Digimon Adventure Tri Saikai | Análise

por Raquel Cupertino
Digimon Adventure tri Saikai
Digimon Adventure Tri Saikai trata-se da primeira parte da sequela da franquia Digimon Adventure. Este filme tem o nome de “Saikai” (Reunion), é o primeiro capítulo dos seis que serão lançados desta sequela, e possui 80 minutos de duração divididos em quatro episódios, disponíveis na Crunchyroll.   Digimon Adventure Tri…

Digimon Adventure Tri Saikai

Enredo - 7
Personagens - 7.5
Produção Visual - 7.5
Banda Sonora - 8.5

7.6

Bom

Pontos Fracos: Alguns aspetos da animação. Narrativa um pouco vaga.

Pontos Fortes: Praticamente tudo. Destaque na banda sonora e personagens.

Avaliação dos Leitores do ptAnime: 4.53 ( 6 votos)
8

Digimon Adventure Tri Saikai trata-se da primeira parte da sequela da franquia Digimon Adventure. Este filme tem o nome de “Saikai” (Reunion), é o primeiro capítulo dos seis que serão lançados desta sequela, e possui 80 minutos de duração divididos em quatro episódios, disponíveis na Crunchyroll.

 

Digimon Adventure Tri Saikai | Opening:

Kouji Wada – “Butter-Fly”

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Digimon Adventure Tri Saikai | Enredo

A história remonta-nos aos acontecimentos 6 anos após o fatídico verão em que os nossos 8 heróis conheceram o Mundo Digital, e 3 anos desde a espetacular batalha entre o grupo de Hikari Yagami e Takeru Takaishi, e o malvado BelialVamdemon.

A dose de nostalgia é instantaneamente injetada nos primeiros minutos de Digimon Adventure Tri Saikai. Assim que contemplamos o nosso protagonista Taichi a tomar as mesmas ações que lhe eram tão habituais, a possibilidade de uma apreciação polida é esmorecida. Em vez disso, somos embrenhados pelos elementos fantasiosos que nos aclamam para as mais recalcadas memórias da nossa infância, num rejubilo interno inexplicável para quem não acompanhou os primórdios da série.

 

Digimon Adventure Tri Saikai

 

Apesar do início ameno do ponto de vista de apresentação e narrativa, aos poucos são-nos fornecidas dicas de que as coisas já não são como eram. Esta obra narra os acontecimentos após a segunda temporada de Digimon Adventure, ou seja, com os digi-escolhidos em plena adolescência. Ora, como não podia deixar de ser, e para acentuar o realismo da produção, as personagens assumem-se no seu real estado, como adolescentes mutáveis, em crescimento e sobretudo, auto-conhecimento.

 

Mas então, os protagonistas não são os mesmos que eram?

Neste ponto, acredito que muitos dirão: nem parece a mesma coisa! E não, não o é. Como os próprios intervenientes afirmam, eles já não são o que eram, e o mais fascinante disto tudo, é que de facto, conseguimos encará-los como velhos amigos de infância que cresceram, e que passado anos de afastamento, voltamos a revê-los. Eles contêm a essência de outrora, mas com algo mais: decisões, pensamentos e vidas de jovens adultos que, apesar da atribulada infância, conseguiram crescer e desenvolverem-se como qualquer outro humano na Terra.

 

Digimon Adventure Tri Saikai

 

Digimon Adventure tri Saikai – O primeiro de seis filmes

Este filme possui o título Saikai que significa reunião, é intuitivo adivinhar que tratar-se-á de uma primeira parte desenvolvida em torno do reencontro dos digi-escolhidos e a apresentação dos mesmos. No entanto, Saikai vai mais além, e localiza-nos no espaço e tempo da obra. O mundo mudou, organizações que buscam conhecer e controlar o equilíbrio entre os dois mundos emergem das sombras, e as consequências das associações entre os dois mundos começam finalmente a atingir o dia a dia dos nossos protagonistas.

