Géneros e Demografias de Anime e Manga | Enciclopédia

por João Simões

Antes de avançarmos ao conteúdo propriamente dito deste artigo, e de modo a que a informação que vamos transmitir seja compreendida da melhor forma, convém esclarecermos certos pontos. Estes são facilmente confundidos, não só devido à escassez de informação mas também pela errada divulgação que existe da mesma.

Refiro-me à distinção praticamente inexistente que é encontrada relativamente a Demografia e Género. Começando pela primeira, podemos encontrar as 5 Principais:

  • Shōnen
  • Seinen
  • Shōjo
  • Josei
  • Kodomo

 

A demografia é uma etiqueta determinada por uma série de factores, que conjugados nos revelam informação relativamente à obra. Não deverão, no entanto, ser consideradas 100% fidedignas. Por exemplo, Shōnen indica uma obra escrita para jovens rapazes como principal audiência, porém não deverá ser concluído que estamos perante uma obra de batalha – o que por norma é a conclusão que se retira. Ou seja, o factor determinante do rótulo demográfico de uma obra não é a sua história, mas sim o local onde é publicada.

– Exemplo:

Se Naruto tal como o conhecemos atualmente, em vez de ter sido editado pela Shōnen Jump tivesse sido editado na Young Jump, então este seria carimbado como Seinen e não como Shōnen, mesmo que o seu conteúdo fosse mais adequado para Shōnen. Por norma este é um trabalho entregue ao editor da obra ou, por vezes, ao editor-chefe da revista em questão. Muitas vezes são eles que decidem onde será o melhor local para publicar cada tipo de história e para que demografias esta conseguirá demonstrar o seu máximo potencial.

 

Por outro lado, aquilo que define o verdadeiro conteúdo da obra é a etiqueta designada por Género. Esta não só informa o público daquilo que se trata, como também pode ser agregada às demografias em cima descritas. Deste modo vamos conseguir reunir o máximo de informação sobre a narrativa que a obra nos poderá apresentar.

– Exemplo:

Naruto poderá apresentar os géneros de “Batalha”, “Aventura”, “Fantasia”, sob a demografia Shōnen. Daqui podemos retirar que Naruto tem uma história onde um Herói segue uma aventura num mundo fantasioso, onde poderemos encontrar batalhas. Aliada a isto, sabemos que estas temáticas serão todas tratadas com certas restrições uma vez que a demografia determinante é Shōnen.

 

Tudo isto é bem mais alargado que esta simples abordagem. Os factores que são manifestados por uma demografia, podem modificar desde estruturas narrativas ao próprio design da obra, para que seja mais apelativo à faixa etária em questão, tendo consequências diretas nas vendas de determinado título. Porém, aqui encontram o necessário para desfrutar da informação que se segue.

 

 


Demografias


 

Shōnen – demografia direcionada primeiramente a pré-adolescentes e adolescentes do sexo masculino. Possui a tendência delineada de ser um tipo de obra onde se batalha por um objetivo, seja este algo literal ou metafórico. O elenco de personagens tende a ser maioritariamente jovem, tal como a personagem principal. Por norma as temáticas abordadas são de pouca complexidade, tendo em conta o público-alvo para o qual são construídas.

 

Seinen demografia direcionada primeiramente a adultos do sexo masculino. Possuem a tendência de ser obras que abordam temas que não são aconselháveis a adolescentes. Seja pelo nível de complexidade dos tópicos, seja pela abordagem explícita (por vezes) violenta ou sexual que determinadas matérias exigem, ou pelo desenvolvimento maduro que é dado à narrativa.

 

Shōjo demografia direcionada primeiramente a pré-adolescentes e adolescentes do sexo feminino. Por norma a personagem principal é uma adolescente que se apaixona por um rapaz, também ele adolescente. As temáticas são essencialmente focadas nos romances e relações amorosas de um conjunto de personagens exploradas no decorrer de cada episódio.

 

Josei demografia direcionada primeiramente a adultos do sexo feminino. Este tipo de obras costuma focar-se na vida normal de uma mulher, ou em temáticas que são naturalmente ligadas a esta na sua fase adulta, como por exemplo: matrimónio, gravidez, ou até mesmo objetivos relacionados com a carreira profissional.

 

Kodomomuke (Kodomo) demografia direcionada primeiramente a crianças no geral. Costuma marcar presença em obras de aventura com bons momentos de humor, não fornecendo lugar a acontecimentos capazes de ferirem qualquer tipo de suscetibilidades. Rico em universos com grande diversidade de personagens. Tem como prioridade o prazer e o bem-estar dos mais novos.

