Resident Evil Village – Análise

Antes de mais, muitos parabéns. Capcom, fãs, congratulo-vos pela chegada dos 25 anos do lançamento desta magnífica franquia de survival horror que deu os primeiros passos na velhinha PSOne. Um quarto de século separa-nos da primeira vez que Chris Redfield, Jill Valentine, Barry Burton e a restante equipa S.T.A.R.S., pôs os pés na mansão Spencer para desvendar o mistério dos assassinatos nas Montanhas Arklay, em 1998 (ano em que se passava o primeiro Resident Evil).

Desde então, muito aconteceu. É admirável o crescimento da franquia Resident Evil ao longo destes anos, não só no meio em que se iniciou (videojogos), como no alcance que a marca obteve com a expansão para várias outras médias como livros, filmes live-action e de animação, séries, peças de teatro. Infelizmente, nem todos estes lançamentos foram vistos com bons olhos pelos fãs. Apesar de serem grandes sucessos comerciais na sua maioria, o nome Resident Evil acabou por perder a sua identidade com algumas decisões questionáveis por parte da Capcom.

Se procurarem na Internet acerca do percurso da franquia vão certamente ter acesso a comentários controversos e distintos entre si, que conseguem facilmente despoletar uma discussão sobre os factos que levam a ter esse tipo de opinião. Se se juntarem a essas discussões, por favor, façam-no de forma respeitosa e amigável. O ponto de vista de uma pessoa pode diferir do de outra, e isso não significa que uma delas tem que estar certa e a outra errada.

Isto tudo para dizer que há uma questão que é unânime, apesar da resposta ser diversa:

O que faz de um Resident Evil, um bom Resident Evil?

O que será? Será a inclusão de zombies? Será o uso do clichê da empresa megalómana que pretende usar os seus esquemas para dominar o mundo à força? Será a referência à experimentação científica de vírus, fungos e parasitas que mudam a genética dos seres vivos infetados transformando-os em armas biológicas? Será o próprio recurso ao terrorismo biológico como ato malévolo para dar forma à narrativa? E se for tudo isso e muito mais?

Caros leitores, se for mencionar apenas os jogos controversos da série principal, é óbvio que tenho que trazer à tona Resident Evil 5 e Resident Evil 6. Estes são atualmente os jogos mais vendidos da série e, no entanto, os menos aclamados pelos fãs, devido ao foco dos mesmos nos elementos de ação. Resident Evil ficou conhecido como sendo um dos fundadores do género survival horror, então porquê mudar o foco e optar pelo uso de sequências bombásticas dignas de um Call of Duty ou semelhante?

Felizmente, a Capcom apercebeu-se que a partir daí se quisesse manter a franquia viva e ativa na comunidade teria que a REestruturar: voltar às raízes com um foco principal no terror. E então, em 2017 tivemos Resident Evil 7.

Resident Evil 7 trouxe-nos uma história muito mais isolada, com novas personagens, novos tipos de perigos à espreita e uma estrutura de jogabilidade inédita na franquia. Os fãs pediam mudança mas ficaram reticentes até ao momento em que realmente pegaram no jogo e o experienciaram. E aí, a Capcom atingiu o jackpot (referência a Devil May Cry). O jogo era incrível. Uma experiência que demonstrava todo o esforço e carinho da Capcom para REnovar a franquia e mantê-la viva. E o mais importante: talvez fosse o jogo mais assustador de toda a série (que a minha opinião não se alterou entretanto).

Com o sucesso, a Capcom iniciou o desenvolvimento da sequela, e é dela que iremos falar hoje. Será Resident Evill Vilage uma boa sequência direta do Resident Evill 7? E, acima de tudo, será Village um bom Resident Evil?

Quero deixar um agradecimento à Ecoplay, em nome do ptAnime, pelo acesso antecipado ao jogo.

Depois de aproximadamente 09 horas deambulando pela macabra vila deixo-vos, sem mais demoras, a minha análise sem spoilers.

 


Resident Evil Village – Análise


 

 

 

Resident Evil Village – Análise

 

Resident Evil Village
Plataformas Playstation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series S / X, Google Stadia, PC
Publicadora Capcom
Desenvolvedora Capcom
Género Ação, Survival Horror
Data de Lançamento 07 de maio de 2021

 


Resident Evil Village | Enredo e Personagens


 

Resident Evil Village passa-se quase 4 anos após os eventos na residência Baker em Dulvey, Louisiana e segue a mesma linha narrativa, com os mesmos personagens de Resident Evil 7. O jogador assume novamente o papel de Ethan Winters, o famoso herói sem rosto que, contra todas as hipóteses, saiu vivo dos acontecimentos aterrorizantes provocados pela arma biológica Eveline.