Atrevo-me a dizer que Saikai não se trata apenas de uma reunião literal dos 8 amigos, mas de uma reunião entre os dois mundos de forma crua e dura, sem os filtros infantis que nos foram providos na primeira temporada da franquia. Dúvidas como, “mas então destroem tudo e ninguém diz nada?”, “não há polícia ou exército que proteja os humanos ou intervenha?”, “como o mundo reage face a estes acontecimentos?”, ou a pergunta que a todos assola “o que as outras pessoas pensam dos Digimons?“. Em Digimon Adventure tri Saikai, temos uma apresentação da obra no formato adulto, com problemáticas reais, divisões racionais e personagens que se assumem numa primeira instância como tri-dimensionais.

 

Digimon Adventure Tri Saikai

 

Mas no meio de tanta qualidade e zelo, sobretudo para os fãs da década de 90, não apresenta quaisquer falhas?

É injusto apontar o dedo em questões narrativas, a uma introdução de uma obra. Contudo, e o que enquanto fã e conhecedora da saga mais mexeu comigo, foi a escolha da ponte narrativa entre o real e o imaginário: Taichi. As ações, decisões e pensamentos dele não condizem com a personalidade extrovertida, cheia de vida e ânsia por divertir-se, enquanto salva o mundo com os seus amigos, muito pelo contrário. Neste filme, Taichi apresenta uma postura similar à de Yamato em Digimon Adventure 1, que ironicamente representa as mesmas ações do melhor amigo neste filme.

 

Digimon Adventure Tri Saikai

 

Mas agora trocaram as personalidades? Nas primeiras duas partes do filme podemos dizer que assim o parece, contudo, à medida que nos são explicados os contornos das suas decisões, a história começa a mostrar as suas garras e a confirmar as suspeitas (expectáveis e um tanto ou quanto desejáveis) face aos dois protagonistas masculinos.

 

Digimon Adventure Tri Saikai

 

Digimon Adventure Tri Saikai | Ambiente

Muita foi a contestação em torno do novo design das personagens da sequela de Digimon Adventure. E de facto, não podia ser mais diferente do original. Habituados a um design forte, com olhos grandes e com as estruturas anatómicas desproporcionais que tanto nos fascinaram aquando a estreia, foi com sentido lamento que recebemos a notícia que tudo iria mudar. O design assume-se mais adulto, mais leve e sobretudo mais orgânico. A arquitetura por trás destas alterações permitiu manter a essência das personagens e suas características dominantes.

Atsuya Uki, artista responsável pelo novo design, assumiu a responsabilidade de desenvolver uma versão adulta de um dos maiores ícones da animação japonesa de todos os tempos, pelo que acredito que tal facto não foi indiferente ao autor. Foi demonstrado cuidado, e vendo numa perspetiva menos fanática, na realidade adequa-se na perfeição à idade dos intervenientes.

 

Digimon Adventure Tri Saikai

 

É notória a primazia sobre os cenários estáticos, existem noções cinematográficas, com o recurso a diferentes tons de profundidade e rigor nos pormenores. Em contrapartida, frequentemente reparamos que com a exceção dos intervenientes da cena, tudo o resto pára, como se as pessoas e todo o ambiente não passassem de uma tela maravilhosamente pintada. Felizmente, os erros são abafados pela fluidez da animação, coesa na sua maioria, sem contudo ser caraterizada como extraordinária num todo.

A animação em 3D volta a fazer-se presente na franquia, pelo que a qualidade apresenta-se ligeiramente acima da média. A existência de um mundo paralelo entre o Mundo Real e o Mundo Digital é realçada pelo recurso desta técnica. As míticas digi-evoluções são novamente executadas neste formato, todas elas readaptadas à sequela e esculpidas em 3D de qualidade.

 

Digimon Adventure tri Saikai

 

As cenas de batalha são o ex-líbris da produção. Com uma fluidez na sequência de ataques, explosões coordenadas e banda sonora a fazer par, no que foram os grandes momentos desta primeira parte. O facto da animação ser muito mais orgânica que a sua antecessora produziu o seu devido efeito também neste quesito.

 

Digimon Adventure Tri Saikai

 

A banda sonora continuou a ser brilhante, em boa parte devido ao emprego do grande marco da franquia, a música Brave Heart, nos célebres momentos de maior tenção e batalha. Para além desta, a restante banda sonora manteve-se na sua maioria idêntica à de Digimon Adventure, com recurso a músicas orquestradas, a fomentar a nostalgia e imersão num universo que é tão nosso.

