K-pop – Disbands e Ocidentalização

8 Agosto, 2017  Por Nayuki 
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Quando comecei a entrar no mundo do K-Pop e a conhecer aos poucos os nomes que integram este movimento, rapidamente percebi que por detrás de tanta perfeição, “amizade” e jovens bonitos se esconde uma indústria.

 

 

K-pop – Disbands e Ocidentalização

 

Vamos por partes. O Pop em si é uma indústria em todo o lado, tanto nos Estados Unidos como no Japão ou na Coreia. Existe uma preocupação enorme com as aparências e com o conteúdo que sai para o mercado, mas na Coreia isto é levado a um extremo. Dificilmente vai acontecer aquilo que acontece no ocidente: os membros conhecem-se lá na escola secundária, começam a tocar na garagem de um tio e eventualmente são descobertos e acabam nas rádios.

 

K-pop - Disbands e Ocidentalização

2PM serão eternamente os amores da minha vida.

 

Na Coreia do Sul temos entidades que são produtoras de músicas e ao mesmo tempo agências de talentos. Entre elas podemos referir a SM Entertainment, YG Entertainment e JYP Entertainment[1] – nomes bem conhecidos dos fãs de K-pop. Sendo uma indústria que movimenta milhões dentro e fora da Coreia, os grupos do género são meros produtos para estas empresas. “Credo, Nay! Que frieza!”.

 


KARD – Conhece o grupo K-pop que vem a Portugal


 

Como fã de K-pop é óbvio que eu gosto da sonoridade e do estilo em si, contudo não é novidade que neste mundo de idols o talento vocal não é o fator chave. Se acompanham o género têm noção que rostos bonitos, corpos magros e expressões angelicais são o prato do dia destas empresas que controlam tal monopólio. Estas agências pegam em jovens que representam o “padrão de beleza” coreano e formam grupos. Havendo também uma pressão constante que leva os idols a fazerem dietas mirabolantes e uma data de cirurgias ao longo das suas carreiras.

 

K-pop - Disbands e Ocidentalização

T.O.P integrante dos Big Bang envolveu-se em polémicas por ter fumado erva.

 

Com isto não quero eu dizer que dentro de um grupo não seja possível criar laços entre os membros e haver sim uma relação de companheirismo. Mas geralmente, o que liga estes meninos(a) bonitinhos(as) também é um contrato. Podemos usar como exemplo as Girls Generation.[2] Estão juntas desde 2007 e mesmo assim em 2014, Jessica abandonou o barco alegando que as restantes integrantes do grupo foram injustas com ela. Parem para pensar, sete anos de estrada juntas…

Uma coisa interessante é que a maioria dos grupos que dão disband são girl groups.[3] Porquê? Mulheres por si só são mais individualistas e têm maior tendência para tentar passar a perna umas às outras, mas também vale a pena salientar que hoje em dia, os grupos de K-pop mais populares dentro e fora das fronteiras da Coreia são masculinos. Não é muito diferente do que acontece no ocidente se pensarem bem. One Direction teve um boom monstruoso, mas as Little Mix, por exemplo, que surgiram da mesma maneira, fizeram sucesso mas nada que se possa comparar.

 

K-pop - Disbands e Ocidentalização

4minute – Este disband foi difícil de engolir.

 

Porquê que se tem falado tanto de disband?

Disband e problemas internos dentro dos grupos de K-pop sempre houveram. Podemos relembrar a saída de Jay Park dos 2PM em 2009[4] que continua a ser até hoje um dos maiores mistérios da indústria. O problema é que nos últimos dois anos, alguns dos grupos que popularizaram o K-pop nas terras ocidentais e que trouxeram tantos de nós para o género tiveram o seu fim. Wonder Girls, 2NE1 (este aqui dá-me uma tremenda vontade chorar) e 4minute são alguns dos nomes que abandonaram o cenário da música pop coreana.

 

K-pop - Disbands e Ocidentalização

Sistarsepararam-se em Maio deste ano.

 

Estes grupos, apesar de serem referências fortes dentro do género, são bandas que foram perdendo o poder na indústria. Tirando Big Bang que se tem mantido no topo há vários anos, são poucos os grupos que conseguem o mesmo feito. É preciso entender que apesar de terem fãs no ocidente, o K-pop era adorado por grupos específicos de pessoas. A maioria das músicas coreanas não são plausíveis para nós de olhos grandes. E antes que digam que gostam do PSY… o que aconteceu com Gangnam style foi um caso pontual e dificilmente se repetirá.

Por este motivo o K-pop teve de se adaptar a um novo mercado, a América e a Europa. Se antes o máximo que tinham de conquistar eram os vizinhos nipónicos – e diga-se de passagem que J-pop e K-pop não têm assim tantas diferenças para isto ser um trabalho árduo – agora é preciso embarcar numa fase. E sim, as produtoras já sabiam que o k-pop “tradicional” não teria muito sucesso por estas bandas. As Wonder Girls, por exemplo, tiveram um feat com Akon em 2012 que chegou às incríveis 12 milhões de visualizações no youtube– sem contar com o videoclip ridículo.[5]

Então veio 2014, o ano em que muitos fãs do K-pop “antigo” afirmaram que seria a morte do género. Além de ter sido um ano marcado por polémicas e infortúnios, desde drogas a mortes, foi um ano onde os lançamentos foram realmente diferentes. O R&B fez-se sentir, a introdução do inglês foi mais forte que nunca e os duetos foram o pão nosso de cada dia.

 

 

Analisando a imagem acima podemos ver que, em 2014, T-ara e 2NE1 por exemplo foram arrumadas e o seu lugar dado a montes de feat. Em 2015 temos Big Bang e EXO a tomar o poder e deixar novamente aqueles nomes outrora poderosos para trás. (Não me perguntem o que é aquele Sugar dos Maroon5 ali no meio). Depois chegou o ano de 2016, onde BTS arrecadou uma popularidade tão grande dentro e fora da Coreia do Sul. [6]

Agora, vem aquela pergunta: A mudança foi boa ou má? Acho que isso é muito relativo, como quase tudo no mundo da música. Por um lado nunca houve tanta gente a ouvir K-pop no mundo inteiro. Deixou de ser um hobbie dos otakus ou dos fãs de dorama. Por outro lado, quem ouve K-pop há alguns anos viu os seus grupos favoritos a afastarem-se ou a saírem da ribalta.

No final das contas, julgo que este fenómeno acontece em todos os géneros e um bocado por todo o mundo. Sendo o K-pop um mercado tão vasto e que move tanto dinheiro, é normal que surjam alterações. Julgo que agora é esperar para ver o que o futuro reserva. BTS, EXO e RedVelvet não têm feito um mau trabalho. Em relação à ocidentalização do K-pop, essa sim veio para ficar.

 

K-pop - Disbands e Ocidentalização

Jungkook dos BTS – É muita fofura num só maknae.

 


Leituras recomendadas sobre o tema:


 Referências bibliográficas:

 

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Nayuki
Chibi Tsundere que adora escrever. Viciada em animes e fã de Slice of Life. Gosta de chocolate e de livros. Acha que Clannad é o melhor anime do mundo. Vê hentais sem tentáculos de vez em quando. Ouvinte assídua de K-pop e Army de coração.







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