 

Resident Evil 7 | Análise Windows

 

Ethan vive agora com a esposa Mia Winters e a filha recém-nascida de ambos chamada Rosemary Winters (uma clara referência ao filme Rosemary’s Baby de Roman Polansky) num local remoto da Europa. Esta mudança foi idealizada por ninguém mais que Chris Redfield, o lendário herói que ajudou a resgatar o casal no final de Resident Evil 7, para que se mantivessem o mais afastados possível da onda de questões que o incidente na residência Baker causou, assim como para manter o casal sob vigilância tendo em conta que ambos foram infetados com o mutamiceto (o mofo que serve de base para as mutações no jogo anterior).  Para além desta proteção, durante esse tempo que passou, Chris e a sua equipa instruíram Ethan com treino militar, algo totalmente novo para ele já que era apenas um civil até então.

 

 

Apesar de alguns comportamentos estranhos de Mia ao não querer relembrar os traumas pelos quais passou, mostrando até alguma agressividade sempre que o assunto vinha ao de cima, tudo estava relativamente normal. Mas como em qualquer história de terror, a bonança dura pouco tempo. Certa noite, após Ethan colocar a sua filha no berço, Chris Redfield e um grupo de homens armados irrompe pela casa adentro e dispara uma rajada de balas sobre Mia que cai morta no chão sob o olhar perplexo do marido. Imobilizado pelos homens armados, EthanChris pegar a sua filha nos braços percebendo que esta ia ser-lhe tirada. Desesperado, Ethan pergunta porquê… e acaba por ser agredido, desmaiando de seguida, sem ter tempo de ouvir qualquer resposta do seu outrora protetor.

 

Wow, certo? O Chris é um vilão agora? Como assim? Não pode ser, certo…? Certo?

 

Bem, não é nesta review que terão resposta a essa questão. Sem spoilers, lembram-se? Mas quero deixar bem claro que este ato é um dos melhores plot twists do jogo. Eu estava com medo que fosse previsível o facto de tornarem uma das personagens principais um vilão frio e calculista DO NADA, só porque sim… Mas não. Há uma explicação e eu achei que foi boa, satisfatória. Ao contrário de outras que foram surgindo sobre factos vivenciados tanto em Resident Evil 7 como no Village. A narrativa do jogo peca em certos momentos que exigiam mais tempo para serem devidamente elaborados.

Depois do sucedido em sua casa, Ethan acorda no meio de uma estrada, com um veículo pesado tombado e alguns dos soldados que o prenderam mortos, no chão. Sem saber onde estava, completamente desorientado, Ethan caminha em direção a uma floresta. Durante uns minutos fazemos este percurso com o personagem, digerindo tudo o que tinha acabado de acontecer. Este momento fez-me lembrar um pouco o começo de Silent Hill 2, em que controlamos James Sunderland numa caminhada ao longo do Toluca Lake onde ouvimos sons bizarros e nos entranhamos mais e mais na cidade igualmente bizarra. Aqui é o mesmo sentimento, aos poucos, cada passo, aproxima Ethan da localização na qual passaremos todo o jogo. Num momento de deslumbre pelo cenário à nossa frente, avistamos uma vila coberta de neblina, com um castelo e um moinho no horizonte. Uma renovação de esperança em encontrar a filha algures naquele local leva o personagem principal a dirigir-se às habitações mais próximas. E assim, a sua jornada de terror começa.

Por mais bonito que aquele lugar pareça, monstruosidades inimagináveis escondem-se nos recantos mais improváveis da vila. Segundo alguns habitantes que Ethan encontra, esses monstros surgiram recentemente e é-lhes incompreensível como tal fenómeno seja possível tendo em conta que a região se encontra sob proteção de uma entidade (a qual veneram cegamente) a que dão o nome de Mãe Miranda. “Será que ela nos abandonou?”, repetem os aldeões que ainda estão vivos, vezes e vezes sem conta, no meio do desespero pelo qual estão a passar. Depressa percebemos que essa entidade (quase divina) é um dos perigos que eventualmente teremos que enfrentar. Sim, um dos… há mais. À semelhança de Resident Evil 7, a forma de prosseguir na narrativa passa por completar áreas do mapa dominadas por um dos vilões principais. Em Resident Evil Village temos 4 vilões, distribuídos por 4 áreas diferentes da vila. Tenho a certeza que pelo menos um é-vos familiar, tendo em conta todo o alarido que causou na Internet, graças à sua… elegância e altura.

