Fullmetal Alchemist Live Action – Análise

por Renato Sousa
Fullmetal Alchemist Live Action - Poster

Notas:


 

Fullmetal Alchemist, manga da autoria de Hiromu Arakawa, teve finalmente direito a uma adaptação live action (nipónica!). Um projeto desenvolvido pela Oxybot Inc. e Square Enix, que chega até nós por cortesia da Netflix.

A sua existência não será surpresa para os fãs de Anime e Manga. Depois de adaptações do género de outras grandes obras, como Dragon Ball, Death Note e Attack on Titan, é caso para dizer que uma adaptação deste género para Fullmetal Alchemist (FMA) até já tardava.

Ora, pelos resultados que este tipo de adaptações têm apresentado, cada vez mais os fãs olham com cepticismo para este tipo de projetos. No entanto, desde já saliento:

Esta análise não visa comparar este live-action às adaptações anime anteriormente produzidas. O ptAnime tem outro artigo dedicado a esse efeito.

De facto, evitando ao máximo os spoilers, esta análise tem dois grandes objetivos.

O primeiro é esclarecer os fãs de Fullmetal Alchemist se devem ou não dedicar o seu tempo a ver esta adaptação real.

O segundo é integrar potenciais novos fãs neste universo alquímico, científico, militar, com muitas emoções fortes à mistura.

Esta adaptação divide-se entre aspetos positivos e negativos. Não obstante a isso, estou totalmente de acordo com Kaori Shoji do IGN, quando este diz que o filme tem qualidade suficiente para servir como porta de entrada para outras produções de maior valor, associadas a esta história. É o caso do manga original de Hiromu Arakawa. É o caso de Fullmetal Alchemist: Brotherhood.

 

Fullmetal Alchemist Live Action - Edward Elric

Edward Elric

 

A História de Fullmetal Alchemist

Os irmãos Edward e Alphonse Elric ainda eram crianças quando perderam a mãe com quem viviam. O paradeiro do pai é desconhecido. Num mundo onde a alquimia é o centro de todas as atenções, os dois irmãos recorrem a esta prática numa tentativa desesperada de ressuscitarem a mãe.

Uma experiência que acaba por correr muito mal. Para além da tentativa falhada, os dois acabam punidos pela Lei da Troca Equivalente. A regra mais básica da alquimia que, trocando por miúdos, diz o seguinte. Para se ganhar algo é também necessário dar algo em troca. Alphonse acaba sem corpo e Edward sem uma perna. Em situação de último recurso, Edward acaba ainda por perder um braço para conseguir fixar a alma do irmão a uma armadura.

Na tentativa de remediar os danos causados, os dois irmãos lançam-se à procura da Pedra Filosofal. Um artefacto mítico que, segundo consta, lhes permitirá ignorar a Lei da Troca Equivalente e, desta forma, recuperarem os seus corpos totalmente humanos sem sacrifícios.

 

Fullmetal Alchemist Live Action - Irmãos Elric

Alphonse & Edward Elric

 

Anos mais tarde, Edward apresenta-se como membro do Exército de Amestris. O irmão mais velho dos Elric juntou-se a eles por interesse. Concretamente, pela facilidade de acesso a informação relacionada com a Pedra Filosofal.

Se os amigos dos irmãos e conhecedores da sua história os vão tentar ajudar na sua demanda, outros vão intrometer-se no seu caminho. A Pedra Filosofal é um artefacto demasiado valioso e poderoso para não atrair outros potenciais interessados. Cruzar os caminhos de todos estes indivíduos é apenas o começo de uma grande jornada. Uma aventura onde os princípios dos Sete Pecados Mortais podem surgir no virar de cada esquina. Literalmente!

 

Fullmetal Alchemist Live Action - Homunculus

 

Um enredo pouco esclarecedor!

Como dito em cima, não existe risco de spoilers neste artigo.

