Vlad Love – Primeiras Impressões

Título: Vlad Love
Adaptação: Original
Estúdios: Production I.G, Drive
Temporada: Inverno 2021
Género/Demografia: ONA, Comédia, Fantasia

 

Vlad Love – Primeiras Impressões

Mamoru Oshii tem um séquito de admiradores cujas pupilas dilatam sempre que alguém menciona Koukaku Kidoutai, mais conhecido como Ghost in The Shell, um clássico do cinema cyberpunk. Tem o estatuto de realizador de culto: além do filme de 1995, esteve ao leme de produções como Tenshi no Tamago, uma obra que para muitos é desafiante, ou Jin-Rou, um drama complexo com fundo político; nos entrementes, participou na criação de Blood: The Last Vampire, um filme de vampiros tão adorado como desprezado.

Mas sabiam que Oshii também realizou grande parte de Urusei Yatsura (emitido em Portugal com o título Lum), adaptado do manga homónimo de Rumiko Takahashi (autora de InuYasha, Ranma ½), uma comédia romântica ecchi com toque de ficção científica, repleta de rapazes com dificuldade em controlar a curiosidade sexual e bonitas raparigas que os têm de aturar, além de uma protagonista alienígena tão devota ao seu amado que não percebe que ele nem se interessa muito por ela?

É por este caminho da comédia, com toques sobrenaturais, que segue a nova série original Vlad Love, criada e realizada por Mamoru Oshii. O primeiro episódio está disponível no canal oficial dedicado a este anime no Youtube; os onze episódios restantes estreiam online no dia 14 de Fevereiro na Amazon Prime Video japonesa e noutras plataformas digitais (e pouco depois no resto do mundo).

 

 

Sede de sangue

Vlad Love apresenta uma história simples e deliciosamente disparatada. Mitsugu Banba é uma aluna do ensino secundário com uma paixão embaraçosa e incomum: doar sangue, apesar de uma alteração genética tornar o seu tipo uma escolha pouco adequada para doações. Num dia em que está a decorrer uma recolha de sangue à entrada da escola, Mitsugu presta-se à generosidade, mas as enfermeiras afastam a hipótese de dádiva de alguém que, de tanto doar, pode por a vida em risco.

Eis que surge no local uma jovem estrangeira de traços patrícios, pálida e esfomeada. Furiosa por não receber o alimento que procura, destrói os equipamentos e acaba por desfalecer… Mitsugu acolhe-a em casa e descobre que está perante uma vampira da Transilvânia que precisa de sangue para sobreviver, mas não quer morder pescoços e transformar pessoas em vampiros!

Como vai Mitsugu obter sangue para alimentar a hóspede comilona quando só pode doar de vez em quando?

 

 

“Vamos fazer um anime que possa servir de cura potente”

Segundo Mamoru Oshii, tudo começou com a ideia de produzir algo “que demonstrasse o que acontece quando se chateia um velhote”. Em conjunto com Junji Nishimura, colaborador de longa data, Oshii soltou as rédeas da criatividade, divertindo-se e optando por ignorar as tendências narrativas e estilísticas do tipo de anime que acredita que se faz atualmente, que caracteriza como “organizado e bonito, insonso, inofensivo; não é nem um veneno nem um medicamento”. O objetivo era criar uma história centrada no relacionamento entre duas jovens, sendo uma delas um piscar de olho à Lum de Urusei Yatsura.

Pelo primeiro episódio, pode-se perceber que esta série teve direito a uma produção cuidada na qual reinou, porém, uma sensação de diversão. Por um lado temos, a nível visual, cores quentes e expressivas, diferentes perspetivas unidas numa mesma sequência como se fizessem parte de uma colagem, cenários de fundo que recordam esboços e aguarelas; já a narrativa linear destaca-se, por enquanto, pela componente cómica presente em trocadilhos (ver o título, que lido em japonês e devagarinho soa a Blood Love), no humor físico e atrevido ou nos detalhes narrativos que, por improváveis ou descabidos, podem provocar o riso.

 

 

Vlad Love – Primeiras Impressões | Posso servir-me?

Sim, pode servir-se!

Embora ainda seja cedo para tecer um juízo, quanto mais determinar o rumo que tudo vai tomar, acho que quem estiver à procura de uma história ligeira, mesmo com disparates e desafios à lógica à mistura (enfermeira-chefe a fumar no local de trabalho com demasiada pele à mostra: confere!), pode experimentar ver o primeiro episódio e gostar. Os fãs de humor slapstick vão de certeza achar piada ao anime.

Com base num episódio e várias previews, sinto que a série tem potencial para emocionar, além de entreter. O ecchi é comedido e as personagens têm perfil para fazer algo mais do que loucuras. Pela aura de shoujo-ai que paira sobre Vlad Love, é possível que tenhamos acesso a momentos ternos entre Mitsugu e a vampira Mai.

 

 

Fontes: Anime News Network #1 | #2 | #3

 

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