Glasslip | Análise

por Renato Sousa
Glasslip | Primeiras Impressões
Numa tentativa de misturar o duo habitual: romance/slice of life ao sobrenatural, a P.A. Works presenteou-nos com Glasslip durante a temporada do verão passado. Na altura, a estreia da série deixou bons indicadores. No entanto, com o passar das semanas a produção teve dificuldade em justificar essa mesma qualidade inicial…

Glasslip

Enredo - 4.7
Personagens - 5.7
Produção Visual - 9.3
Banda Sonora - 8.5

7.1

Bom

Dotado de excelentes trabalhos artísticos e de guiões muito fracos, Glasslip transformou-se numa obra capaz do melhor e do pior em simultâneo.

Avaliação dos Leitores do ptAnime: Sê o primeiro!
7

Numa tentativa de misturar o duo habitual: romance/slice of life ao sobrenatural, a P.A. Works presenteou-nos com Glasslip durante a temporada do verão passado. Na altura, a estreia da série deixou bons indicadores. No entanto, com o passar das semanas a produção teve dificuldade em justificar essa mesma qualidade inicial como se vai perceber nesta análise.

 

Glasslip | Enredo

Forçar dinamismo numa história nem sempre dá bom resultado!

Glasslip é o típico slice of life que, neste caso, acompanha a vida de seis estudantes em pleno verão. Cinco deles já se conheciam anteriormente, pelo que o destaque recai no aparecimento de Kakeru Okikura na região, personagem que vai modificar o destino traçado de alguns membros do grupo, seja de forma direta ou indireta.

Até aqui tudo bem, pois a obra seguia os passos tradicionais dos géneros identificados. Todavia, o principal problema do anime surgiu com a tentativa de se dinamizar o estilo escolhido. De forma a tornar as coisas diferentes, os responsáveis por Glasslip quiseram inserir os “fragmentos do futuro” que, como o nome indica, permitiam ver alguns acontecimentos ainda por realizar. Esta tentativa de marcar a diferença saiu “pior que a encomenda”. Os episódios foram passando e estas visões, que apenas surgiam nas mentes de Kakeru e Touko Fukami, (a grande protagonista!) não eram explicadas. O porquê de só duas personagens terem o dom da visão, o porquê de nem tudo o que aparecia nas visões se concretizar, o que eram os “fragmentos do futuro” na realidade, enfim, uma panóplia de questões que ainda hoje continuam sem resposta, já depois da conclusão da obra.

 

Anime Glasslip | Touko Fukami

Touko Fukami

 

Quando a própria simplicidade do enredo já é pobre …

Os “fragmentos do futuro” definitivamente não foram uma boa premissa, mas mesmo que o fossem a obtenção de bons resultados seria complicada à mesma. Isto porque a parte mais básica da construção desta trama nunca conseguiu passar para o lado do espectador aquilo que se esperava, isto é, emoção, sentimento e paixão. No sexteto protagonista em que umas personagens têm mais destaque do que outras, um conjunto de relações amorosas ou comportamentos com vista a isso mesmo ganham forma. Porém, nenhuma delas exibe intensidade emocional. Tudo decorre de forma muito pachorrenta e desenxabida que por vezes até é difícil manter a atenção na obra.

Olhando de forma mais atenta para as personagens, veja-se a relação entre Kakeru e Touko que passavam mais tempo a falar dos fragmentos e a orientarem as suas vidas nesse sentido do que a desfrutarem dos dias de verão fabulosos e a agirem de forma a tornarem-se mais íntimos. Bem, se daqui ainda resultaram pequenas coisas, então do mal o menos. Ao excluirem-se estes dois, sobram as duplas Yukinari/Yanagi que depois de andarem às “turras” por paixonetas diferentes mereciam um desfecho mais conclusivo, qualquer ele que fosse, e Hiro/Sachi. Este último casal então é que pouco ou nada ofereceu à série. Em 80% das cenas onde surge, Sachi está sempre acompanhada por um livro. A rapariga dá mais atenção e importância a este tipo de objetos do que ao seu apaixonado ou até mesmo a Touko, com quem tem uma amizade forte, pelo que desta “devoradora” de livros nunca se esperou nada de interessante.

 

Análise Anime Glasslip | PA Works

 

Glasslip | Ambiente

Uma conceção gráfica de luxo!

Na altura em que fiz as primeiras impressões à série conferi-lhe uma boa classificação, pois o enredo ainda estava muito verde enquanto que os planos de fundo das cenas já saltavam à vista de qualquer um. Aqui deixo os meus sinceros parabéns a quem trabalhou no desenvolvimento desta área da produção, pois os resultados são dignos de fazerem inveja a muitas obras. As paisagens das montanhas e restantes espaços verdes assim como as zonas citadinas por onde circulam os protagonistas estão fabulosas. O mesmo se pode dizer da concepção das personagens. Cheias de estilo! O vestuário e a diversidade de cores assentam que nem uma luva em todas elas. Os movimentos/animação das personagens também não deixam nada a desejar.

 

As melodias de Glasslip são para os ouvidos de qualquer um!

Se na parte do desenho a P.A. Works fez um grande trabalho, é também um dever da minha parte destacar a banda sonora. As badaladas suaves e relaxantes que tocam durante os episódios são de grande nível, com especial destaque para aquelas em que entra o piano em ação. Um dos melhores momentos é mesmo quando a mãe de Kakeru decide tocar um dos seus recitais para a família de Touko. Excecional!

O relevo que a música tem direito durante os vários capítulos de Glasslip não é tão acentuado no ending da obra. Já o opening é um daqueles momentos em que se junta a elevada qualidade das principais caraterísticas ambientais, ou seja: música, desenho e animação de alto nível.

 

Glasslip Anime | Verão 2014

 

Glasslip | Juízo Final

Glasslip é daquelas obras capazes do melhor e do pior em simultâneo. Se a obra nos apresenta um enredo de tão pouca qualidade que até dá dó, do outro lado há um trabalho desenvolvido magnífico no que à música reproduzida durante o anime diz respeito, tal como na conceção das paisagens da região onde todas as peripécias se desenrolam.

Ao juntar-se tudo isto percebe-se que o responsável pela criação desta história e seus ajudantes não tiveram capacidade para acompanhar o talento e o trabalho desenvolvido pelas outras partes do projeto. Neste caso, não havia mesmo conceções gráficas e melodias capazes de salvarem o guião elaborado. Quando se começou a falar nos “fragmentos do futuro”, uma comparação com o filme “The Girl Who Leapt Through Time era previsível. Infelizmente, não chegou a haver comparação possível.

Sinceramente, não me parece que alguém vá ver Glasslip apenas e só para apreciar o plano de fundo e seus aspetos envolventes, pelo que acabo por considerar esta produção uma perda de tempo, num tom bastante injusto para alguns dos trabalhadores deste projeto.

 

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