Kpop e a COVID – o que mudou com a pandemia?

por Nina

A indústria musical coreana, incluindo o Kpop, movimenta milhões de dólares todos os anos, e contando com vários grupos, bandas e artistas a solo, é esperado que vários álbuns e conteúdos sejam lançados e promovidos em simultâneo, preenchendo os horários das broadcast stations praticamente todos os dias da semana. É uma indústria que também se baseia em concertos, tours e fanmeetings, havendo sempre uma comunicação bastante próxima entre artistas e os seus fãs.

Com o início da pandemia, entre janeiro e março de 2020, a Coreia era à data um dos países mais afetados pelo vírus. E sendo também um dos países onde há maior prevenção e controlo, nessa altura foram vários os eventos, promoções e broadcasts cancelados, quer por deteção de casos positivos, quer como medida de prevenção.

Mas se numa fase inicial vários comebacks e debuts foram adiados, numa tentativa de reunir novamente artistas e fãs, muito rapidamente todo o mundo descobriu que infelizmente, a COVID-19 veio para ficar. Nessa altura, várias agências chegaram a recear a sua situação financeira num futuro próximo, visto que uma importante parte do seu lucro vem das vendas de álbuns (mais altas nos períodos de pré-venda, mas igualmente estáveis durante as semanas de promoção, através dos chamados fansigns) e concertos/tours.

 


 

O que são fansigns?

Os fansigns são encontros entre artistas e fãs, com lugares limitados, tendo os seus participantes de comprar álbuns em lojas destacadas pela agência, dentro do período anunciado. A entrada é feita por sistema de loteria, e quanto maior a quantidade de álbuns adquirida, maiores são as hipóteses de entrar. Dependendo do grupo, banda ou artista solo, além de assinarem o álbum em seu nome e conversarem 1:1 com os membros, podem também ser feitas perguntas, de resposta aberta, correspondência ou escolha múltipla num post-it.

Com os fansigns presenciais a serem cancelados e com as restrições de envio a impedir a expedição internacional para vários países, as agências precisariam de ideias para ultrapassar a situação.

Uma das primeiras soluções encontradas foi a organização de fansigns online, tendo por base o mesmo sistema. Esta nova forma de fansign causou bastantes alterações: se anteriormente estes eventos eram mais exclusivos à Coreia, hoje em dia fãs de qualquer parte do mundo se podem habilitar a falar com os seus ídolos.

A ideia veio ajudar os grupos já existentes a manter contacto direto com a sua fandom e, para os grupos estreantes, a conquistar e aumentar a sua fanbase.

 

Kpop e a COVID

Fansign do grupo Monsta X

 

O que mais mudou?

Outro grave problema que surgiu pouco tempo depois foi a impossibilidade de organizar concertos, tanto na Coreia como internacionalmente. Se por um lado, as agências e venues precisavam rapidamente de uma solução, por outro, esta seria uma oportunidade para vários sites de streaming , incluindo o Vlive, MyMusicTaste, Kavicon, YouTube, entre outros. A transmissão em direto, com vários pacotes que incluem outros benefícios como VOD, merchandise, soundcheck ou ainda videochamadas com os artistas, são uma excelente forma de garantir o maior volume de vendas, com uma maior audiência e custos muito mais reduzidos quer para as agências, venues, organizadores, entre outros.

Os concertos e fanmeetings contam ainda com eventos, que permitem a participação de fãs como audiência online, criando interação, e contam também com tradução, feita pelos próprios artistas ou tradutores.

Esta criação de conteúdo online permitiu ainda a exploração das novas tecnologias, incluindo AR ou Real Time 3D Graphics, que permitem novas experiências e atuações espetaculares e mais interativas. Algumas aplicações, como o Vlive e Weverse, incluem ainda uma versão digital dos lightsticks, usados pelos fãs para torcer pelos seus artistas favoritos, sendo em alguns concertos possível conectar o lightstick à aplicação via Bluetooth, melhorando a experiência.

 

nct127 concerto online Beyond Live imagem Kpop e a COVID

Grupo NCT127 no concerto online Beyond Live, transmitido através do Vlive

 

Existem, no entanto, situações a ser melhoradas: em bastantes casos, os servidores dos sites de streaming ainda não estão preparados para todo o tráfego, provocando freeze ao longo da transmissão, ou até mesmo shutdown (o caso mais recente foi o dos AAA (Asian Artist Awards), com a transmissão adiada por mais de uma hora devido a problemas nos servidores do LiveX, acabando por ser transmitido apenas pela MyMusicTaste).

 

Criação de conteúdo digital exclusivo

Se antes a criação de conteúdos era já feita pelos artistas, hoje em dia é uma aposta ainda maior. Sendo estes conteúdos em formato de eventos votados pelos fãs, vlogs, mukbangs, vídeos e streams em direto e criação de novos canais como YouTube, Twitch e TikTok, as aplicações que permitem um maior contacto com as fandoms são cada vez mais utilizadas.

E não fica por aí: os artistas usam também plataformas como Daum Fancafe, Vlive, Weverse ou Bubble para enviar mensagens e responder aos seus fãs.

 

Artistas, staff e a COVID-19

Se para algumas agências, a COVID acabou por provocar mais mudanças a nível de gestão e adaptação de novos conteúdos, outras não tiveram a mesma sorte. Vimos este ano alguns grupos que chegaram mesmo a dar disband devido a falta de fundos, especialmente no caso de grupos rookies, que ainda não eram conhecidos no mercado. Alguns exemplos são os grupos femininos Neopunch, ANS e Hinapia e o grupo masculino Spectrum.

Outro risco emergente é a quantidade de membros dos grupos e staff, quando estão em vigor leis que proíbem ajuntamentos e é pedido o afastamento social. E em casos em que são necessários testes ao vírus e quarentena, infelizmente muitos membros de staff, que trabalham em situações bastante precárias, não chegam a receber qualquer quantia durante esse período.

Já são alguns os artistas que testaram positivo para o vírus, como os membros do grupo feminino Everglow Yiren e Sihyeon, e os membros Bitto e Kogyeol do grupo masculino Up10tion, enquanto outros tiveram que interromper as suas promoções para ficar em quarentena, como os grupos masculinos A.C.E, Onlyoneof e TXT.

 

O Futuro do Entretenimento

Embora os encontros presenciais e concertos irão com certeza voltar à normalidade assim que a situação esteja mais controlada (alguns grupos tiveram fansigns em pessoa recentemente, com a utilização de placas de acrílico para haver separação entre artistas e fãs), tudo indica que as agências irão continuar a apostar na criação de conteúdos online digitais, uma vez que permite não só uma relação mais próxima entre grupos e fandoms, mas também porque a indústria musical coreana é bastante lucrativa e se encontra em franco crescimento um pouco por todo o mundo.

 


 

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