Enredo. Onde as expectativas criadas saíram completamente furadas. Este ponto, tão importante para o sucesso de qualquer longa-metragem, revelou-se o mais fraco da adaptação. Vários momentos revelam falta de clareza ou padecem de outras cenas onde possam encaixar e elucidar o novo espectador. Uma lacuna que se torna mais e mais evidente com o desenrolar do filme.

Nesta crítica, poderia começar pelo passado dos irmãos Elric. O ponto em destaque na primeira metade. Porém, depois de causar confusão no início, a produção vai apresentando cenas ao longo do filme que esclarecem este tema fundamental da história.

O mesmo não acontece com outros assuntos. Qual a razão para o Exército Militar ser uma organização com tanta projeção em Fullmetal Alchemist? Consta que está a decorrer uma Guerra Civil. Evidências? Nem vê-las!

Edward Elric faz parte do Exército. Mas como é que tudo aconteceu? Afinal, este anda vestido como quer, mas todos os outros andam fardados. Que estatuto tem ele dentro da organização?

Homunculus. Dá para perceber que são os principais antagonistas. Mas porquê? Quais as suas origens?

Estes são apenas alguns dos temas que pecam de maiores elucidações, dada a importância das personagens que os preenchem.

 

Fullmetal Alchemist Live Action - Porta da Verdade

A Porta da Verdade

 

As Personagens de Fullmetal Alchemist

 

Representação dos Atores

Um tópico onde é inevitável uma comparação com as personagens originais, a fim de poder avaliar o trabalho dos atores.

Começo por Ryosuke Yamada (Edward Elric). Uma representação à imagem do filme em geral. Ligeiramente para lá do satisfatório. Também não era uma tarefa nada fácil. Deixa um pouco a desejar em algumas cenas cómicas e noutras de maior intensidade emocional. Seja como for, é difícil apontar-lhe o dedo nas de carácter divertido. Uma transição nada fácil. Pelo menos é esta a conclusão a que chego quando visualizo na minha mente algumas das expressões desta personagem nas adaptações Anime e as tento recriar num ambiente real. Deveras complicado.

Atomu Mizuishi é quem dá voz a Alphonse Elric. O timbre é o mesmo utilizado nas adaptações anime. Nada a referir.

Dean Fujioka (Roy Mustang). Uma representação quase perfeita. O ar sério e postura de respeito que lhe são característicos são evidentes. Assim como as expressões de sentimentos ininteligíveis, juntamente com os diálogos concisos que trava com as várias personagens.

Uma nota para o “braço direito” de Mustang. Riza Hawkeye, representada por Misako Renbutsu. Impressão minha ou o nome desta personagem nunca é mencionado ao longo de todo o filme?

Tsubasa Honda (Winry Rockbell). Quem nunca viu nada de Fullmetal Alchemist percebe que Winry é importante pelos momentos em que aparece. Em contrapartida, não percebe o porquê desta sua presença, já que parece não acrescentar nada à história. A forte ligação que tem com os irmãos Elric está longe de ficar vincada no novo espectador. Fica a ideia que se tratou mais de uma opção da produção do que propriamente um mau trabalho da atriz.

Do pior para o melhor. Ryuta Sato (Maes Hughes). Gostei mesmo da sua representação. Associei mesmo ao que tinha visto antes. O ponto mais alto das representações, com Mustang logo “na cola”.

Por fim, uma palavra para a Homunculus em maior evidência. Yasuko Matsuyuki (Lust). Cumpre bem o seu papel, sem ser particularmente exuberante. Fria e implacável nos momentos certos.

 

Fullmetal Alchemist Live Action - Mustang & Hughes

Roy Mustang & Maes Hughes

 

Adaptação Visual

Muito fiel! Excelente trabalho da produção! Particular destaque para os homunculus e para os irmãos Elric. Certamente as personagens mais exigentes em termos de adaptação. O braço de Edward em automail está incrível. Os homunculus não consigo imaginar melhor. A cereja no topo do bolo é mesmo Alphonse. Parece mesmo real. Para além da parte da armadura, os seus movimentos são como os de outra personagem qualquer. Fluídos e sem qualquer tipo de artificialidade.

