Ginkaku-ji, o Templo Prateado

por Inês Marques
ginkaku-ji

Já apresentamos algumas curiosidades sobre o Kinkaku-ji, ou Pavilhão Dourado. Agora focamos a atenção numa outra grande atração da antiga capital imperial, o Ginkaku-ji, Pavilhão (ou Templo) Prateado.

 

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Um mapa do recinto à entrada do mesmo.

 

Situado na zona Este de Quioto, o Ginkaku-ji, tal como o seu counterpart dourado, funciona hoje em dia como um templo budista Zen. Mandado construir pelo oitavo shōgun do período Murumachi, Ashikaga Yoshimasa (1436-1490), em 1482, funcionou como sua residência após retirar-se da vida política até à sua morte, depois da qual foi transformado num complexo budista, muito à semelhança do que aconteceu com o seu avô Yoshimitsu e o Templo Dourado.

No entanto, nem tudo é o que parece. A primeira coisa que se repara na visita ao Templo Prateado é que, espantosamente, não é prateado. Existem algumas teorias que explicam a origem deste nome aparentemente enganador. A mais pertinente é a de que a intenção de Yoshimasa era a de revestir o edifício com folha de prata (como o Kinkaku-ji o é a folha de ouro), mas a situação política e económica do país na altura não permitiu a esse gasto desmedido. No tempo do seu avô, o país prosperava em todos os aspetos; no de Yoshimasa, o shogunato estava em grave declínio.

 

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O Pavilhão propriamente dito, rodeado pela natureza.

 

As personalidades de avô e neto também eram muito diferentes: Yoshimitsu estava bastante imerso no seu papel de shōgun e participava ativamente no governo; pelo contrário, Yoshimasa descurava nas suas funções, delegando-as excessivamente, e refugiava-se na cultura e aspetos mais “fúteis” da vida, tendo em conta a situação que o país atravessava. Por um lado, esta negligência resultou na queda do poder político central, levando a que o Japão mergulhasse numa guerra civil que durou um século. Por outro lado, este investimento acrescido da cultura levou ao seu grande desenvolvimento, e muitas formas de arte genuinamente japonesas que hoje tão bem conhecemos, como o Teatro Noh e a cerimónia do chá, floresceram neste período e preservaram-se até ao presente.

 

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O jardim de paisagem seca e, ao fundo, o Kogetsudai, uma construção cónica que pretende representar a lua quando vista de cima, também um elemento importante do recinto.

 

O que o edifício em si possa não ter de wow-factor, o resto do recinto compensa. Os jardins e lagos integrados na natureza são de uma impressionante beleza, e os jardins de paisagem seca estão por todo o lado, apelando à serenidade e paz de espírito. Também existe o Togu-do, outro edifício budista do complexo que é o exemplo mais antigo do estilo arquitetónico Shoin, e ainda o Hondo (Main Hall), onde existem belíssimas pinturas nos fusuma, as portas de correr e divisoras de sala japonesas. Infelizmente, estes edifícios raramente estão abertos ao público.

 

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O Togu-do à direita, e à esquerda o Hondo, semi-tapado pelas árvores.

 

Pela paisagem e harmonia, vale bem a pena pagar o bilhete de 500 ienes (cerca de €3.60) para uma visita ao Pavilhão prateado. Um autêntico salto no tempo para os entusiastas da História nipónica!

 

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