JoJo’s Bizarre Adventure – Parte#1 e #2 | Análise

por Pedro Costa
Jojo's Bizarre Adventure Manga
JoJo's Bizarre Adventure (2012) é a adaptação anime do épico manga de Hirohiko Araki, com o mesmo nome. O manga iniciou a sua longa caminhada em 1986 e até à data possui uma história dividida em 8 partes. Esta adaptação, surge em comemoração dos 25 anos da série manga e compreende…

JoJo's Bizarre Adventure

Enredo - 7.5
Personagens - 8
Produção Visual - 7.8
Banda Sonora - 8.4

7.9

Bom

Pontos Fracos: Estilo e ideias de apresentação do conceito difíceis de recomendar ao fã mais casual. Phantom Blood arrasta-se um pouco.

Pontos Fortes: Personagens principais muito cativantes, obra ambiciosa com excelente banda sonora, muito "cheese" e divertimento.

Avaliação dos Leitores do ptAnime: 4.48 ( 3 votos)
8

JoJo’s Bizarre Adventure (2012) é a adaptação anime do épico manga de Hirohiko Araki, com o mesmo nome. O manga iniciou a sua longa caminhada em 1986 e até à data possui uma história dividida em 8 partes.

Esta adaptação, surge em comemoração dos 25 anos da série manga e compreende as duas primeiras partes da aventura de JoJo: Phantom Blood (episódios 1-9) e Battle Tendency (episódios 10-26). Enquanto que por um lado a saga Phantom Blood já tenha sido retratada em filme, que foi lançada em 2007, Battle Tendency nunca tinha chegado aos olhos do ávido espectador de anime.

Esta adaptação conta com a produção da David Production e da Warner Bros. É importante destacar o envolvimento de Yasuko Kobayashi, que entra para o projeto JoJo para realizar a composição da série, após ter trabalhado em projetos como: Claymore, Garo: Hono no Kokuin e Attack on Titan.

 

Jojo's Bizarre Adventure | Outono 2012

JoJo’s Bizarre Adventure

 

Agora era aquela parte em que vinha a história de JoJo’s Bizarre Adventure, não?

JoJo é especial. O anime (e o manga também!) deve ser visto com o estado de mente correto, ou seja, quando optamos por embarcar nesta saga devemos ter a mínima noção do que vamos assistir, correndo o risco, caso contrário, de ficarmos muito desiludidos com a série.

Eu sei que dizer isto faz, logo à partida, muitas pessoas ficarem de pé atrás com o anime, mas a verdade tem que ser dita e JoJo’s Bizarre Adventure não é uma série fácil de recomendar. É necessária já alguma experiência neste nosso amor de ler manga e ver anime, para nos sentarmos e de fato apreciarmos JoJo por aquilo que ele é, e pelo objetivo para o qual foi concebido.

Posto isto, e apesar de todos os entraves, vou embarcar no desafio hercúleo de analisar esta obra e explicar o porquê de ser tão especial.

 

Anime Jojo's Bizarre Adventure

JoJo – Battle Tendency

 

JoJo’s Bizarre Adventure | Levantando um pouco o véu da história…

Quando se fala na história de JoJo’s Bizarre Adventure há duas ideias principais a reter e que cobrem os pontos relevantes desta, sem estragar ou comprometer a visualização/leitura da obra.

A primeira é que JoJo’s Bizarre Adventure se trata de uma saga que atravessa várias gerações. Pegando nestas duas primeiras partes, assistimos a duas gerações distintas da Família Joestar. A história da Parte 1, Phantom Blood, é passada nos finais do século XIX e a da Parte 2, Battle Tendency, decorre 50 anos depois.

A segunda é o principal objetivo dos nossos protagonistas já que, em ambas as gerações, tal objetivo está associado a uma misteriosa máscara de pedra que confere poderes incríveis ao ser humano por ela possuído, transformando-o num “vampiro”.

 

Jojo's Bizarre Adventure | David Production

A Máscara que desencadeia os acontecimentos em JoJo’s Bizarre Adventure

 

Na Parte 1, temos a clássica batalha do bem contra o mal, da luz contra a escuridão, o duelo de ideais e, acima de tudo, o duelo de homens na pele Dio e JoJo.