 

Os Cenários de Fullmetal Alchemist

Ambientes. Outro ponto em evidência pela positiva. Há muito que vi as adaptações anime de Fullmetal Alchemist. Não estou propriamente recordado de grande parte dos planos de fundo. Mas isso pouco me preocupa.

O que realmente importa é na primeira metade do filme ter ficado agarrado à beleza dos vários cenários e paisagens que preencheram o ecrã. Itália foi o país escolhido para as gravações. Só tenho que parabenizar a produção pela excelente escolha. De facto, só pelos planos de fundo já qualquer adepto de cinema deve ver a primeira meia hora deste live action.

 

Fullmetal Alchemist Live Action - Reole

 

Os Efeitos Especiais do Live Action

Este aspeto cinematográfico vem reforçar um dos meus comentários no início desta análise. A computação gráfica era uma das minhas maiores preocupações antes de ver o filme. De volta à primeira meia hora de produção, foi mais que tempo suficiente para confirmar o excelente trabalho desenvolvido nesta vertente.

A alquimia é um dos temas centrais neste filme, com um maior enquadramento no género da ação. Assim, as batalhas entre alquimistas e seus associados tinham que ter qualidade. Fiquem descansados. Os combates “agradam a gregos e a troianos”. Os ditos confrontos não só fazem jus ao que foi visto em adaptações anteriores, como têm muito potencial na conquista do novo espectador.

 

Fullmetal Alchemist Live Action - Alphonse Elric

Alphonse Elric

 

Para onde foi a Banda Sonora?

Terminar esta análise sem falar na sua parte musical seria fazer jus à mesma. Porque realmente ela passa muito despercebida. Logo, este último é mesmo o adjetivo mais adequado à posição desta componente na trama. Uma vertente da qual também esperava algo mais.

“I’m By Your Side” (Kimi no Soba ni Iru yo), da cantora Misia, foi o tema escolhido para o filme. O único que desperta atenção e dá para apreciar.

 

Apreciações Finais …

A meu ver, este live action, dirigido por Fumihiko Sori, tenta desde início agradar a dois tipos de público distintos. Só assim encontro justificação para uma maior preocupação para com a parte dos efeitos especiais e visuais presentes no filme.

Tudo em prol de um enredo que deixa algo a desejar. Por mais que se possa dizer que esta obra tem uma história e um elenco bem alongado. Uma sequela parece assegurada. Logo, é mais uma razão para que alguns acontecimentos fossem melhor explicados. Já nem falo na ausência de algumas personagens.

 

… para quem já é fã de Fullmetal Alchemist

Estes já conhecem a história. As lacunas existentes poderão ser colmatadas pelos próprios. A grande curiosidade deste público será ver a adaptação do que vai para lá da parte humana nas personagens, a par das batalhas com recurso à alquimia. Mas este é público praticamente garantido! Gente que não vai querer perder a oportunidade de criticar ou elogiar a produção e de a comparar com as outras produções.

 

… para potenciais novos fãs de Fullmetal Alchemist

Encaixar a história complexa de Fullmetal Alchemist numa longa-metragem (ou que seja em duas!) é trabalho àrduo.
Daí reforçar que este filme resume-se a uma porta de entrada para novo público neste universo. Não esperem nem mais nem menos do que isto deste live action.

O enredo está longe de ter capacidade para agradar ao novo espectador. Mas a parte da alquimia (tão bem trabalhada) tem potencial para despertar a curiosidade de qualquer um. De nos levar à pesquisa de outras adaptações existentes e com mais qualidade. Caloiros alquímicos, vocês têm mesmo que ver Fullmetal Alchemist: Brotherhood depois disto.

 

Fullmetal Alchemist Live Action - Edward, Alphonse & Winry

Edward, Winry & Alphonse

 

Conclusão

Só para terminar. Reconheço as dificuldades de adaptação de uma obra deste calibre. Inevitavelmente, também não posso deixar de ter em conta aquilo a que os últimos live-actions me habituaram. O live action de Fullmetal Alchemist (Hagane no Renkinjutsushi) tem cerca de 2 horas e 15 minutos de duração. Quando o seu problema maior é a história, torná-lo um pouco mais longo poderia mudar muita coisa. Para melhor!

