreendentes) números lançados, 100 748 pessoas devem partilhar comigo a loucura que é juntar duas festividades longas no mesmo curto espaço de tempo.

 

 

Com atraso de uma semana face às edições passadas, esta Comic Con foi cercada de controvérsia. Não sabíamos muito bem o porquê da mudança da data (tão próxima do Natal e longe dos gloriosos feriados prolongados), os zunzuns do afastamento de algumas entidades preencheram os nossos feeds do Facebook, e a falta de informação foi uma constante ao longo do ano… Mas afinal, o que nos aguardaria nesta quarta edição da Comic Con Portugal?

As expectativas estavam comedidas em todos os departamentos. Pelas redes sociais a especulação reinava e as discussões aconteciam um pouco por todo o lado, servindo de manchete de notícias de websites, grupos de Facebook, entre outros. Ninguém sabia o que ia acontecer e a falta de informação sobre convidados de renome ecoou mesmo depois da abertura de portas.

 

 

Reportagem Comic Con Portugal 2017 – Generalidades

 

Quinta e Sexta – Sossego, agitação, um ambiente familiar

Como era de se esperar, no primeiro dia do evento não usufruímos das famosas filas de gente para tudo e mais alguma coisa. Em vez disso, deliciamo-nos com um espaço gigante onde todos conseguiram caminhar e explorar sem qualquer tipo de constrangimento, empurrões ou calor humano. Pessoalmente, acredito que começou da melhor forma e como deveria começar sempre: com espaço para todos os grandes fãs se movimentarem à vontade e usufruírem das atividades que foram feitas para eles.

O segundo dia partilhou do mesmo sentimento, dado que, mesmo sem o melhor dos cartazes, os participantes assíduos das demais edições voltaram a fazer-se presentes. Acaba por ser uma tradição amaldiçoada que leva ao mais comum dos infortúnios das convenções portuguesas: a ausência de progressão.

Podemos dizer que os dois primeiros dias foram um recordar dos velhos tempos, das antigas convenções de cultura pop onde revíamos todos aqueles estranhos que nem sabíamos o nome (verdadeiro) mas que, de tantas vezes os vermos nos mesmo locais que nós, acabavam por ser os nossos “amigos de convenções”. Além das particularidades do cosplay e dos reencontros com velhos “amigos”, estes dois primeiros dias prendaram os visitantes com boas escolhas comerciais e tempo para ver/fazer tudo com calma…

 

 

Porque o Sábado chegou e calma foi tudo o que não existiu!

Olá filas, olá milhares e milhares de seres humanos todos reunidos neste pequeno cantinho do tão belo Norte do país! Quase que senti saudades dos empurrões para conseguir caminhar entre os expositores, das horas de espera para almoçar, do percurso peregrino por todas as casas de banho da Exponor à procura da “tal” (a que nos permite usufruir dela em menos de 5 minutos de espera!). Há coisas que não mudam e a azáfama do sábado da Comic Con é uma delas!

 

 

Não me interpretem mal, não encaro como negativo, de todo! É essencial um dia assim, um dia para mostrar a todos que sim, a cultura pop em Portugal está a crescer, que é um ponto de investimento com retorno e de orgulho.

Apesar dos convidados de renome e dos grandes eventos estarem aglomerados no domingo, a tradição do dia com mais visitantes manteve-se para rejubilo dos comerciantes e organizadores. Em termos de melhorias conseguimos comprovar uma melhor distribuição do público pelo espaço.

Em termos de aspetos a melhorar: a zona de alimentação conseguiu assemelhar-se a uma mistura de Spartacus com as fileiras de Dunkirk. Tudo por um hambúrguer antes das 16h!!!

 

Último dia – Convidados, Heróis do Cosplay e mais convidados!

Se houve dia que passou rápido foi o de domingo. Neste decidiram, uma vez mais, aglutinar convidados de renome com o evento de cosplay (que já acontecia no sábado nas demais edições), o que o tornou no dia mais (cansativo!), exigente e exasperante do certame!

 

 

O conteúdo desse dia foi bom, não podemos dizer que caímos no aborrecimento, muito pelo contrário. Havia qualidade e muita predisposição para agradar, sobretudo por parte dos convidados que, do pouco que consegui assistir, a simpatia e vontade de interagir com o público foi de louvar. No entanto, o último dia – para quem vai os dias todos – é de facto o mais exigente física e psicologicamente, pelo que uma mudança de pelo menos o concurso “Heróis do Cosplay” para sábado seria de valor, seja para o público seja para os participantes. Garantindo assim que, por exemplo, quem gosta de cosplay possa também assistir aos painéis dos convidados principais à vontade e não tenha que escolher entre dois amores.

 

Reportagem Comic Con Portugal 2017 – Atividades e expositores

As atividades e espaços de interação aumentaram. Além da cabeça de cartaz “Batmobile” tivemos um crescente de divertimentos para todo o tipo de pessoas e preferências. Tenho a dizer que os militares do exército me surpreenderam pela simpatia. Foram, de todos os “expositores” da área “Cinema & TV”, os que conseguiram promover interação, responder a todas as dúvidas e ainda criar memórias a todos os que lá passaram – admito, o meu preferido!

Desde os típicos locais para fotos, tatuagens e expositores temáticos, nada faltou, nem mesmo a simpatia, requisito que muitas vezes falta. Se a ideia era colocar as pessoas à vontade e nos fazer sentir bem por experienciar algo, tenho a dizer que todos fizeram por isso! Um especial bem haja aos fantásticos templários que com KILOS em cima não perderam o sorriso no rosto e colaboraram em todas as brincadeiras e pedidos mais ou menos inusitados do público!

