Kingdom Hearts – Análise Playstation 4

por Ricardo Nogueira
Kingdom Hearts - Análise Playstation 4

Nome: Kingdom Hearts Final Mix
Produtora: SquareEnix/Disney Entertainment
Distribuidora: Square Enix
Plataformas: Playstation 2; Playstation 3; Playstation 4
Género: JRPG, Aventura, Acção
Horas de Jogo: 40

 

Kingdom Hearts Final Mix – Análise Playstation 4

 

 

Com o terceiro jogo principal já a receber trailers e a tornar-se mais do que uma mera promessa, decidi que está na altura de rejogar todos os jogos da saga Kingdom Hearts.
Para quem acabou de acordar de um coma que começou em 2002, Kingdom Hearts é a série de jogos desenvolvida pela Square Enix (na altura ainda SquareSoft) em parceria com a Disney. Sim, isso quer dizer que personagens de Final Fantasy interagem com as da Disney! Imaginam o Hércules a pegar num Cloud inconsciente, ou o Donald a mandar vir com o Sephirtoh?

 

 

Kingdom Hearts Final Mix - Análise Playstation 4

Não estou a gozar. Isso acontece mesmo!

 


É ridículo quando explicado assim, mas o produto final é super divertido, e é uma das franquias da Square que mais dinheiro faz.
Sem mais demoras, vamos à análise do primeiro jogo da série Kingdom Hearts!

 

Kingdom Hearts | Enredo

Esta epopeia de 9 jogos (até agora) começa quando três miúdos, o protagonista Sora, o frienemy Riku e a crush Kairi decidem construir uma jangada para sair do arquipélago onde moram e explorar outros mundos.

Claro está que nada é assim tão simples, e o mundo deles é atacado pela Escuridão, sobre a forma de Heartless, os inimigos de Kingdom Hearts. Heartless são bichos, alguns fofos outros não, que são de facto a personificação da escuridão dentro dos nossos corações.
Fala-se muito de Corações, Luz e Escuridão em Kingdom Hearts. É bastante importante!

O Riku aceita a Escuridão no seu Coração (vê-se logo que não gostava de Jesus, o herético!), a Kairi desaparece misteriosamente quando vai contra nós, e o Sora é transportado para outro mundo. Em paralelo, o Rei Mickey abandonou o seu reino repentinamente, deixando apenas uma carta. O Feiticeiro Donald e o Cavaleiro Goofy (“Pateta” para os Portugueses puristas) ficam encarregues de encontrar o “portador da chave” e ajudá-lo na sua jornada. O que será esta misteriosa chave? Uma palavra para descrever algo que abrirá o caminho até ao paradeiro do Rei? Será a chave para o coração da Minnie?

Não, é literalmente uma chave gigante com um punho que Sora usa para espancar os Heartless.

 

Kingdom Hearts Final Mix - Análise Playstation 4

Chave gigante? Sapatos gigantes? O que estás a compensar, Sora?

 

A Keyblade, como é chamada, escolheu Sora como o seu mestre. Quando o Donald e o Goofy o encontram no início do jogo, vamos na nave feita de gomas deles de mundo em mundo a fechar as fechaduras dos corações com ela. Algumas pessoas pensam que o jogo é ridículo. A minha namorada, por exemplo, acha que é estúpido e que a Disney irrita. Mas ela gosta mais de Digimon do que de Pokémon, e namora comigo, por isso já se sabe que os gostos dela são lixo!

O enredo da saga Kingdom Hearts não é simples, estando muitos eventos interligados, mas as coisas neste primeiro jogo são bastante lineares. E apesar de no fundo se sumarizar a “a amizade é a força”, a caracterização dos personagens é muito divertida. O jogador fica mesmo a ver o Donald e o Goofy como amigos para a vida! O facto é que a popularidade destes personagens tem vindo a ser revitalizada nos últimos 15 anos com a ajuda de Kingdom Hearts.
Como bónus, foi aqui que o mundo descobriu pela primeira vez como raios se pronuncia Tidus. Só isso eleva a escrita do jogo a estatuto de clássico.

 

Kingdom Hearts Final Mix - Análise Playstation 4

Ao menos o meu pai não é uma baleia com carraças, Tidus.

 

Kingdom Hearts | Jogabilidade

Sendo o primeiro jogo da série, série essa experimental e apontada para jogadores mais jovens, a jogabilidade pode ser considerada simples. As batalhas são em tempo real e bastante fast-paced, mas na dificuldade mais fácil resumem-se apenas a esmagar o X até ganhar. Na dificuldade mais alta, a estratégia é chave (ahah!), tendo o jogador de planear que skills equipar, esquivar-se dos ataques que podem destruir-nos num segundo, e até mesmo recorrer a summons.

De modo geral, o sistema de combate é divertido, empolgante e simplesmente bom. Tão bom, aliás, que eventualmente evolui para o sistema de combate do Final Fantasy XV. Vêm? Estão sempre a aprender coisas novas!