Curiosamente, senti-me mais agarrado na primeira parte desta produção do que na segunda. Mas a reta final foi suficientemente boa para me deixar interessado na sequela que considero como garantida. Nunca me senti aborrecido.

Não esquecer que esta é uma primeira adaptação real da manga de Hiromu Arakawa. O feedback que agora existe do público estava em falta há poucos meses atrás. Este ponto, que parece um pequeno pormenor, é na realidade muito importante para o futuro, caso as pessoas indicadas lhes saibam deitar os olhos.

 

 

 


 

 

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Posted by Loja PtAnime on Monday, March 5, 2018

 

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6 comentários

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6 comentários

Leandro Santos 1 Março, 2018 - 20:13

tenho que pena que o filme não seja melhor, nomeadamente a história que com esta duração devia ter sido ser melhor trabalhada.
ainda assim irei ver e acredito que não me vou arrepender

Responder
Renato Sousa 2 Março, 2018 - 21:47

Leandro vê e depois deixa aqui a tua opinião mais detalhada 🙂
Eu esperava uma história melhor e uma maior dificuldade na parte dos efeitos e da adaptação dos costumes. Sai com as expectativas totalmente furadas ahah
Mas a existir uma sequela, em que a parte da história poderá ser ainda mais interessante, terei todo o interesse em ver.

Responder
Leandro Santos 25 Março, 2018 - 23:09

depois de visto concordo inteiramente contigo, mas que desperdício que foi a duração do filme para contar a história desta forma, não é normal um filme ter esta duração e mesmo assim conseguiram fazer com que a história muitas das vezes não tivesse lógica.
para quem viu o anime consegue atar as pontas soltas, mas para quem não o conhece duvido que perceba tudo, uma pena.

a realização e o CGI estiveram muito bem, fiquei surpreendido, ao passo que a banda sonoro foi para esquecer.

os actores estiveram quase todos bem, mas o que devia estar melhor foi dos mais fracos, o actor que faz de ED raramente se consegue destacar, na comédia foi normal e no drama só raramente conseguiu demonstrar qualidade, lembro-me bem da cena da quimera onde se exigia muito mais… de resto destaco o Hughes, Lust e o Roy, muito bem caracterizados e com os maneirismos que se exigiam, muito bem.

Responder
Renato Sousa 26 Março, 2018 - 22:19

Leandro Santos,
por acaso a cena da quimera também me ficou na memória por ser demasiado forçada. Acredito também que era das mais exigentes.
Em relação a tudo o resto, não tenho muito mais a acrescentar. Apenas esperar que as pontas soltas que faltam levem a malta a procurar ver os animes ou a conhecer a história original de FMA. A obra merece 🙂
Obrigado pela tua opinião detalhada depois de teres visto o filme.

Responder
Cláudio Fernandes 1 Março, 2018 - 20:25

Ninguém que não goste anime vai ver isto, as partes cómicas não funcionam em live action se tentam copiar como é feito no anime. Passar de uma cara séria para uma cara parva em anime funciona, tentarem fazer o mesmo em live action é só estúpido. Os filmes live action têm que parar com essa representação se querem ser levados a sério.

Responder
Renato Sousa 2 Março, 2018 - 22:04

Totalmente de acordo Cláudio. Não só nas partes cómicas, como alguns momentos bem mais sérios também. Até porque os fãs habituam-se a esperar esse tipo de coisas. Como a coisa não sai bem, o filme torna-se logo um fiasco. Enquanto se a abordagem for diferente e ficar bem feita, já ninguém vai criticar.

Assim como da Manga para o Anime se chama “adaptação”, o mesmo se aplica desses meios para Live Action. Adaptação é o mesmo que “tornar idêntico”. Fazer igual só por fazer, sabendo que vai ficar horrível é non sense. Primeiro tem que se garantir qualidade.

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