Fate kaleid liner Prisma Illya | Análise

por Nayuki

Depois do sucesso absurdo da série Fate, uma nova derivação da obra original chegou até nós. Baseado num manga com o mesmo nome, Fate kaleid liner Prisma Illya reintegra o elenco já conhecido num cenário completamente inesperado e diferente.

 

Fate kaleid liner Prisma Illya | Enredo e ambiente

Desta vez temos como protagonista Illyasviel von Einzbern, que embora não tenha sido presença assídua em Fate/Stay Night e em Fate/Zero, tem agora o seu momento de destaque. Contudo, Illya deixa de ser mestre do espírito heróico Berserker e passa a ser simplesmente uma estudante do ensino básico.

A jovem vivia a sua tranquila vida de adolescente. Estudava, via anime e saía com as suas amigas. Até que um certo dia, enquanto tomava banho, uma varinha mágica chamada Ruby aparece e tenta convencê-la a tornar-se uma mahou shoujo. Illya mostra-se reticente e confusa com a oferta, até aparecer uma das tsunderes mais adoradas da comunidade, Rin, para tentar travar o plano da varinha. Porém, Ruby consegue levar a cabo a sua artimanha e Illya terá agora de ajudar Rin a colecionar as cartas dos sete espíritos heróicos.

 

Kaleid 3(1)

 

Obviamente, que Fate/kaleid não se compromete a complementar a série original, muito menos a enaltecer as qualidades da mesma. Antes de me informar achei mesmo que esta obra inicialmente seria uma história típica de bruxinhas adolescentes que por si só não iria alcançar o sucesso. E que num momento iluminado, o autor teria tido a brilhante ideia de recorrer a personagens já conhecidas pelo público para ganhar algum destaque.

Quando decidi pesquisar sobre a origem desta história acabei por perceber que o autor original de Fate, Type-moon, tinha colaborado na elaboração do manga. Tal facto realmente surpreendeu-me e acredito que desagrade a grande parte de vocês.

 

 

Fate kaleid liner Prisma Illya | Condenado antes da estreia

Sejamos realistas, raramente se olha com bons olhos para obras deste tipo. Ficamos sempre revoltados quando entendemos que a nossa adorada série em vez de ganhar uma sequela, terá um spin-off ou um alternative setting que não vai acrescentar nada aos fãs.

Fate/kaleid além de carregar esse fardo tem ainda outras agravantes: ser uma série que pouca coisa aproveita dos conceitos da saga original e afastar-se tanto das linhas da mesma. Se Fate era um anime de Fantasia e Ação com épicas lutas e um drama profundo, Kaleid não passa de um mahou shoujo com tendências ecchi e comédia cliché.

Perante as circunstâncias postas em causa, Kaleid estava condenado a ser um fracasso desde o seu início. Pouquíssima gente vai sequer parar e prestar atenção em algo deste tipo e depois, porque se tem noção que isto não passa de uma saturação da obra original. Fala-se de uma indústria que como qualquer outra, vive de lucro. Fate é uma das mais renomadas series de anime, seria de esperar um marketing deste tipo. Resumindo: ou fazem um trabalho decente que agrade aos poucos que darão uma oportunidade a Kaleid, ou sujeitam-se a ser rotulados de oportunistas.

 

 

Sinceramente, eu não sabia bem o que esperar de Kaleid. Não conhecia a história e só descobri a presença das mahou shoujo quando comecei a assistir o anime. A verdade é que animes subvalorizados me costumam agradar e a probabilidade de este me divertir era elevada.

Vamos esclarecer uma coisa: Fate/Stay Night é dos meus animes favoritos, mas não sou uma fan girl psicadélica. Não consigo olhar para Kaleid como uma “ofensa” à obra original. É preciso ter a mente aberta e aceitar o diferente. Ninguém é obrigado a gostar de um mahou shoujo, no entanto isso não é um motivo sensato para criticar seja o que for.

Fate/Kaleid não é uma obra de arte, não é o melhor do seu género, mas não deixa de ter o seu mérito. O anime começa por ser um Slice of Life comum e insere a vertente mágica de uma maneira pouco credível. Antes a pequena Illya era uma estudante e agora vê-se envolvida num universo de fantasia. Treinada por Rin, terá de travar duras batalhas e superar-se a cada luta. E que lutas! Os confrontos entre as mahou shoujo e os heróis são incríveis, detalhados e duradouros sem nunca perder a qualidade.

 

Kaleid 8(1)

 

Para um anime que aparentava ser um doce Slice of Life, Kaleid revelou-se uma série de grandiosa ação. Foi principalmente neste parâmetro que fui surpreendida e é aqui que a obra consegue diferenciar-se das demais. Não deixa de ser uma história de bruxas com muito cor-de-rosa à mistura e não se torna em algum momento um anime profundo. Simplesmente, consegue entreter os espectadores e dar reviravoltas interessantes.

A arte do anime é sem dúvida de qualidade, com muito detalhe e cores vivas a acompanhar um design moe e adorável. O que prova (mais uma vez) que a produtora fez um bom trabalho na obra, sem se esquecer dos pormenores. A banda sonora foi outra surpresa agradável, principalmente durante as batalhas. O que tornou a experiência das lutas ainda melhor.

 

Fate kaleid liner Prisma Illya | Personagens

Fate/Kaleid reintegra personagens já nossas conhecidas num universo paralelo. Portanto, se já adoravas os protagonistas da série, vê-los novamente em ação é sempre um ponto positivo.

Contudo, aqui temos uma vantagem: Illya sempre foi uma jovem que me despertou imenso interesse e quem assistiu Fate/Stay Night sabe que esta não teve o mínimo destaque. Porém, isto revela-se uma faca de dois gumes, aqui Illya é uma jovem doce e pronta para salvar o mundo, na história original aparentava ser uma mulher bem mais fria.

 

 

A Rin continua uma tsundere no seu estado fundamental com as suas saídas fenomenais. Luviagelita Edelfelt, uma personagem com pouquíssimo destaque na trama inicial ganha um protagonismo considerável agora. O que seria interessante se esta ganhasse também alguma qualidade, o que não acontece.
Miyu Edelfelt, a mahou shoujo companheira de Illya é talvez um dos pontos fortes do anime. Afastada dos estereótipos comuns, torna-se uma protagonista engraçada e curiosa. É calma e sensata, sabe lutar e tem uma evolução coerente ao longo do anime.

 

Fate kaleid liner Prisma Illya | Juízo Final

Fate/Kaleid é um mahou shoujo típico que tenta diferenciar-se com algumas cenas ecchi e um humor peculiar. Não deixa de ser engraçado, muito menos interessante. Mas é preciso ter isto em conta: não trás nada de novo, não tem uma trama profunda.

Se gostam de histórias de magia com raparigas fofinhas vale a pena, no entanto se têm muitos animes na shame list não o consideraria uma prioridade. Não me acrescentou nada e não se revelou nada de extraordinário.

Não merece, de maneira nenhuma, as críticas ofensivas. Afinal, existe um bom trabalho a vários níveis na sua produção e acabou por me surpreender. Porém continuo a considerá-lo um anime para aumentar os nossos “números” e não algo indispensável para a nossa experiência como fãs de animação.

 

 

 

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