A jogabilidade de Kingdom Hearts tem falhas, no entanto. Tanto dentro como fora do combate. Principalmente no que diz respeito à inteligência artificial. Quem já jogou sabe do que é que eu vou falar a seguir.

 

Kingdom Hearts Final Mix - Análise Playstation 4

Era quem lhe desse um estouro naquele bico.

 

Meus amigos, não há maneira de não concordar: o Donald é estúpido. O Donald é uma besta traidora, cuja principal função é curar-nos quando a nossa vida está crítica. Mas o Donald, energúmeno como é, prefere pôr-se à nossa frente, a estorvar-nos. Aquele pedaço de cócó branco e azul com penas olha para nós, a nossa vida por um fio, intravenosa de soro já no braço, e manda um relâmpago para um Heartless amarelo. Os amarelos refletem magia de relâmpagos, meu cretino. O Donald é tão notoriamente burro que há memes sobre isso.

 

Mas o Goofy não escapa à crítica, apesar de ser competente nas batalhas. Este lobisomem anorético cujo nome literalmente significa “Imbecil” está sempre a pôr-se à nossa frente, a impedir o caminho. Sabem quando estão a caminhar na rua e alguém se desvia ao mesmo tempo que vocês, e começa aquela “dança” de 5 segundos em que ambos se tentam desviar? Essa é a vida do Goofy, todo o dia, todos os dias. Adicionem isso a uma mecânica de saltar pobre e a uma câmera que tem tendência a focar na parede, e as partes de platforming de Kingdom Hearts são no mínimo frustrantes.

A versão Final Mix adiciona novas cutscenes, novos bosses secretos, novas armas e habilidades. E graças a Deus Jeohova Jesus Allah Buda, podemos agora saltar à frente as cutscenes antes de repetir uma batalha pela 234ª vez porque o Donald não nos curou.

 

Kingdom Hearts | Estética e Som

Com o novo remaster em HD, pode-se dizer que os gráficos de Kingdom Hearts envelheceram bastante bem. As fortes cores folclóricas dão o característico aspeto de desenho animado e as animações são fluidas. Para além disso, mesmo após 15 anos, os efeitos de magia e de luz são dos melhores que já vi! Para além de algumas caras mais low-poly em cutscenes secundárias, não se nota a idade do jogo. Kingdom Hearts também é um testamento ao design do início dos anos 2000. Cintos, zippers, fivelas e bolsos adornam toda a superfície das roupas de toda a gente. Os personagens dos Final Fantasies também levaram com alterações de design, por sinal bastante porreiras. O Cloud tem a sua buster sword envolta em ligaduras! A Yuffie tem meias até à coxa! O Squall tem… 4 cintos nas calças?

 

Kingdom Hearts Final Mix - Análise Playstation 4

Olá, a minha espada é uma pistola e demoro 2 horas a ir à casa de banho.

 

No que diz respeito ao Som, Kingdom Hearts conta com a banda sonora original da brilhante Yoko Shimomura. A maioria da banda sonora é calma e melancólica, com forte uso de piano, e combina perfeitamente com o jogo. E não se pode deixar de mencionar a Simple and Clean escrita e interpretada por Utada Hikaru! A compositora também fez um excelente trabalho a adaptar músicas de obras da Disney e Final Fantasy. Entre estas temos This is Halloween, Under the Sea, One-Winged Angel, entre outras!

O uso das músicas icónicas dos filmes é complementada com o casting dos atores originais para a voz dos personagens, na maioria dos casos. Os personagens novos também tiveram direito a voz fornecida por atores profissionais, como Haley Joel-Osment (o miúdo do Sexto Sentido) e Hayden Panettiere (a miúda imortal do Heroes). De um modo geral, a Estética e o Som de Kingdom Hearts é sólida e agradável. Só peca um bocado nos personagens de Final Fantasy, que tiveram em Kingdom Hearts vozes pela primeira vez, o que levou a um casting mais fraco.

 

Kingdom Hearts Final Mix - Análise Playstation 4

A actriz que dá a voz à Aerith interpretou-a fielmente: Morta.

 

Kingdom Hearts | Juízo Final

Kingdom Hearts é um jogo que apesar de parecer simples, abre portas para um universo conjunto de Final Fantasy e Disney que se mantém forte mesmo após década e meia. Divertido e adorável, este capítulo da saga puxa pelos nossos sentimentos com personagens bem caracterizadas, melancolia, e um intemporal enredo de Bem contra o Mal. Os percalços da jogabilidade, se bem que frustrantes, não são suficientes para estragar o jogo. Recomendo vivamente a quem nunca experimentou e a quem gosta de Final Fantasy e/ou da Disney. No entanto, fiquem avisados: se gostarem, têm mais 8 jogos pela frente se quiserem captar a história toda!
A quem já jogou, ficam os tópicos para discussão: Qual é o vosso mundo preferido? E qual foi a altura em que mais desejaram ardentemente a morte do Donald? Digam-me nos comentários!

 

 

 

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