Kobato. | Análise Manga

por Raquel Cupertino

Título: Kobato.
Autor: CLAMP
Seriação: Newtype
Géneros: Aventura, Fantasia, Romance
Demografia: Shoujo

 

Kobato. trata-se do título de uma das obras do conceituado grupo de artistas CLAMP. A CLAMP é famosa pelas suas criações originais onde o design possui características únicas, repleto de detalhes florais e indumentárias vitorianas rebuscadas. Kobato. não podia ser exceção, e desde o primeiro capítulo que é perceptível o cunho das criadoras em bem mais que a atmosfera única.

 

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Kobato. | Enredo

A protagonista, tal como em Card Captor Sakura (pessoalmente a minha obra preferida), trata-se de uma ingénua, e muito pouco independente, menina com um coração demasiado bondoso para o seu próprio bem. Nesta história a personagem principal chama-se Hanato Kobato e é um ser que desceu à Terra para encher uma garrafinha de “corações curados” por ela. Se conseguir cumprir a façanha poderá ter o seu desejo realizado. No entanto há um senão: o curar o coração de alguém poderá significar destruir o seu sonho.

 

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Kobato. é composto apenas por 40 capítulos – 6 volumes – e um epílogo. É uma história pequena, e na minha opinião perde um pouco por isso.

A premissa aparenta ser simples, sem fugir muito do habitual de shoujo (com um ligeiro toque de Mahou Shoujo), no entanto, e como é perceptível discernir pela sinopse supracitada, há lacunas que nos alertam sobre um “algo mais”.

 

O que é a Hanato Kobato? De onde veio Hanato Kobato? E sobretudo: quem são todos aqueles peluches animados, que a rodeiam?

 

Pois bem, é aí que as coisas complicam.

 

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Temos por um lado um romance simples e profundamente amoroso, temos por outro o quotidiano da Kobato no jardim de infância onde trabalha, e ainda todo o misticismo indecifrável de Ioryogi.

Muita coisa interessante correto?

Experimentem condensar tudo isso em 40 capítulos.

 

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Não é possível, como é óbvio. E por isso mesmo a narrativa de Kobato., apesar de aliciante e repleta de elementos fascinantes, acaba por frustrar o leitor, tamanha a vontade de saber mais sobre ela!

Imaginem o que é lerem um crescendo de emoções, ligações, ideias, linhas narrativas maravilhosas, e de repente, tudo acaba! E ficamos num mar tumultuoso de dúvidas por resolver (em que o capítulo epílogo apenas sacia uma parte) e com um desejo insaciável de conhecer a fundo aquele universo e personagens.

 

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Kobato. | Ambiente

O ambiente, tal como referi em cima, transpira CLAMP por todos os poros. É uma criação original das rainhas do shoujo, e nada mais há a relatar sobre este feito.

A “iluminação”, os trabalhados laterais, os floreados, e aquelas sensações de “magia do coração” continuam a ser uma presença afinca em mais uma obra da CLAMP.

 

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O character design é o apogeu de Kobato., com um design único e bastante rebuscado para cada protagonista. Quanto aos restantes personagens, há que notar as imensas referências às outras obras originais da CLAMP, temos Chobits, temos Card Captor Sakura, que não nos faltem os nossos personagens preferidos! Além destas alusões através do aproveitamento de design, temos ainda um derradeiro crossover com a série Wish.

 

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Kobato. | Juízo Final

Como fã de shoujo e seguidora afinca da CLAMP, esta obra foi uma adição imprescindível ao meu reportório. Não é dos melhores mangas que já li, e longe de ser o melhor que li das autoras. No entanto, aquele mistério inicial que nos prende irremediavelmente; as personagens doces e apaixonantes; e o design mágico estão presentes, e acredito que seja quase impossível um apreciador de shoujo não se apaixonar por Kobato.

 

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É uma história que nos adoça o bico sem nunca nos satisfazer. Ficamos a desejar saber mais sobre o universo mágico. Digamos que as ideias são tão boas que passamos a exigir ainda mais delas: mais sobre as personagens secundárias, vidas passadas dos protagonistas, mais sobre tudo um pouco.

Infelizmente, o mesmo não posso dizer aos menos fãs da demografia, ou mesmo das autoras. É uma obra que não foge ao género e demografia em questão, pelo que não haverá grandes surpresas, à exceção do universo criado.

 

 

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