 

Digimon Adventure Tri Saikai

 

Digimon Adventure Tri Saikai | Juízo Final

O deleite com que visualizamos esta obra de animação é, só por si, um forte motor para vos aconselhar a mesma. Contudo, devo realçar que quem nunca viu Digimon Adventure 1 e 2, não só não irá perceber grande parte da história, como toda a magia e qualidade do filme serão reduzidos para menos de metade.

Este filme trata-se de uma sequela no sentido literal, ou seja, todos os acontecimentos são desenvolvidos com todo o primor que os 15 anos de espaçamento poderão contemplar. As pequenas peculiaridades da franquia foram reproduzidas, e com a exceção da justificação das digi-evoluções mais poderosas, aparentemente os pormenores foram transcritos. Cometer erros numa obra para fãs afincos, era como dar um tiro no próprio pé, pelo que numa primeira visualização, parece-me que conseguiram manter a qualidade e coerência narrativa dentro dos limites do razoável.

Em suma, para os fãs é um must see de animação e frenesim intemporal, nada como sentir-se arrepiado a cada acorde de Brave Heart, ou vibrar a cada piada e loucura da Mimi. Para quem nunca viu, sugiro que comecem por ver Digimon Adventure 1 e 2 antes de saltarem para a sequela.

 

Digimon Adventure Tri Saikai | Trailer:

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Mais informações – Ficha Técnica Digimon Adventure tri.

 

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4 comentários

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4 comentários

Tavares 22 Novembro, 2015 - 22:11

Valeu a pena um binge-watching de D:A e D:A 02 para rever todos os pontos semi-perdidos da memória, mas nada bate a sensação de voltar a ver os protagonistas de D:A outra vez numa etapa completamente nova . O desenvolvimento (inical pelo menos) dos personagens está bastante bom, sendo o sinal mais evidente do crescimento das Crianças Escolhidas o fato do “Tai” estar tão preocupado com os danos aos outros. Não penso que seja algo de novo no personagem, principalmente tendo em conta o estado em que ele ficou quando o Agumon digivoluiu para SkullGreymon e destruiu tudo o que via. Acentuaram um traço importante que não era tão importante há 15 anos, mas que faz imenso sentido na atual idade dos protagonistas.
Acho que a batalha entre o Omegamon e o Alphamon foi das melhores batalhas de toda a série, por muito curta que tenha sido, fazendo-se valer da melhoria da qualidade de produção e animação. Mas, tirando para quem está minimamente familiarizado com os Royal Knights extra-“Digimon Tamers” e o Alphamon/Alphamon Ouryuuken, não tem grande impacto a introdução do Alphamon como antagonista.
Embora tudo pareça bem encaminhado, voltar a pôr “todo” o protagonismo no Taichi e no Yamato vai dar asneira, esperemos que não se repita nos próximos filmes xD

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Raquel Cupertino 22 Novembro, 2015 - 22:25

É verdade que o Taichi já vivenciou sentimentos similares aos expressos neste primeiro filme, no entanto isto excede a o sentimento, vai mais além da preocupação, acredito que ele para além de preocupado com os estragos está preocupando sobre as condutas, novas formas de resolução e sobretudo com uma grande crise de auto-descoberta. Ele não sabe o que fazer, o que pensar, está a tomar uma atitude bastante similar à do Yamato quando este se separou do grupo no Digimon Adventure 1. E a verdade é que caso não fosse a conversa com o Agumon, poucas certezas possuiríamos à cerca dos pensamentos dele.

Nesse aspeto concordo totalmente contigo: protagonismo Taichi e Yamato. Se continuar como esta primeira parte, não vai ficar bom, afinal tudo leva a crer que isto vai seguir os mesmos contornos que o D:A 1 mas mais intensificado.

Obrigada por partilhares a tua opinião =D

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Ravel 23 Novembro, 2015 - 3:41

A existência de um mundo entre os dois mundos já foi demonstrados em Tamers e Cyber Sleuth.

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Raquel Cupertino 23 Novembro, 2015 - 20:39

Obrigada pela partilha de informação, contudo esta análise e narrativa apenas contempla a franquia Digimon Adventure (ou seja, as duas primeiras temporadas).

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