 

 

No geral, os vilões foram extremamente bem construídos, tanto a nível de personalidades como a nível de interação com os mesmos, seja no combate ou relativamente à porção da narrativa que lhes diz respeito. Quero realçar a Lady Dimitrescu (obviamente) e o Karl Heisenberg como os vilões mais carismáticos e interessantes. Temos também a Donna Beneviento que classifico como a vilã mais assustadora (sem pensar duas vezes) apesar de termos um contacto bastante curto com ela. E, por fim, Salvatore Moreau… que é o vilão mais… Bem… desagradável…? É, é isso.

Todos eles foram concebidos como uma referência a títulos anteriores (lançados ou não) da franquia Resident Evil. Por exemplo, a Donna Beneviento, criadora de bonecas e ventríloqua, foi claramente inspirada na ideia descartada para Resident Evil 4 de ter Leon a combater bonecas possuídas (se desejam mais informações sobre o que acabei de dizer pesquisem por Resident Evil 3.5). A Lady Dimitrescu foi criada para imitar o comportamento de um Tyrant. Heisenberg faz-me lembrar o Lucas Baker (menos psicótico mas igualmente revolucionário). Quanto ao Salvatore… Bem… é um peixe mutante. Se eu mencionar novamente Resident Evil 4 devem saber de onde me parece que foi retirado. Bem, já deu para perceber que não o achei muito interessante certo? Não fui com a cara dele, suponho. Mas não se preocupem, é só uma embirração minha. O jogo é fabuloso em todas as suas secções. Toquemos nesse ponto agora: ritmo da narrativa.

 

 

A forma como prosseguimos pelos vários cenários e como vamos interagindo com as personagens que surgem no caminho é bastante fluída. Há um dinamismo que roça a perfeição no pacing da história. Todos os momentos que passamos têm os altos e baixos de emoção na medida certa e, confesso, que é capaz de ter sido o primeiro Resident Evil que joguei sem me cansar em nenhuma parte. Nunca senti a vontade de avançar nenhuma das secções de jogo, nunca me senti aborrecido. Repito: pela primeira vez num Resident Evil. Apesar de eu gostar bastante dos jogos anteriores, principalmente dos anteriores a Resident Evil 4, há algo de unânime que todos partilham. À medida que a história avança, a magia vai-se perdendo. As secções finais de cada jogo, onde normalmente obtemos grande parte das respostas às perguntas que surgem na respetiva narrativa, são sempre as mais aborrecidas. Há uma parte em Resident Evil Village , nos momentos finais do jogo, em que esse cansaço estava QUASE a tomar conta de mim. Mas esse QUASE não passou disso porque, como disse em cima, até essa parte foi na medida certa.

Até o Ethan conseguiu agarrar-me um bocadinho mais como protagonista do que no jogo anterior. Outrora com uma personalidade superficial, em Village ele é obrigado a reagir mais perante o que está a acontecer. Na verdade, a história assim o exige, já que a própria filha está envolvida.

Relativamente ao final, digamos que é ousado. Dou-lhe, sem hesitar, uma nota positiva. No entanto, não é perfeito. O facto de ser ousado exigia um pouco mais de atenção, um pouco mais de tempo para processar o que aconteceu. Não vou alongar-me muito mais, quero só dizer que sim, Resident Evil 9 será uma realidade, continuação direta (acredito) da história contada no Resident Evil Village. Há uma cena pós-créditos que estabelece o futuro da série. Resta saber como será. Entretanto, jogamos este! Porque por mais que a história seja extremamente importante, trata-se de um videojogo. Como tal, vamos analisar agora a jogabilidade.

 

 


Resident Evil Village | Jogabilidade


 

Resident Evil Village é uma sequência direta do Resident Evil 7 igualmente na questão de jogabilidade. Voltamos à câmara em primeira pessoa com o mesmo tipo de mecânicas de tiro, com a possibilidade de nos defendermos de ataques inimigos, com a recolha de itens para o jogador usar em combate ou para poder prosseguir pelos cenários. Isso mantém-se e continua muito bom. E penso que as semelhanças ficam por aí. Este jogo é um gigantesco upgrade a tudo o que o anterior tinha para oferecer.

