Digimon Adventure 2020 – Primeiras Impressões

por Raquel Cupertino
Digimon Adventure 2020 - Primeiras Impressões

No ano em que a franquia Digimon celebra 20 anos desde o seu último episódio, estreia um reboot de Digimon Adventure, uma das mais icónicas animações que marcaram a geração de 90, em Portugal e no mundo.

Admito que fiquei muito confusa quando li sobre o seu anúncio. No início achei que seria um remake com animação mais atual, ou um reboot de alguns pontos narrativos que seriam melhorados, digamos que um “remake aprimorado”. Mas estava enganada.

Não só é um verdadeiro reboot, uma nova versão de Digimon Adventure, como uma re-interpretação adaptada aos dias de hoje.

E que diferença…

 

 

Digimon Adventure 2020 – Primeiras Impressões

Sei que será difícil para mim avaliar este reboot de forma pragmática e sem qualquer ligação emocional. Estamos a falar do meu anime preferido de infância e um dos que mais me marcou. Inclusive, revi há pouco Digimon Adventure pelo que tenho a narrativa relativamente presente na memória, todavia se há coisa que este reboot é perentório é nas diferenças no universo.

Nestas primeiras impressões falarei apenas do que vi no primeiro episódio da nova série. Há muita coisa incógnita e que, claramente, só saberemos ao longo da série, tentarei por isso explicar as principais diferenças e localizar os fãs e/ou curiosos nesta nova abordagem à franquia.

 

 

Digimon Adventure 2020 – As diferenças na história

Aparentemente, em Digimon Adventure: o universo digital trata-se de uma extensão da web que evoluiu ao ponto de começarem a surgir habitantes nele. Ao contrário do original não existe um mundo digital com aparência de “mundo real”. Este mundo é semelhante aos locais de batalha de Digimon Adventure Tri, uma realidade dentro da web onde os monstros digitais, os Digimons, podem surgir e combater à vontade.

Não sei até que ponto poderá existir um mundo mais “humano”, mas à partida podemos contar que a série seja desenvolvida num ambiente com uma linha bem demarcada entre mundo real e mundo digital.

 

 

Um início diferente…

Outro ponto bastante diferente é o início da narrativa. Taichi prepara-se para ir para o campo de férias (uma alusão nostálgica ao início da série de 99) até que é interrompido por Koushirou Izumi (o Izzy na versão pt-pt), o vizinho do andar de cima, que ficou no mesmo grupo dele do campo de férias. A reunião das duas crianças foi interrompida pelo pivô de um canal televisivo que narrava uma notícia de última hora: uma crise digital assola Tóquio.

Neste primeiro episódio, Koushirou e Taishi lutam contra o tempo para salvar a mãe e irmã de Taichi que estão num comboio descontrolado por culpa desta “anomalia digital”.

 

 

O poder dos símbolos

Aqui, o Digivice aparece após a manifestação emocional (e visual) do símbolo. Esta característica foi o que mais gostei nesta nova versão, o primeiro episódio (e mesmo um pouco do opening) leva-me a crer que a direção da série irá usar o poder do simbolismo como força motora da série.

Segundo a obra original, cada “emblema” simboliza uma característica proponderante na criança escolhida. Esta particularidade poderia ser um problema caso não fosse bem trabalhada, mas descansem! Se o resto da série for como este episódio na apresentação do “símbolo” e sua respetiva criança será muito fácil percebermos quem simboliza o quê.

 

 

As crianças escolhidas

Dado que não tivemos grande vislumbre das restantes crianças escolhidas não consigo ter percepção em como estas vão surgir na nova saga. Porque sim, a franquia começa apenas com o Taichi no mundo digital e o Koushirou em sidekick, apenas vemos de relance as restantes crianças e nenhuma delas com o seu parceiro digital.

Ou seja, não sei mesmo qual a linha que vão seguir… mas tenho um receio, um receio que começou no opening.

