Wotaku ni Koi wa Muzukashii – Análise

Título: Wotaku ni Koi wa Muzukashii | It’s Difficult to Love an Otaku | WotaKoi | Love is Hard for Otaku
Adaptação: Web Manga
Estúdio: A-1 Pictures
Demografia | Género: Shoujo | Romance, Vida Escolar
Primeiras Impressões: Disponível

 

Wotaku ni Koi wa Muzukashii – Análise | Opening

“Fiction (フィクション)” by Sumika

 

Não consigo descrever-vos a infelicidade com que me encontro neste momento. Aquela sensação de abandono e desespero de “como vou viver sem Wotakoi??“. Ok, tenho o manga, mas os lançamentos são tão lentos… e não é a mesma coisa!

Este anime foi incrível! No que diz respeito a comédias românticas, a fasquia está num patamar difícil de alcançar, e duvido que algum outro me possa provocar o mesmo efeito que este. Além de ter sido o melhor anime da temporada de primavera, na minha opinião, foi das comédias românticas mais bem construídas que tive o prazer de ver, com apenas 12 episódios.

 

 

Wotaku ni Koi wa Muzukashii – Análise | A essência Otaku

Wotakoi, como a sua própria tradução em inglês assim o induz – Love is Hard for Otaku – retrata as dificuldades e particularidades da vida de Otakus. À primeira vista poderão pensar que se trata de uma paródia, com uma visão extremista e estereotipada de um “otaku”, contudo está muito longe dessa descrição tão explorada em anime.

 

 

Vivemos numa sociedade que, tal como a japonesa, ter-se o hobby de ver anime, jogar jogos, ler manga e fazer cosplay é encarado com estranheza e, inclusive, discriminação.

Quando se é jovem, antes de entrar na “idade adulta”, tudo é desculpado com o ser-se novo. No entanto, à medida que crescemos a pressão da família e da sociedade para deixarmos estes hobbies é enorme. Nem por momentos pensam que estes “meros” hobbies fazem parte do que nós somos, com implicações imediatas na nossa vida.

 

 

Wotakoi retrata o quão difícil é a vida amorosa de alguém fanático por anime, manga, jogos e cosplay. Cada personagem possui um hobby maioral, como qualquer um de nós, contudo não existe personagens caricaturadas! A maioria dos fãs de cultura geek possuem mais que uma “paixão” e aqui também isso é abordado. Isto para dizer que as personagens são o mais orgânicas que podem ser dentro do género comédia.

 

 

Romance

Apesar de se tratar de uma comédia, é no romance que Wotakoi nos conquista o coração. A história gira em torno de dois casais, com personalidades muito diferentes. Durante a série seguimos de perto a formação e crescimento do casal protagonista, composto pelo Nifuji e pela Momose.

 

 

Não se trata de um amor à primeira vista, e muito menos algo instantâneo – pelo menos do ponto de vista de emoções. Trata-se de um romance peculiar, sim, mas adulto e consciente. Claro que há pormenores que nos fazem censurar um pouco a Momose, uma vez que as suas intenções no início não são, de longe, politicamente corretas, todavia, acho que é um dos motivos que torna este romance tão bom. Não se trata de um típico shoujo ou de um romance da Disney, são dois adultos, que o destino voltou a juntar no mesmo espaço e cuja a conveniência os une.

 

Wotaku ni Koi wa Muzukashii – Como rir com qualidade!

 

Se seguem a nossa página de Facebook ou Instagram devem ter visto algumas das montagens que fiz. O que me ri a criá-las! O humor é on point, não há exageros que nos façam torcer o nariz enquanto otakus, uma vez que os momentos mais satíricos são implementados no enredo de forma natural. Claro está que tal não seria possível sem a consistência e a excelente narrativa da obra original.

As personagens foram introduzidas com recurso a situações cómicas, com um contexto que, dado o universo Otaku, faz sentido. Como tal, para quem é otaku, rejubilamos cada vez que nos identificamos com alguma das temáticas e discussões dos 4 amigos.

 

 

 

O defeito de Wotakoi…

Pessoalmente só lamento uma situação: ter terminado! Esta história tem tanto para dar!

Claro que, pelo final, apercebemos-nos que foi tudo deixado em aberto. Ou seja, simplesmente pararam de produzir, não forçaram um “happy ending” nem nada do género porque… não o há!

Wotakoi é, por excelência, um Happy Ending!

 

 

Infelizmente, para quem não acompanha a manga, o término do anime deve levar a uma sensação de tristeza e desalento superior uma vez que a dois episódios do fim adicionaram mais uma personagem. Para quem acompanha o manga como eu, estranhou não ter sido inserida mais cedo, uma vez que alguns dos episódios anteriores foram depois da sua inserção, se não estou em erro. Ainda assim, e dada a situação belíssima que foi criada por ela, foi de difícil digestão confirmar o final da série logo após termos um cheirinho da relação número 3.

 

 

Wotaku ni Koi wa Muzukashii – Ambiente

Outra coisa de difícil digestão foram algumas derrapagens na qualidade da animação do anime. Houve uns deslizes na animação com cenas com pouco movimento, ou simplesmente designs com pouca definição. Claro que estou a ser picuinhas, numa visão geral foi tudo bastante positivo e adequado, mas houve pontos que podiam ter sido melhores.

 

 

Sobretudo quando temos um opening on point, onde até tiveram o cuidado de adicionar Naoya e, posteriormente, Kou. Onde a comédia é acompanhada por efeitos visuais e sonoros, que intensificam, na medida certa, o que a série quer transmitir em cada cena. Para não falar de toda a coloração berrante e identificativa, que nos permite uma rápida associação a cada personagem e seu estado de espírito.

 

 

Quanto à banda sonora passou-me completamente despercebida, salvo ending e opening.

 

Wotaku ni Koi wa Muzukashii – Análise | Juízo Final

Wotakoi é uma série criada para um público-alvo bastante específico: os Otakus! Precisas de ser um geek por anime, manga, jogos e cosplay até às entranhas para o saborear no seu máximo esplendor!

Ok, talvez seja um exagero, mas são tantas as referências a jogos, animes, cultura manga, e mesmo particularidades relacionadas com convenções e géneros/demografias como Yaoi, Yuri, Shoujo, Shounen, entre outros. Pelo que, sim, se quiseres usufruir a 100% de tudo o que esta série tem para oferecer, convém seres do “meio”.

 

 

Na minha opinião é uma série ideal para assistir após uma semana de trabalho. Relaxa e não exige muito do espectador em termos de atenção e memória. Para ajudar, o ritmo narrativo é fluido, cada episódio é construído através de situações cómicas, similar ao conceito de 4-Koma. 

Como devem ter reparado há muitas semelhanças com  Net-juu no Susumeno entanto, aqui a linha que separa videojogo de vida real é demarcada, pelo que a componente videojogo é apenas “mais um elemento” dentro da franquia.

 

 

Do ponto de vista de caracterização e ambiente, It’s Difficult to Love an Otaku é bastante descritivo e existe um primor para não exagerar nos elementos mais “satíricos” da vida de otaku. Contudo, em termos de estilo de vida de assalariado japonês, Wotakoi não é tão duro quanto Net-juu no Susumehá um embelezamento da vida dura dos trabalhadores japoneses, apesar de não esconderem o facto de trabalharem extra-horas, e a pressão pela eficiência.

Em suma, trata-se de uma comédia romântica purista! Uma espécie de Big Bang Theory mas sem uma Penny e onde todos namoram desde início, ou quase todos! É uma história de pequenos passos e descobertas que acredito que agrade a todos os fãs de romance.

 

 

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