 

demografias

 

 


Géneros


 

Ação – este género é caracterizado por temáticas que envolvem confrontos entre personagens e grandes batalhas. Os duelos podem ser dos mais variados estilos consoante o tema que a obra retrata. Ex: Shingeki no Kyojin, Naruto, Bleach

 

Aventura – associado a produções em que os protagonistas vivem novos desafios e experiências, sozinhos ou acompanhados. As mudanças de local e a descoberta de novos ambientes são frequentes. A narrativa é geralmente progressiva e dinâmica. Ex: One Piece, Magi, Hunter X Hunter

 

Arte – Este género tem como núcleo narrativo a abordagem de uma ou mais artes, como por exemplo música, desenho, pintura, entre outros. Ex: Beck, Barakamon, Shirobako

 

Comédia – o objetivo deste género passa por divertir o espetador seja por intermédio de diálogos ou ações das personagens. Costuma marcar presença em simultâneo com vários outros estilos com particular destaque para a ação, a aventura e o romance. O humor pode ser baseado num formato mais geral, capaz de atingir qualquer tipo de público, como também pode ser orientado para a sua cultura de origem, ou seja, o Japão. Ex: Great Teacher Onizuka, Golden Boy, Gintama

 

Drama – envolve suspense, acontecimentos inesperados e um vasto conjunto de emoções que conseguem mexer com o espetador. Para tal requer uma boa ligação emocional com os personagens, que devem possuir uma caracterização e desenvolvimentos realísticos, genuínos e aprofundados. Coopera com outros estilos, como a aventura, o psicológico e o romance, em particular com este último. Ex: Clannad, Angel Beats, Rainbow

 

Desporto – obras onde o destaque principal é a prática de um desporto (seja ele qual for) por parte das personagens. Em alguns casos as produções associadas a este género também apresentam um ambiente extrapolado, no sentido em que os praticantes da modalidade em foco também têm habilidades especiais. Ex: Slam Dunk, Hajime no Ippo, Haikyuu!!

 

Ecchi – caracterizado pela presença de insinuações sexuais, poses sensuais e sugestões de elevado cariz sexual e/ou sensual, contudo sem nunca serem exibidos os órgãos sexuais primários das personagens. Este género é muitas vezes aproveitado como fan service. Ex: Zero no Tsukaima, High School of The Dead, Highschool DxD

 

Fantasia – género caracterizado pela existência de elementos fora do comum, pelo que normalmente todo o ambiente que rodeia a história é invulgar. Conceito muito associado ao de “magia”, encontramos frequentemente ligado a poderes, mundos extraordinários e monstros, aproveitando-se muitas vezes de conceitos como a Mitologia, a Alquimia, ou História, para criarem um mundo fantástico. Ex: Danmachi, Akagami no Shirayuki-hime, Fairy Tail

 

Harem – caracterizado por um elevado número de personagens do sexo oposto ao/à protagonista, que tentam conquistá-lo/a ou assumem interesse afetivo no mesmo. As personagens e as ações das mesmas giram, em grande parte, em torno do elo comum: o/a protagonista pelo qual estão interessadas/dos. Ex: Nisekoi, Monster Musume no Iru Nichijou, Ouran Koukou Host Club

 

Hentai – conteúdo demográfico adulto, estilo equivalente à pornografia real só que em formato anime. Envolve cenas de sexo explícito sem grande desenvolvimento narrativo. Ex: Bible Black, Ai Shimai e Yakin Byoutou

 

Histórico – este tipo de produções abordam épocas, acontecimentos, personagens, eventos e fenómenos sociais, enquanto se baseiam num mínimo de veracidade histórica, intimamente ligados ao passado. Ex: Rurouni Kenshin, Arslan Senki, Sengoku Muso

 

Horror – É o medo no seu sentido mais literal, transmitido por algo visual. Em anime/manga anda constantemente de mãos dada com o gore, abordando deste modo cenas passíveis de ferir suscetibilidades. Associado a mutilação de corpos humanos, situações sanguinárias, que são muitas vezes censuradas. Pode, no entanto, existir outras obras de outros géneros que possam utilizar o gore como elemento independente do Horror. Ex: Mnemosyne: Mnemosyne no Musume-tachi, Higurashi no Naku Koro ni, Another

 

