Boogiepop and Others Light Novel – Análise

por António Costa
Boogiepop and Others Light Novel - Análise

Hoje enfrentamos uma coisa ligeiramente diferente do habitual. Uma tal de light novel. Se não sabem o que são, as light novels são livros japoneses, geralmente curtos, que constituem a base de quase toda a anime moderna. Sword Art Online, Log Horizon, Spice and Wolf, Monogatari, etc, são todas baseadas em séries de light novels. Mas a pergunta é: Onde é que a light novel moderna originou? Bem, começa com um homem chamado Kouhei Kadono e com um livrinho chamado Boogiepop and Others.

 

Boogiepop and Others Light Novel – Análise

 

Lançado em 1998, o Boogiepop and Others é considerado o originador da light novel moderna. Hoje em dia isso já é um bocado mais complicado de dizer, porque o Sword Art Online é mais associado à ideia que temos hoje das light novels (protagonista nerdy transportado para um mundo de fantasia muito semelhante a RPG’s clássicos, é o herói supremo com mais poder que todos os outros e tem uma fila de raparigas de todos os tamanhos, formas, idades e fetiches prontas a saltarem-lhe para cima a qualquer momento) mas pré-SAO a influência do Boogiepop era notável. Bakemonogatari, Durarara, Baccano, Kara no Kyoukai, etc. foram todas buscar um pouco ao Boogiepop. Especificamente, a ideia de elementos sobrenaturais a interagirem com a sociedade japonesa moderna e um foco em personagens adolescentes (é verdade que o Baccano se desvia disto mas ainda assim tem fortes elementos sobrenaturais). Mas, com isto tudo, afinal de contas qual é a história do Boogiepop and Others? Bem… Isso é mais difícil de explicar.

Em teoria, a história da Boogiepop and Others é sobre uma rapariga chamada Touka Miyashita que quando “o mundo está em perigo” desenvolve outra personalidade chamada Boogiepop que se veste de roxo e salva o mundo.

 

Boogiepop and Others Light Novel - Análise

Boogiepop

 

No primeiro livro em particular, o Boogiepop luta contra um monstro chamado Manticore que planeia dominar o mundo sugando a energia a raparigas de liceu e transformando-as nos seus zombies pessoais/comida.

Agora, peguem em tudo o que eu expliquei… e esqueçam. Apesar de, tecnicamente falando, o livro ser sobre isto na realidade as coisas não são bem assim. Cada capítulo é narrado por uma personagem diferente, a maior parte das quais nem estão envolvidas na ação. Por exemplo, o primeiro capítulo é narrado pelo namorado da Touka, Keiji Takeda, que encontra o Boogiepop a “procurar o mal” no telhado da escola todos os dias depois das aulas, durante um mês. Quando esse mês acaba, o Boogiepop diz-lhe “Já derrotei o mal que havia para derrotar” e desaparece. Por isso o livro chega à sua conclusão no primeiro capítulo. Se ainda estiverem confusos, imaginem o Harry Potter contado da perspetiva de um amigo muggle do Harry.

É uma forma interessante de contar a história, porque podemos ter um olhar sobre como os eventos estão a afetar o mundo normal. Já vimos muitas histórias onde alguém é arrastado para um mundo desconhecido que está escondido atrás do nosso (o anteriormente mencionado Harry Potter) mas raramente vemos como é viver numa sociedade onde coisas inexplicáveis acontecem com regularidade, e uma atmosfera negra e estranha cobre tudo. Não sei como é que o Kadono fez mas há um ambiente de mistério e medo pelo livro todo. Como se uma personagem se aproximar demais de um beco escuro ou se abrir aquela porta ou se der mais um passo… O livro inteiro tem esse clima de suspense.

As personagens também são curiosas porque, no geral, são normais. Como eu disse, a maior parte dos narradores são pessoas sem relação direta com a história. Gente perfeitamente normal que só vê as margens do que se passa. Apesar disto trazer uma forma interessante de olhar para os eventos, também quer dizer que as personagens não são muito apelativas. Não sei bem o que é, mas a maior parte dos envolvidos eram um bocadinho genéricos demais para eu me agarrar muito. Talvez com os outros livros eles se tornem mais interessantes (se é que aparecem novamente) mas, por agora, poucas personagens me interessaram muito. Os mencionáveis incluem:

– Um rapaz (cujo nome não direi porque era spoiler) que se apaixona pela Manticore.

– Uma rapariga chamada Nagi Kirima, também conhecida como The Fire Witch, que é uma badass total e que ajuda o Boogiepop a investigar o que se passa na cidade.

E acho que acabam aí. Há outros personagens importantes, incluindo um alien chamado Echoes, que tem uma conexão misteriosa com a Manticore, mas nem ele é especialmente interessante.

Eu queria dizer mais mas, como é uma light novel, é bastante curto por isso não posso falar muito mais sem contar a história toda do livro.

Este livro já está fora de impressão há algum tempo mas foi recentemente colocado em forma de ebook, por isso essa é a forma mais fácil de o arranjar. A Seven Seas Entertainment, que traduziu e publicou o livro, também publicou o livro 2 e 3 (Boogiepop Vs The Imaginator Part 1 e Part 2) e o livro 6 (Boogiepop at Dawn) que era uma prequela. Neste momento, só estão disponíveis os primeiros 3 livros em ebook mas a Seven Seas já anunciou que vai traduzir os livros 4 e 5 (Boogiepop In The Mirror e Boogiepop Overdrive) e lançará cópias físicas dos livros 1 a 6.

Também é possível que estejam familiarizados com a anime Boogiepop Phantom, que não é uma adaptação mas sim uma história original que se passa entre o primeiro e o segundo livro. É meu entender, pelos que viram, que a série tem um ambiente muito diferente dos livros e não é essencial para ler os livros.

No geral, eu recomendo o Boogiepop and Others. A atmosfera é boa, a história é contada de forma muito interessante e a estrutura da história é interessante mesmo que as personagens nem sempre sejam super fascinantes. Eu recomendaria especialmente este livro a gente mais nova (para aí 15 ou 16 anos) porque tanto a estrutura como o tipo de história como as personagens são mais apelativos a adolescentes do que a alguém que já viu algumas destas coisas várias vezes.

 

 


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