Na Parte 2, temos a jornada de JoJo à descoberta da origem da misteriosa máscara e o seu embate com as “divindades” a ela associadas. Deixa de ser um duelo de preto e branco e passam a existir bastantes tons de cinza de parte a parte, algo que esmiuçarei com mais detalhe noutro ponto desta análise a JoJo’s Bizarre Adventure.

 

Jojo's Bizarre Adventure | Outono 2012

Kars, Esidisi, Wamuu – As três “divindades” de Battle Tendency

 

Hirohiko Araki, “Oh Captain, My Captain”!

Falar do estilo e das caraterísticas do enredo e personagens de JoJo’s Bizarre Adventure é falar de Hirohiko Araki, o autor do manga que dá origem a este anime e do qual a série “bebe” da melhor maneira, a meu ver.

A intenção de Araki-sensei com JoJo era criar uma obra tendo por base um método clássico e introduzindo elementos mais modernos e diversificados de forma singular. Esta intenção reflete-se no estilo de animação que desenvolveu para o manga e que foi bem adaptado no anime.

 

Manga Jojo's Bizarre Adventure | Hirohiko Araki

Imagem retirada do Manga de JoJo

 

Jojo's Bizarre Adventure | David Production

Cena retirada do Anime de JoJo

 

Araki-sensei tem por hábito desenhar de forma bastante realista, usa cenários, épocas e locais reais. Como por exemplo: em Phantom Blood (Parte 1) ele é o mais fiel possível ao ambiente londrino nos finais do século XIX, algo que se nota não só na arquitetura que representa como também nas roupas que as personagens usam.

A este “cinzento” mundo “repetido”, o Sensei explode, usando coloração completamente invulgar“dissonante”, sobretudo quando quer representar cenas de grande tensão emocional entre personagens ou cenas de conflito interior ligadas ao subconsciente.

 

Jojo's Bizarre Adventure | Outono 2012

JoJo em choque – Coloração “dissonante” de Araki-sensei

 

No anime torna-se particularmente excitante vermos JoJo com o seu belo casaco tweed castanho e o seu cabelo revolto azul de repente apresentar-se colorido, em tons de verde, olhos rosa e o fundo a passar de rosa, para azul, para verde.

É sem dúvida uma surpresa vermos estas explosões de cor, estes caleidoscópios magníficos, acompanhados por uma excelente banda sonora a marcar o tom de uma bela cena de JoJo’s Bizarre Adventure.

 

Jojo's Bizarre Adventure | David Production

JoJo – Versão “Sherlock”

 

Outro detalhe interessante que muito me apraz ter sido adaptado no anime foi o uso das onomatopeias e interjeições, caraterísticas das obras manga, na sua font chamativa. O seu uso aqui, de forma igualmente “berrante”, ajuda muitas vezes a dar o cunho pessoal e a vincar as características particulares de JoJo’s Bizarre Adventure.

 

Jojo's Bizarre Adventure | David Production

JoJo & Caesar

 

A meu ver, e voltando ao duelo entre o desenho realista versus o irrealista, esta convivência de estilos leva a que aconteça um dos mais belos exercícios de genialidade da parte do autor de JoJo.

 

Jojo's Bizarre Adventure | Outono 2012

O jovem Dio Brando entra em cena!

 

Ao fazer settings tão realistas, nós, o espetador (ou leitor), não nos perdemos com tanta facilidade no mundo que ele criou, uma vez que o mundo existe e já foi “visitado” vezes sem conta. Com naturalidade, o nosso foco muda, quase 100%, para os protagonistas, e é aqui, nestes elementos, que Araki-sensei mais se destaca e mais se desvia do método clássico de construção narrativa.

Hirohiko Araki, pega no setting por ele gerado, deixa que ele molde ligeiramente a personagem para que se encaixe, pelo menos, na época que representa e, de seguida, liberta-as das amarras de histórias “mil vezes contadas” e experimenta vários estilos diferentes de protagonistas, fato que foi admitido pelo próprio.

Isto torna JoJo’s Bizarre Adventure uma experiência abrangente e maravilhosa.