Lolicon – género onde as personagens em idade adolescente ou infantil são caracterizados de forma atrativa. Uso recorrente do aspeto fofo e inocente, com acentuação dessas mesmas características. Lolicon dita o género dos intervenientes, neste caso raparigas. Ex: Shugo Chara!, Kamichama Karin, Rozen Maiden

 

Mecha – género caracterizado pela presença de robôs gigantes equipados com armas e armaduras de alta tecnologia, pilotados pela humanidade. O género ‘Militar’ está quase sempre associado ao ‘Mecha’ cujo ambiente varia entre o bem conhecido planeta Terra e o Espaço. Ex: Mobile Suit Gundam, Aldnoah.Zero, Appleseed

 

Mistério – As produções enquadradas aqui apresentam um enredo muito bem construído, envolvido num ambiente de dúvida e suspense, podendo estar relacionados sobre a verdadeira identidade de algumas das personagens ou acontecimentos. As peças do puzzle vão sendo encaixadas a pouco e pouco. Ex: Death Note, Baccano!, Detective Conan

 

Romance – tem como foco as relações amorosas entre personagens. A narrativa é desenvolvida em torno de elementos associados ao tema amor, com um ou mais casais intervenientes. Encontra-se muitas vezes como pano de fundo de outros géneros. Ex: Ore Monogatari, Kareshi Kanojo no Jijou, Golden Time

 

Sci-Fi – presença de equipamentos tecnológicos, que muitas vezes ainda nem fazem parte do nosso mundo atual. Centro narrativo fortemente ligado à ciência, descobertas tecnológicas e civilizações futuristas. A vanguarda tecnológica está sempre aqui presente. Ex: Neon Genesis Evangelion, Ginga Eiyuu Densetsu e Steins Gate.

 

Sentai Este estilo define-se facilmente por super-heróis japoneses. Por norma o Sentai retrata grupos organizados, cuja função é erradicar o mal que se encontra a consumir o planeta. As personagens usam fatos especiais, normalmente coloridos de forma diferente para se identificar cada personagem. Um dos exemplos mais predominantes para identificar este género são os Power Rangers. Ex: Sailor Moon, Samurai Flamenco, Kagaku Ninja-tai Gatchaman

 

Shotacon – género onde as personagens em idade adolescente ou infantil são caracterizados de forma atrativa. Uso recorrente do aspeto fofo e inocente, com acentuação dessas mesmas características. Shotacon dita o género dos intervenientes, neste caso rapazes. Ex: Kuroshitsuji, Loveless, Pandora Hearts

 

Slice of Life – obras altamente reais, que acompanham a vida diária de uma ou mais personagens que se assumem como protagonistas da história. Basicamente são uma representação da realidade mundana que pode abordar um ou mais temas a ela ligados, com diferentes graus de profundidade. Como não poderia deixar de ser, as produções deste género incluem tudo o que às nossas vidas diz respeito, como o desporto, o romance, a vida na escola ou mesmo no trabalho. Ex: K-On!!, Bakuman, Chihayafuru

 

Sobrenatural – obras que incluem a presença elementos anormais, inumanos, sejam eles capacidades, poderes ou criaturas sobrenaturais como espíritos, demónios, aliens e outras semelhantes. Ex: Natsume Yuujinchou San, Soul Eater, Blood Lad

 

Yaoi –  um género ligado ao romance e que assume todas as suas características, alterando apenas o tipo de relação. Em vez do romance homem-mulher, o cenário muda para uma relação entre dois homens. Trata-se de uma alternativa ao Shōnen-ai, uma vez que o conteúdo visual e narrativo é francamente explícito. Ex: Maiden Rose, Love Stage, Junjou Romantica

 

Yuri – um género ligado ao romance e que assume todas as suas características, alterando apenas o tipo de relação. Em vez do romance homem-mulher o cenário muda para uma relação entre duas mulheres. Trata-se de uma alternativa ao Shōjo-ai, uma vez que o conteúdo visual e narrativo é francamente explícito. Ex: Aoi Hana, Sasameki Koto, Sakura Trick

 

generos

 

 


Subgéneros


 

BiShōnen – este subgénero é particularmente direcionado para o público feminino, independentemente da idade (jovem ou adulta). Aqui o protagonista é tendencialmente um rapaz de atributos físicos demasiado bonitos, atraindo a atenção de homens e mulheres. Os seus traços são muitas vezes semi-femininos e esbeltos. Um estilo que costuma fazer par com as demografias Josei/Shōjo e com o género Slice of Life. Ex Yamato Nadeshiko Shishihenge, Vampire Kight, Diabolik Lovers

 