A Área Gaming continua a surpreender-nos com a expansão de um espaço (ainda!) mais recheado e bem estruturado. Esta trouxe-nos mais entretenimento, através de uma diversa exposição de jogos, consolas, competições e novidades tecnológicas. Com mais palcos e um espaço aproveitado ao pormenor esta foi, sem dúvida, a área que mais evoluiu.

Em contrapartida, os meus ouvidos começavam um curto-circuito sempre que lá entrava e se encontrava a decorrer alguma atividade na secção de LoL. Podemos confirmar a exímia qualidade das colunas de som, capazes de obliterar todo e qualquer som da convenção… Sendo este o principal ponto a melhorar numa próxima edição nesta secção.

 

 

Cosplay – O vencedor da Comic Con

Posso ser francamente suspeita em afirmar que foi a melhor parte de toda a convenção, uma vez que foi graças a um dos membros da minha equipa (És lindo Nelson!) que a “Parada Cosplay” se desenvolveu daquela forma “animada”, e cujo sucesso fez com que a mesma se repetisse ao longo do evento.

Mas, de facto, foi o melhor. Sem mais atividades ou algo a interagir com o público que circulava por entre bancas, expositores e auditórios, foi no cosplay que as pessoas viram o que tanto procuravam: a emoção por detrás da cultura pop. Sem ondas comerciais, sem filas, sem confusões. Apenas amigos, conhecidos e desconhecidos, todos juntos, a mostrarem o que de tão bem sabem fazer: cosplay!

Foram imensos os participantes desta arte que circularam pela Exponor e que fizeram as delícias dos comuns mortais. E a todos eles, um obrigada! Tornaram esta edição tão mais especial!

 

 

Quanto ao Heróis do Cosplay, lamento o facto de ter passado para o domingo. Não achei nem o dia nem a hora nada “oportunas” e uma vez que houve uma enorme falta de informação sobre os contornos dos horários, acredito que muita gente tenha sido apanhada de surpresa.

Felizmente, tudo correu às mil maravilhas com o nosso Álvaro a fazer as delícias do público e os concorrentes a, uma vez mais, nos maravilharem com os seus skits. Acredito que estejamos cada vez mais próximos do nível do cosplay internacional e eventos como este são a prova viva disso. Venham mais eventos de valor, venham mais prémios, venham mais apostas neste sector que consegue mover centenas de pessoas dos quatro cantos do país sem receberem nada em troca.

 

 

 

Reportagem Comic Con Portugal 2017 – Pensamentos e Sugestões

Ainda a ressacar do evento (e do Natal e Ano Novo) muitos foram os pensamentos em retrospetiva de tudo o que foi vivido nesta 4ª edição.

Confesso que, tal como a maioria, detinha baixas expectativas relativamente a uma edição cuja a informação não foi muita, e tudo o que víamos e ouvíamos não vibrava em nós como as demais edições. Ainda assim, correu tudo muito melhor que o esperado! A organização conseguiu colmatar alguns dos defeitos da edição passada: a zona dos artistas ficou mesmo próxima dos Expositores e a caminho da saída, o que “obrigava” a todos os participantes a passarem por lá e verem os maravilhosos artistas (portugueses e estrangeiros) que trouxeram a sua arte até à Comic Con Portugal.

A organização dos expositores foi também ela positiva, deixando de ter painéis no centro da multidão – locais esses onde ouvir era mito e comunicar uma dura batalha.

 

 

Ainda assim, houveram alguns pontos que me chamaram à atenção e acredito que possam ser melhorados. O local de assinatura de autógrafos de Comic foi lançado para um canto na Área de Expositores. Canto esse que, além de passar despercebido, estava num local de circulação, barulho, muito pouco dado ao sentimento de partilha e carinho ali vivido entre autor e fã. Penso que se fosse alocado para outro local, que mais não seja em frente ao Auditório B (fazendo as palestras neste), teria mais sucesso e, sobretudo, transmitiria mais respeito aos fãs e autores.

Outro ponto que causou bastantes constrangimentos foi a colocação do programa/mapa apenas e somente no jornal Jankenpon. Quando entravamos recebíamos um exemplar do jornal e éramos informados que detinha toda a informação que precisávamos para circular… Viram alguém com o jornal na mão? Nem nós… Mas vi muitos no chão, na casa de banho, em todos os locais menos nas mãos das pessoas. Em contrapartida vi muita gente perdida, inclusive a vir-me perguntar se sabia onde ocorreria X ou Y evento. As críticas à “falta de programa” foram imensas e não foi bonito ver os jornais a serem destratados daquela forma. As pessoas gostam de panfletos. Gostam de algo que caiba nos bolsos e que possam abrir sempre que necessário, de rápida e intuitiva procura. Acredito que seja de valor voltar aos bons velhos panfletos de papel.

Em suma, vamos apostar na transparência e ligação. Vamos apostar no que tanto nos caracteriza: a amistosidade portuguesa. A transparência pelo gosto de lá estarmos a fazer o que tanto amamos. Depois de anos a assistir a voluntários que não sabiam sequer o que é “cosplay”, nesta edição desfrutei de momentos maravilhosos com o staff, com pessoas cuja simpatia e esforço por proporcionar as melhores experiências possíveis foram de louvar.

Sim, venham mais painéis de pessoas famosas, afinal é esse ponto que move a maioria do público, mas venha também mais de tudo, mais Comic de qualidade transmitido e publicitado pelas mais variadas entidades, venha manga e anime – além das bancas de merchandise. Venha cosplay e venham pessoas!

 

Venha mais uma Comic Con Portugal (Porto!).

 


 

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