 

Anime Jojo's Bizarre Adventure

JoJo – Parte 1: Phantom Blood

 

Anime Jojo's Bizarre Adventure

JoJo – Parte 2: Battle Tendency

 

O mesmo se passa com as particularidades das personagens. Araki-sensei, queria explorar o mundo dos superpoderes e da energia oculta, o que o levou a criar novas formas de expressar poder na sua obra, de modo a conferir o aspeto místico e de incrível aos seus protagonistas.

 

Jojo's Bizarre Adventure | Outono 2012

Exemplo de um ataque com recurso a Hamon

 

Nestas duas partes somos introduzidos ao Hamon ou Ripple, algo que nunca é bem entendido como funciona, mas que deriva de uma ligação entre o sujeito e a energia do sol, permitindo ao mestre realizar atos incríveis e técnicas fantásticas.

 

Jojo's Bizarre Adventure | Outono 2012

Zeppeli, o Mestre & JoJo, o Herói

 

Pegando em exemplos concretos de personagens, em Phantom Blood, temos o duelo branco contra preto, bem contra mal, entre JoJo e Dio. Na primeira parte da história, Araki-sensei, quis dar um cunho pessoal ao mais velho dos clássicos.

Temos o vilão realmente vil, sem pingo de bondade ou remorso, alguém que se move pelos seus interesses pessoais, que quer dominar o mundo e todos nele, e que vê no nosso protagonista o seu mais importante rival, que tenta espezinhar com toda a razão do seu ser. Este é Dio Brando, mestre da máscara e vampiro de excelência.

 

Jojo's Bizarre Adventure Anime 2012

Dio Brando

 

Temos um herói, forçado a crescer e tornar-se capaz, de modo a poder lidar com o seu malévolo rival, um verdadeiro cavalheiro britânico, honrado, humilde, com valores e carinho, que encontra um mestre que lhe ensina um arte oculta para defender os seus do mal emergente. Este é JoJo (Jonathan Joestar na Parte 1), aprendiz de Hamon e corajoso sem igual, alguém que faz tudo pelo bem e pelo bem estar de quem ama.

 

JoJo no Kimyou na Bouken 2012

JoJo numa cena bem emotiva e ternurenta

 

Falando um pouco do negativo, quando comparado com Parte 2  e adiante, sente-se que a Phantom Blood lhe falta “sal”, falta-lhe pacing, que a história, apesar de ter apenas 9 episódios, é demasiado lenta e sem grande estímulo. Uma das razões apontadas, com a qual eu concordo em parte e entendo o motivo, é o facto de as personagens não acrescentarem nada de novo, parece que já vimos este desenvolvimento vezes sem conta e bem é verdade.

Uma ressalva é, talvez, que apesar do anime ter saído em 2012, a obra remonta a 1986, por isso é necessário colocar-mo-nos na posição de que Phantom Blood, na altura, não seria o cliché que é agora.

Mas reitero, apesar de gostar imenso da escalada de Dio ao seu estatuto de grande vilão e de ver pela primeira vez os conceitos de Hamon e dos poderes da máscara, considero que o pacing de fato prejudica um bocado JoJo’s Bizarre Adventure e que tudo parece muito repetido, embora entenda que isso seja mais erro do meu cérebro que do anime.

 

Jojo's Bizarre Adventure | David Production

Dio. o grande Vilão

 

Posto isto, é fácil concluir que prefiro a Part 2: Battle Tendency. Tem um desenrolar mais fluído, com mais surpresas e detalhes novos que nos prendem e nos provocam as mais variadas emoções.

O setting, em Nova Iorque nos anos 30, molda logo a forma geral de ser das personagens e, como já falei antes, aqui temos um herói com muitos tons de cinzento.

JoJo, na Parte 2, é um jovem convencido, muito presunçoso, trapalhão, muitas vezes rude e que parece um alheado da vida, que fala alto e parece um rebelde á la James Dean. Na verdade esta forma de ser, esconde o talento e inteligência incrível que JoJo possui. Em combate, com o seu inteleto e Hamon, ele consegue subverter de forma sempre fantástica e inesperada os oponentes, e sempre da forma mais arrogante possível lhes explica onde eles falharam.

