Suisei no Gargantia – Análise

  • Título: Suisei no Gargantia
  • Adaptação: Original
  • Produtora: Production I.G
  • Temporada: Primavera de 2013
  • Género / Demografia: Ação, Aventura, Meca, Ficção Científica

 

Suisei no Gargantia – Análise

Não sei quando a vocês, mas eu tenho um conceito a que gosto de chamar “animes de backup“. E perguntam vocês:  o que é isso? Bem, é fácil. Os animes de backup que já deram há montes de anos, são a solução ideal para quando a malta está à espera dos novos episódios da temporada e tem aqueles furos na semana sem nada de novo para ver .

Hoje apresento-vos o meu anime de backup desta temporada: Suisei no Gargantia. Uma verdadeira pérola escondida que encontrei quando passei os olhos pelo reportório da Production I.G. Para além disso, lembrando-me que o último e único meca que vi foi o clássico Tengen Toppa Gurren Lagann, achei que estava na hora de investir mais neste género. E quem diria a surpresa que vinha aí!

Apesar de não ser a maior fã de mecas, Suisei no Gargantia chamou-me a atenção pelo facto de parecer ser muito mais do que um simples meca. Acho que toda a gente adora cenas op com malta a disparar de robôs gigantes e sim, este anime tem tudo isso, mas o que me cativou mais foi toda a atmosfera e contexto em que a história decorre.

 

Viajantes do espaço, all aboard !

A premissa da narrativa é simples. Mal aterramos no primeiro episódio, somos colocados no meio de uma luta intergaláctica com uns monstros nojentos chamados Hideauze, que aparentemente são uma ameaça tremenda para uma tal Galactic Alliance. No meio desta mess toda, conhecemos o nosso MC, Ledo, um rapaz bonitinho que aparentemente tem uns 16 anos, mas já chegou a comandante. Porém, a vida de Ledo não lhe corre pelo melhor, e ele acaba por ser afastado da batalha para o vácuo espacial, juntamente com o seu robô de inteligência artificial, Chamber.

 

Os EUA acham que os aliens andam aí no céu e meanwhile o Ledo a raptar moças do correio.

 

Se Ledo acordou da sua soneca de meses, não podia estar mais desorientado. Acabou por acordar num sítio desconhecido, rodeado de pessoas estranhas que falam uma língua que desconhece. Qual será a melhor opção de fuga? E que tal raptar a moça dos correios, Amy, como refém? Parece perfeito! Infelizmente não, não foi lá grande plano e Ledo acaba por cessar todos os seus esforços quando recebe uma informação desconcertante de Chamber. O planeta em que ele se encontra é, nada mais nada menos, do que o antigo planeta Terra. No entanto, devemos ter em conta um pequeno pormenor. Esta é uma Terra completamente submergia pelo oceano, cujos habitantes vivem na chamada Gargantia, um conjunto enorme de navios atrancados uns aos outros e que serve de casa para grande parte da humanidade.

 

Como aculturar um alien para totós

A cena em que Amy dá metade de um bacalhau frito a Ledo, para ele comer com ela é uma das melhores estratégias de diplomacia que já vi. Porque afinal, todos nos entendemos quando é para falar de comida, certo? En voilà! É assim que iniciamos o processo de aculturação de um habitante do espaço, tal e qual como no filme do E.T.

 

Ledo pensava que o carapau frito era uma carcaça de criatura marinha. Lá no espaço come-se mal.

 

Depressa entendemos que Ledo é uma espécie de máquina de matar do regime fascista / comunista intergaláctico. A vida dele resume-se a matar os tais monstrous feiosos, e ponto final. Assim, apenas mediante o contacto com as vivências e costumes curiosos dos habitantes de Gargantia, pode Ledo começar a viver verdadeiramente. No anime, esta “verdadeira” vivência é ilustrada pelas coisas triviais da vida, que sem terem utilidade objetiva, nos dão prazer ou seja, uma espécie de hobby. No caso de Ledo, é esculpir flautas… e porque não? É desta forma que Ledo entende a importância das emoções, que sendo problemáticas, são parte inerente do viver, algo que ultrapassa a mera sobrevivência e nos torna verdadeiramente humanos.

Desta forma, à medida que Ledo e Chamber ficam a par de conceitos como “família” e “dinheiro”, e experienciam fenómenos como a “chuva” pela primeira vez, nota-se que a aculturação extreme promovida por Amy, Pinion e Bellows (entre outros membros da frota), sucede em mudar a visão que Ledo tem de si mesmo e do mundo. Aliás, tal como Ledo afirma no auge do seu desenvolvimento, ele “sabia como morrer mas não sabia como viver“.

 

Estes flash backs emotivos com a musiquinha de flauta são mesmo bons para eu chorar.

 

Animação e world building demasiado bons

Suisei no Gargantia sabia o que estava a fazer quando contratou malta de qualidade para fazer uma animação 3D invejável. Já á muito tempo que eu não via uma animação 3D tão bem enquadrado nos cenários 2D. Neste aspeto destaco o design de todos os robôs, e especialmente de Chamber que é de cair o queixo de tão bom que é.

Já o world building é todo um universo de possibilidades que somehow supera até a animação, com cenários extremamente pormenorizados e muita arte conceptual que confere a Gargantia uma vida própria na sua cultura e costumes muito peculiares. Aliás, o problema deste anime reside exatamente aqui: este universo é tão rico e tão interessante, que sinto que vi apenas a ponta do iceberg de tudo o que podia ter sido explorado.

 

Os promenores da concept art deste anime são impressionantes. Alguém aumente o salário a esta gente.

 

Desenvolver um mundo tão complexo em apenas 13 episódios é a maior facada que se podia ter dado neste anime. E é um golpe que dói bastante, porque isto tinha mais do que pano para mangas para um anime bem explorado com 25 episódios, à vontade. O que salva aqui a coisa é que a equipa técnica do anime deve ter pensado o mesmo que eu, e teve a gentileza de fazer duas OVAS de 50 minutos cada, que são umas verdadeiras pérolas no modo como alargam e dão o destaque merecido a este world building fenomenal.

 

Suisei no Gargantia – Análise

Juízo Final

 

No final de tudo, Suisei no Gargantia tem apenas um defeito: o facto de ter apenas 13 episódios. Considero que este anime poderia ter ainda mais qualidade se aproveitasse ao máximo o seu potencial em termos de personagens e world building. Com uma abordagem muito curiosa a temas profundos raramente explorados nos media a que estamos expostos, Suisei no Gargantia é um meca que expande os seus horizontes para algo muito maior e significativo.

Na verdade, é dificil fazer uma análise a tudo o que este anime tem para oferecer. Sinto que se explorasse tudo o que esta série tem para dar, acabava por fazer uma tese de mestrado, e não uma análise. Afinal, Suisei no Gargantia é todo um poço de ideologias políticas e questões éticas desconcertantes que maravilham qualquer um. Este anime é, sem dúvida, a combinação perfeita para todos os admirantes de mecas que desejam matutar nas questões mais profundas da condição humana, sem abdicar de momentos divertidos light hearted que deixam aquele sentimento de que o nosso tempo valeu apena e de que, no meio de tantas batalhas espaciais frenéticas, apreendemos algo valioso sobre nós mesmos.

 

 

Artigos Relacionados

Kaguya-sama – 3ª Temporada revela Estreia e Teaser

Blue Period Episódios 2 e 3 – Opinião

Mob Psycho 100 – Anime recebe 3ª Temporada