 

 

Juro-vos que já devo ter revisto umas 10 vezes o opening. A primeira vez que vi pensei: “oh que estranho, este opening focou-se no Taichi, devem fazer um para cada criança escolhida!”.

Após o episódio fiquei com a sensação de que não, aquele será o opening oficial: Taichi o protagonista oficial de Digimon Adventure 2020 e o resto tudo personagens secundárias.

Acredito que quem não acompanhou o primeiro Digimon Adventure tenha adorado o opening – até eu o adorei na primeira vez que o vi! Ele está bem feito e dá mesmo vontade de ver um assim para cada criança, todavia, habituada a sentir um protagonismo mais dividido (ok que o Taichi sempre foi o líder do grupo) ver um maior destaque do mesmo no opening e depois um ending dedicado ao Yamato (Matt, na versão pt-pt) deu-me uma comichão…

 

Uma animação de babar!

A animação é tudo o que poderia desejar de uma nova versão desta icónica série. Mantiveram o character design e o traço ficou muito bonito! Tudo tão fluido, suave, tão “Digimon”!

 

Digimon Adventure 2020 - Primeiras Impressões

 

Há umas subtis mudanças de design mas não achei que fosse algo de negativo, muito pelo contrário, achei tudo aprimorado. Independentemente da franquia em causa é um anime com uma ótima animação, uma seleção de cores muito inteligente e um traço muito bonito. Se continuarem com esta qualidade, sobretudo nas batalhas e evolução, será qualquer coisa de incrível de assistir!

Quanto há banda sonora, infelizmente não temos a Brave Heart, mas a seleção de músicas épicas está interessante… Não é tão mermorável quanto a antecessora mas pode ser que sejamos surpreendidos no futuro 😉

 

Digimon Adventure 2020 - Primeiras Impressões

 

Digimon Adventure 2020 – Pontencial

Em suma, é caso para dizer que é esperar para ver!

Tenho expectativas bem comedidas em relação a esta série sobretudo porque a escrita não me convenceu em algumas partes. Achei-a um pouco pobre e muito acelarada, por exemplo: num instante Taichi encontra o Agumon e, sem qualquer surpresa, no segundo a seguir, já o está a ajudar. Achei que havia “tempo” para brincar um pouco com o seu encontro, sobretudo tendo em conta que o dedicaram na batalha contra o vírus.

Algo inevitável e que acontecerá com uma boa parte dos fãs será o comparar com a primeira versão! Ainda assim não quero que a comparação com o passado prejudique a minha experiência nesta obra. E espero que convosco se passe o mesmo: vamos usufruir desta “prenda”. Agarrar com nostalgia na dose certa e abraçar o que aí vem, que, sim, será muito diferente do 01.

 

 

3 comentários


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3 comentários

Carlos Júnior 9 Abril, 2020 - 19:44

Concordo em tudo nessa análise, senti o ritmo acelerado demais e acho que faltou um curto espaço pra desenvolver um pouco da relação Tai e Koromon. Mas não quero estragar minha experiência fazendo comparações com o original.

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Raquel Cupertino 9 Abril, 2020 - 22:30

Acredito que poderiam fazer as coisas de outra forma, tiveram tempo para isso! bastava assim mais um diálogo prolongado, um extensão daquele momento em que se apresentam…
Mas sim, vamos tentar não comparar e ver esta nova versão de mente aberta!
Obrigada pelo comentário =)

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Carlos Júnior 10 Abril, 2020 - 15:53

Essa ideia do digimundo eu curto, mas acredito que o anime ainda vai chegar num ponto onde ele vai ser mais parecido com o mundo real. A opening tá bem legal, apesar de não ser ainda tão marcante quanto ao original, mas eu queria ser surpreendido em algum momento nessa nova versão ao tocar Brave Heart, fico imaginando o tamanho da emoção que eu ia sentir, vou torcer por isso. Parabéns pela análise, e agradeço a resposta ao meu comentário.

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