 

Anime JoJo no Kimyou na Bouken

Lisa Lisa e JoJo (Parte 2)

 

Sem estragar nada, quero dizer que aqui JoJo deixa de ter um mestre para ter um brother in arms, um rival e amigo, alguém ao estilo Sasuke e Naruto que faz o nosso herói pensar, “contra ele não posso perder, tenho que ser melhor”. Esta dinâmica entre eles também contribui para dar vida à história de JoJo’s Bizarre Adventure e proporcionar boas gargalhadas.

 

Jojo's Bizarre Adventure Anime 2012

Caesar & JoJo (Opening)

 

Os vilões em Battle Tendency são sobretudo três. Três “divindades” que estão relacionados com a origem da máscara. Nenhum deles é Dio, e sinceramente nenhum conseguiria chegar a esse patamar de “badass“, mas são bons vilões, cada um com as suas particularidades distintas, envoltas num grande manto de objetivo comum e propósito.

Em particular, na Parte 2, não encontro falhas gritantes, sobretudo tendo a Parte 1 como termo comparativo, Battle Tendency apresenta melhorias significativas, tanto na arte como na delicadeza do uso das quebras de cor e desenvolvimento das personagens.

 

Anime JoJo no Kimyou na Bouken

Lisa Lisa – Típica alteração de cor em JoJo’s

 

Se calhar era boa ideia terminar e dar o meu veredito!

Agora que falei um pouco de ambas as partes, quero dar umas considerações finais, umas boas e outras menos boas, sobre o anime e a obra como um todo.

JoJo’s Bizarre Adventure não é facil de digerir, o estilo particular que o envolve dificulta a visualização para o espectador anime que está a iniciar a sua caminhada por este mundo, ou pelo espectador que sabe o que quer e gosta de linhas bem traçadas.

O absurdo overacting em JoJo, a enorme quantidade de masculinidade suprema que as personagens apresentam, as linhas grossas, os corpos insuflados dos protagonistas com os seus queixos de super herói e os acontecimentos muitas vezes mal explicados, servem como barreira para a visualização da série.

Mas depois tem detalhes, como o nome das personagens, que só por si já valem a pesquisa sobre a obra. Nomes como Dio, Zeppeli, Kars, Wamuu, Esidisi, Robert Edward O. Speedwagon ficam na cabeça e tenta-se descobrir o elo de ligação e de repente… DIO, Zepplin, CARS, Wham, AC/DC e REO Speedwagon.

É como ser assaltado à noite por um peluche!

Outro detalhe que apenas referi brevemente é a banda sonora, mas é incrível, e usa todo a gama possível de estilos e nunca cansa. Até dubstep tem! Eu gosto tanto que estou sempre a ouvir os temas de abertura.

Há ainda a particularidade de o tema de encerramento ser sempre o mesmo, sendo as passagens da música diferentes consoante o segmento da história. O tema é um dos favoritos de Araki-sensei, que ele ouviu quando escreveu a obra, Roundabout dos Yes.

 

Anime JoJo no Kimyou na Bouken

JoJo (Opening Parte 2)

 

O meu conselho final é: VEJAM JoJo’s Bizarre Adventure! Quando sentirem que necessitam de algo novo e especial, quando quiserem ver mutações inovadoras entre cada pedaço de história, VEJAM!

Pensem o quão difícil deve ser, alterar o estilo, desenvolvimento e características das personagens e manter a obra coesa e interessante a cada passo. Imaginam isso acontecer em Naruto ou BleachSe entre cada arc, o Naruto e o Ichigo fossem outros e mudassem quase completamente, funcionava?

Aqui funciona, não só funciona como é viciante a forma como devoramos a parte de JoJo em que estamos e o quanto queremos ver a próxima, para ver como será o protagonista, como serão os vilões, que poderes incríveis vão aparecer.

Se mesmo depois de tudo o que disse não conseguirem ver ou não gostarem de JoJo’s Bizarre Adventure, eu entendo e quero que me digam a vossa opinião.

Se decidirem embarcar nesta bizarra aventura só digo, coragem e boa sorte!

 

Opening JoJo’s Bizarre Adventure Parte 1: Phantom Blood

 

Opening JoJo’s Bizarre Adventure Parte 2: Battle Tendency

 

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