BiShōjo (actualmente conhecido como Moe) – este género é particularmente direcionado para o público masculino, independentemente da idade (jovem ou adulta). Aqui a protagonista é tendencialmente uma rapariga de atributos físicos demasiado bonitos, atraindo a atenção de homens e mulheres. Os seus traços são considerados por norma como “fofos”. Um estilo que costuma fazer par com o género Slice of Life. Ex K-On, Kyoukai no Kanata, Sakurasou no Pet na Kanojo

 

Demónio – trata-se de um subgénero de sobrenatural, e envolve a presença de espíritos malignos, demónios, bruxas, exorcistas. As combinações mais frequentes com este género são a ação e a aventura. Ex: Ga-Rei: Zero, Inuyasha, Hataraku Maou-sama!

 

Jogo – Subgénero ligado à aventura, tendo por base um jogo onde as personagens participam. A narrativa está geralmente ligada ao mesmo. Ex: Yu-Gi-Oh, Phi Brain, Sword Art Online

 

Espaço – subgénero de Sci-Fi, onde o ambiente narrativo se encontra do lado exterior ao planeta terra. Seja ele naves de alta tecnologia em ambiente espacial, ou outros planetas. Ex: Sidonia no Kishi, Uchuu Kyoudai e Cowboy Bebop

 

Super Poderessubgénero do tipo sobrenatural onde as personagens são detentoras de poderes especiais ou capacidades (físicas e/ou mentais) fora do normal. Ex: Dragon Ball, Darken Than Black, JoJo’s Bizarre Adventure

 

Vampiros – um estilo descendente do ‘Sobrenatural’. Como o próprio nome indica, enquadra-se nas obras onde vampiros marcam presença. Ex: Hellsing, Owari no Seraph, Blood Lad

 

Magia – um subgénero da secção sobrenatural, sendo que aqui as habilidades especiais estão mais direcionadas para o próprio nome do estilo, cujas obras associadas podem estar relacionadas com o uso de elementos ditos mágicos. Ex: Fairy Tail, Mahou Shōjo Madoka Magica, Cardcaptor Sakura

 

Artes Marciais – subgénero desportivo onde se encontra presente, como foco principal ou secundário, um vasto conjunto de cenas de ação protagonizadas pela prática de Artes Marciais, tais como o karaté, o pugilismo e o kendo. Ex: Kenichi Strongest Disciple, Yuu Yuu Hakusho, Ranma 1/2

 

Exército/Militar – narrativa e personagens principais ligadas ao exército ou elementos alusivos ao mesmo, com o recurso a armas associadas ao estilo e técnicas de combate. Ex: Hetalia, Fullmetal Alchemist, Code Geass

 

Psicológico – este género cativa e procura explorar as emoções e pensamentos humanos (dos mais leves aos mais pesados), suscitando a atenção e raciocínio de quem o assiste. É um género complexo que aborda temas fortes, e que não deve ser assistido de forma leviana. Ex: Welcome to The NHK, Monster, The Tatami Galaxy

 

Samurai – subgénero histórico, em que os espadachins reconhecidos e altamente requisitados durante o Período Edo (Guerra Bakumatsu e afins), são peças de destaque na narrativa, sejam eles reais ou ficcionais. Ex: Samurai Champloo, Samurai 7 e Katanagatari

 

Vida Escolar – a história retrata acontecimentos envolvidos no seio escolar, onde os protagonistas são estudantes e grande parte das situações ocorrem no estabelecimento de ensino. Várias são as etapas escolares, pelo que a maturidade deste tipo de séries depende da idade dos protagonistas e das verdadeiras intensões dos seus criadores. Ex: The Melanchony of Haruhi Suzumiya, School Days, Sakurasou no Pet na Kanojo

 

Shōjo-ai – um subgénero associado a variados géneros e que assume todas as suas características, alterando apenas o tipo de romance envolvido. Em vez do romance homem-mulher o cenário muda para uma relação lésbica. Ex: Candy Boy, Simoun, Ga-Rei: Zero.

 

Shōnen-ai – um subgénero associado a variados géneros e que assume todas as suas características, alterando apenas o tipo de romance envolvido. Em vez do romance homem-mulher o cenário muda para uma relação entre dois homens. Ex: Junjou Romantica, Love Stage, No.6

 

 

Notas:

  • Este artigo foi construído com a abordagem mais objetiva e factual possível. Ainda assim, algumas das informações que aqui encontram, como os exemplos de cada etiqueta, foram decididas pela experiência e conhecimento da equipa ptAnime.
  • Este artigo poderá ainda sofrer retificações conforme o avançar do tempo, sempre que acontecer faremos o possível para que sejam informados do ocorrido.