Comecemos pelo mapa e cenários. Ao contrário do anterior que se passava em algumas áreas relativamente pequenas ligadas por várias salas para explorar, no Resident Evil Village temos uma vila inteira que serve como base central para interligar os vários cenários dominados pelos vilões. A vila é apenas uma parte do jogo possível de explorar, que se vai abrindo mais e mais à medida que vamos avançando na história. Mesmo as áreas dos vilões são construídas a pensar numa transição extensa tanto horizontal como vertical, havendo em todos os cenários secções separadas por andares para além das habituais salas. Confesso que fiquei com medo que a Capcom estivesse mais uma vez a perder o foco ao lidar com um mapa tão grande, mas não. A exploração funciona muito bem.

 

 

Não se enganem, continua a ser um jogo linear. Têm alguma liberdade para explorarem, fazerem backtracking para abrirem novas portas assim que possuírem a respetiva chave para elas (muito ao estilo dos primeiros Resident Evil.), mas a sensação que nos dá é que o mundo de jogo é tão grande que quase parece que o controlo está todo nas nossas mãos.

Para além de chaves, terão puzzles para vos abrir novos caminhos e possibilidades. É verdade, os puzzles voltaram com bastante mais força comparando com o jogo anterior. A quantidade é satisfatória, a resolução dos mesmos nem por isso. A verdade é que são demasiado simples. Nunca senti-me preso na resolução de nenhum e isso deixou-me dececionado. Esperava melhor.

 

 

Algo que eu esperaria que me dececionasse e não foi o caso (felizmente!) foi o controlo do Ethan! Esta sequela é muito mais direcionada para a ação, algo que os criadores nunca esconderam. Desde que foi anunciado, a Capcom sempre disse que se inspirou bastante no Resident Evil 4 para criar este jogo, e isso é claro em todos os aspetos. Ao contrário de Resident Evil 7, o level design, a quantidade de inimigos que temos que enfrentar ao mesmo tempo, a variedade de armas (bastante superior), tudo isso cria um dinamismo e uma velocidade nos confrontos.

Normalmente o medo é um sentimento predominante quando pouco ou nada podemos fazer para nos defendermos de determinado perigo. Se de repente tivermos um arsenal de ferramentas à disposição para combatermos esses perigos, então o fator medo é quase inexistente. Essa era a minha lógica. Mas a verdade é que, por mais que o terror seja inferior ao título anterior, ele existe em Village. Os inimigos têm uma movimentação e inteligência artificial que, juntando às suas aparições em grupos, tornam a experiência desafiante e, consequentemente, aterrorizante.

Para nos ajudar a conseguir uma melhor performance em combate, a Capcom introduziu uma mecânica estranha mas, admito, divertida. Pela vila e arredores, Ethan irá encontrar vários animais como galinhas, porcos, cabras, peixes,… e poderá caçá-los para obter a sua carne. O objetivo é cozinhar pratos que quando ingeridos aumentam os atributos do personagem permanentemente. Estes atributos consistem na vida, melhoria da capacidade de defesa, entre outros perks que estão associados a determinados pratos. Esta mecânica acrescenta um novo interesse para explorar o mapa e encontrar os vários tipos de animais comuns e raros existentes. O aumento dos atributos pode não ser necessário nas dificuldades mais básicas (Casual e Standard) mas é uma mais valia para os dois grandes desafios do jogo (Hardcore e a dificuldade que, ou desbloqueiam via DLC ou após terminarem o jogo uma vez, Village of Shadows).

Quanto ao ato de cozinhar os alimentos que recolheram, este é feito por uma das melhores personagens do jogo, o Duque. Quem é o Duque? Boa pergunta… é um ser bastante estranho e volumoso, enigmático e sonolento, sempre pronto a fazer uma soneca enquanto o estamos a observar. E também é o nosso fornecedor de armas e respetivos upgrades, munição, itens de cura, malas com mais posições para guardar os nossos pertences e o nosso melhor conselheiro e ouvinte. Mais uma ideia retirada de Resident Evil 4 e extremamente bem-vinda no Village.

 

 

Para finalizar a minha análise do gameplay, quero mencionar a fantástica inclusão do modo Mercenários. É verdade, o modo em que só nos temos que preocupar em matar o maior número de inimigos dentro do menor tempo possível com o objetivo de alcançar o maior score. A adição deste extra aumenta muito a longevidade do jogo. Há medida que jogamos e vamos obtendo melhores scores também vamos desbloqueando novas armas que nos fazem ter vontade de jogar ainda mais. Uma das armas é um lightsaber!! É incrível, super divertido, e só vou parar de o jogar quando desbloquear essa arma para a poder usar na campanha principal! Para quê gastar balas quando podemos matar com mais estilo?

