Ao Haru Ride | Análise

por Renato Sousa
Ao Haru Ride | Primeiras Impressões

Ao Haru Ride foi uma das grandes apostas da Production I.G. no verão passado. Na altura, as primeiras impressões foram bastante agradáveis, o que nem sempre é suficiente. Hoje é o dia do tira-teimas. Visualizada toda a obra, chegou a altura de se perceber se a série conseguiu dar sequência ao bom arranque que teve, ou se por outro lado caiu em desgraça.

 

Ao Haru Ride | Sinopse

Em poucas palavras, e num estilo ligeiramente diferente daquele em que a obra foi apresentada nas primeiras impressões, Ao Haru Ride acompanha o dia a dia de cinco jovens estudantes, com particular destaque para Futaba Yoshioka e Kou Mabushi. Quando ainda eram pré-adolescentes, estes dois só tinham olhos um para o outro. Por força das vicissitudes da vida estiveram longe um do outro durante algum tempo, tendo o ensino encarregado-se de os reunir mais uma vez. Agora, ambos estão mais crescidos, mais maduros e com os seus traços de personalidade mais afinados. Num reencontro que vai trazer ao presente muitas memórias passadas, será ainda da vontade de ambos entregarem-se um ao outro? Ou desta vez a história será escrita de maneira diferente?

 

Anime Ao Haru Ride | Toho Animation

Kou Mabushi & Futaba Yoshioka

 

Ao Haru Ride | Enredo

Sinopses como a de Ao Haru Ride não faltam por aí e os desfechos normalmente são os mais previsíveis. Pois bem, também não será nestes aspetos que a obra irá ganhar ou perder pontos nesta avaliação, longe disso! De facto, o mais importante a avaliar, melhor dizendo, a apreciar, será mesmo a maneira como tudo se desenrola. Costuma-se dizer que no meio é que está a virtude, esta série é uma prova viva disso mesmo.

Assim sendo, veja-se o crescimento das personagens, episódio após episódio. As nossas vidas são influenciadas por tudo aquilo que acontece no seu decorrer, sendo que há momentos que nos marcam mais do que outros. Ora se em causa está uma produção que segue ao detalhe vidas de seres humanos, focar este ponto é algo imprescindível. A série não desilude! As mudanças de atitude após constatação do erro, as tragédias vividas, as marcas do passado e os atos inesperados, tudo isto faz parte do núcleo de Ao Haru Ride. Tudo isto lhe confere valor emocional, como aliás é pretendido.

Sem largar ainda a abordagem às personagens, e trazendo de volta ao assunto Futaba e Kou, só é pena que não seja revelado tanto de Kou como de Yoshioka. Muitas vezes o espectador consegue seguir a linha de pensamento da rapariga, o que já não é tão frequente no jovem. Mas isto tem uma bela de uma justificação. Mabushi é alguém muito mais fechado do que Futaba, é aquele que confere algum mistério à obra, logo nunca seria possível abordar os dois de forma equitativa. Por seu lado, a rapariga é extremamente determinada, incapaz de baixar os braços pelo que quer que seja. A sua persistência é mesmo algo fora do comum. Estas particularidades de ambas as partes conferem um brilho especial à obra, e não impedem de todo o espectador de reconhecer algumas caraterísticas típicas nas personalidades dos dois sexos. Além do mais, este choque de estilos resulta em alguns instantes bastante cómicos.

Voltando ao quinteto relevante da série, a pureza e a sinceridade presentes no seio deste grupo podem resultar num contraste de sensações. A maneira como a história está construída justifica um conceito de verdade e transparência tão puro quanto o apresentado. Todavia, este é também um fator de risco por ser algo extremamente raro num grupo já bem considerável. Em causa está a aproximação à realidade sob risco de alguns visualizadores perderem o interesse na obra.

A fechar este tópico, de salientar dois pontos que fortalecem verdadeiramente o enredo e a criação em análise:

  • A forte interligação entre personagens (não confundir com o seu crescimento), conseguida atrás do foco exclusivo nos cinco amigos durante toda a obra, particularmente entre Mabushi e Futaba nos momentos mais solenes. Consequência disto? Não existem pontas soltas, apenas enigmas por descortinar.
  • A lentidão com que decorrem os momentos mais importantes da história, aspeto que confere grande intensidade às partes mais emocionantes e dramáticas de Ao Haru Ride.

 

Anime Ao Haru Ride | Verão 2014

 

Ao Haru Ride | Ambiente

Relativamente ao desenho, de dizer que se encontra perfeitamente adequado ao estilo de obra em questão. Um traço muito simples e leve, carregado apenas nos pormenores mais relevantes. Não há qualquer tipo de exagero nos atributos físicos das personagens, nem aqueles olhos protuberantes bem caraterísticos das séries de anime. Os planos de fundo e os protagonistas que os acompanham foram elaborados bem ao estilo ocidental.

Sobre a banda sonora, de dizer que é um dos pontos mais interessantes da produção. As melodias suaves e profundas conferem um outro tipo de emoção às cenas retratadas. Se inicialmente elas vão surgindo de forma muito tímida, mais para o final não há música que escape aos ouvidos do espectador. Uma consequência resultante do talento das faixas reproduzidas e da importância que os seus responsáveis lhes conferiram do meio da trama até ao seu final.

opening e o ending são muito semelhantes. Com músicas muito acolhedoras e amigáveis, a abertura dedica grande parte da sua atenção a Mabushi e Futaba, enquanto o encerramento prefere valorizar o quinteto mais importante desta criação.

 

Anime Ao Haru Ride | Production IG

 

Ao Haru Ride | Juízo Final

Como disse numa primeira fase a esta análise, Ao Haru Ride não se destaca pelo seu arranque ou desfecho imprevisíveis. O que há a realçar nesta adaptação à manga de Io Sakisaka são os acontecimentos cativantes, suscitados por personagens concebidas de forma tão peculiar. Este é o ponto-chave deste Slice of Life que inevitavelmente constitui romance e exibe alguma comédia. Para uma história deste calibre há um ambiente de fundo perfeitamente preparado para as suas exigências e uma banda sonora que a ultrapassa em qualidade de forma despercebida.

A adaptação está longe de terminar, pelo que se espera uma sequela nos próximos tempos. Não há muito a reparar por parte da Production I.G. Quanto muito poderá tentar fazer da segunda temporada um brilharete, dependendo também dos conteúdos criados pela mangaká. A ver vamos.

Pessoalmente recomendo a obra, pois é garantia de um tempo bem passado e capaz de nos ensinar algumas coisas sobre o ser humano, sobre a vida e sobre o modo como este se relaciona com os seus semelhantes.

 

Ao Haru Ride | Trailer

 

 

 

2 comentários


Também deverás gostar de

2 comentários

KALIEL DSANTOS 24 Outubro, 2018 - 17:35

Terminei o mangá ontem e gostei bastante do conteúdo. Gostaria muito que houvesse uma continuação no anime.

Responder
Renato Sousa 24 Outubro, 2018 - 21:15

Olá Kaliel 🙂
Já somos dois, também aguardo por isso, mas não está fácil 🙁

Responder

Deixar um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.