 

4 comentários

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4 comentários

Leandro Santos 29 Abril, 2016 - 20:32

muito bom artigo João, Parabéns

eu que conhecia os nomes, ainda não conseguir inserir alguns animes nestas demografias.
porém acho que existem demasiados géneros, é um exagero

o exemplo que deste de Naruto deixou-me a pensar, eu percebi-o mas não sei se terá assim muita lógica quando visto aqui do ocidente, então basta ser publicado por outra revista para se mudar registo demográfico? então eu posso colocar qualquer tipo de género (menos adulto ou para menores como considerares) e se pretender posso colocar noutra revista que isso muda o rótulo? então sendo assim nem necessitava de rotular animes, mudava de revista e estava feito. é isto? não sei se me fiz entender

Responder
João Simões 29 Abril, 2016 - 22:24

Muito obrigado Leandro!

Portanto, a resposta é: sim e não.

Se for publicado por uma revista Seinen, a manga passa a ser Seinen. Daí o editores possuírem um papel importantíssimo no que diz respeito aos mangakas e às mangas. Um erro de um editor a julgar o conteúdo de uma obra, pode levar a colocar conteúdo menos próprio numa revista Shonen. Por isso é que por vezes existem casos em que mangas que começam Shonen, transitam para uma revista Seinen porque o conteúdo ultrapassou os limites da demografia. Ou seja, tu não podes desenhar uma manga com por exemplo violações e esperar que seja publicada na Shonen Jump, serás automaticamente transitado para a Young Jump. Esclareci?

Responder
Leandro Santos 30 Abril, 2016 - 17:52

sim sim, fiquei esclarecido e o que referes tem toda a lógica, quem sabe se essa mudança de revista não poderá ser por vezes puro marketing, já que se o editor mudar de revista o publico pode estar tentado a ir ver o porquê..

Responder
Ivandro Carlos Moreira 2 Agosto, 2016 - 14:20

Na realidade estão a complicar as coisas. O que temos é teoria de conjuntos, onde ambos a revista e as séries têm demografias, e como uma série esta dentro da revista, também tem a mesma demografia que a revista.
Ou seja o que determina a demografia não é a revista/local, pois a revista também é determinada pelo o que determina a demografia. E o que determina a demografia não é o local, mas o tipo de pessoas alvo.
É apenas óbvio se o alvo da revista é rapazes jovens, então não vai ter dentro dela séries cujo alvo não é esse. Ou seja o que a revista define é o que pode ou não fazer parte dela. Se tivermos uma revista definida pelo género, e tivermos uma revista de acção, então podemos instantaneamente dizer que todas as séries dentro dessa revista são séries de acção. No entanto é estúpido pensar que a razão para a série ser de acção é por estar na revista.

Quem decide a demografia da série, é completamente o autor, as pessoas não vêm isso como importante, mas é super importante quando se esta a fazer um produto ter uma ideia para quem e para o que estamos a fazer ele.
Quem decide a demografia da revista, e por isso as séries que entram na revista, são os editores. Os editores também gerem o Autor, dando concelhos e aceitando o esboço inicial dos capítulos. Por isso eles influenciam o produto final, mas como um treinador influencia os seus jogadores.

Se o Naruto fosse para uma revista seinen em vez de shonen, então o Kishimoto iria fazer as suas decisões tendo em consideração a alvo mais adulto, os editores que o iriam supervisionar e aconselhar iriam também ter em conta o alvo mais adulto. No final a história iria ser diferente e ser direccionada para um alvo mais velho.

Outra coisa, demografia não tem nada a ver com o conteúdo. Por isso a frase “Se Naruto tal como o conhecemos atualmente, em vez de ter sido editado pela Shōnen Jump tivesse sido editado na Young Jump, então este seria carimbado como Seinen e não como Shōnen, mesmo que o seu conteúdo fosse mais adequado para Shōnen.” Não faz sentido pois não existe “conteúdo” mais adequado para Shonen.
Sim, existe conteúdo que a sociedade não deixa ser mostrado a um certo tipo de pessoas e conteúdo que autores que trabalham para um dado tipo de pessoas gostam de fazer, mas isso não tem a ver com a demografia. No passado as coisas podem ter sido diferentes(e foram em diversos pontos, por exemplo a violência mostrada) e no futuro poderão mudar, mas nota que nada disso modifica a demografia.

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