Nota: spoilers no vídeo abaixo.

 


Resident Evil Village – Estética e Som


 

Resident Evill Vilage é um regalo para os olhos e ouvidos. É isso.

Mais uma vez, o motor de jogo utilizado pela Capcom para realizar esta super produção deixa qualquer um com o queixo caído. A capacidade técnica que o RE Engine oferece é estupenda e, mais surpreendente que isso, bem otimizada. Mencionando a versão de PC, não é preciso uma grande máquina para correr o jogo devidamente. Os requisitos mínimos para jogar Resident Evil Village são facilmente atingíveis. Cheguei a experimentar o jogo num portátil gaming de gama média que comprei em 2013, e claro que a muito custo, consegui jogar o jogo a cerca de 20 FPS, com todas as opções gráficas na mais baixa configuração. Eu estou a dizer isto porque é de facto incrível que tenha conseguido sequer rodar o jogo nessa máquina com 8 anos. Eu penso que é importante salientar isso porque é um ponto extremamente positivo.

Mas não se preocupem, eu não terminei o jogo nesse PC. Joguei numa PlayStation 4 Slim. Não numa consola de nova geração, não numa PlayStation 4 Pro ou Xbox One S, foi numa PS4 Slim, com o disco rígido original da consola. Mais uma vez, é importante salientar isto. Fiquei surpreendido com o facto de poder jogar neste sistema sem a mínima queda de FPS, sem notar um elevado tempo de carregamento entre áreas ou ecrãs, sem problemas de carregamento indevido de texturas, nada de negativo a apontar. Nada. O jogo é lindíssimo, com cenários fabulosos e diversos, completamente ricos em detalhes. Eu fiquei com a sensação que para qualquer ponto do cenário que apontasse a câmara, daria uma fantástica foto. Abençoada inclusão do Photo Mode. Permite que essa sensação possa ser posta em prática.

 

 

Ainda falando de performance, o jogo tem um dos menus de configuração gráfica  (no PC) mais completos que alguma vez vi. É possível escolher entre uma panóplia de opções que diferem na qualidade gráfica de forma a garantir uma performance adequada à capacidade da vossa máquina. Mais incrível é a utilização de uma área de pré-visualização sobre como as vossas configurações afetarão os gráficos do jogo. Tudo isto a partir do menu. É incrivelmente útil este sistema de configuração.

Quanto ao som, é igualmente excecional. O jogo usa muito o recurso a ambientação sonora nos vários momentos por que passamos, e há sons que nos conseguem deixar com os cabelos em pé enquanto exploramos uma masmorra (por exemplo), e há aqueles que nos deixam maravilhados como é o caso de uma cascata numa das áreas. Também há música e melodias que quando tocam  conseguem fundir-se perfeitamente com o que está a acontecer no ecrã. Não há o mínimo ponto negativo a apontar ao trabalho que a Capcom fez a nível sonoro.

 

 

Quero salientar algo inédito: pela primeira vez nos 25 anos da série, um jogo tem vozes em Português Brasil. Eu acompanho a comunidade de Resident Evil brasileira e sei que lutaram muito para que este feito fosse atingido. Um obrigado à Capcom de um português de Portugal, porque apesar de não existir a mesma opção para o meu país, fiquei deliciado com a qualidade do trabalho final da versão brasileira.

 


Resident Evil Village – Opinião Final


 

Esperei muito por este título. É a continuação canónica da história de um dos melhores jogos que tive o prazer de jogar, e apesar de não ser tão assustador, apesar de ter algumas escolhas narrativas questionáveis e mal explicadas, apesar dos vilões não serem tão bem aproveitados como gostaria que tivessem sido, apesar da sua simplicidade numa das mecânicas mais importantes de um Resident Evil (os puzzles), eu adorei cada segundo de  Resident Evil Village . Os pontos negativos que lhe atribui não são propriamente erros no desenvolvimento do jogo. É uma experiência sólida e polida. Os problemas que apontei são nitpicks de um fã de longa data da franquia. Ainda assim, respondendo à minha própria questão do início da análise: isto é Resident Evil . E um dos bons.

Joguem, vão com tudo. Este título merece sucesso e reconhecimento. Que venha o próximo!

 

 

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