Lixo Como Arte – Um estudo sobre “más” animes

por António Costa
Top 10 Razões porque anime não presta

Prólogo: Eu queria uma desculpa para ir ver Highschool of the Dead e calhou isto. Como tal, este artigo talvez seja ligeiramente ridículo.

Acabei agora a minha maratona de Highschool of the Dead (daqui para a frente referido como HotD) e, depois de ter acabado com dois pacotes de lenços, pus-me a pensar no valor artístico inerente em entretenimento considerado “inferior”.

O quê? Vocês não se questionam sobre a perceção de obras artísticas, enquanto vêm uma série que incluí esta gloriosa cena?

 

 

Esquisitos.

Comecei a pensar nisso porque HotD é uma sériezinha curiosa. A sua história? Para além de cliché. As suas personagens? Vão de genéricas a odiáveis (estou a olhar para ti Takagi). MAS! Esta série tem algo. E eu não estou a falar do divertimento. Sim é um fator, e sim outras séries sobrevivem à base dele, mas HotD será defendido com base na sua direção. O realizador desta anime é um homem chamado Tetsuro Araki. O nome é-vos familiar? Devia ser, pois este é o homem responsável por umas animes que ninguém conhece, coisinhas pequenas chamadas DEATH NOTE e SHINGEKI NO KYOJIN. Sim, o mesmo homem foi responsável por duas das animes mais populares de sempre. O que isto significa é que HotD é excelentemente realizado. A sério, eu acho que há aqui shots que eu nunca vi feitos em anime ou, pelo menos, não tão bem feitos. Daqui é que vem a minha ideia porque, pela maior parte dos padrões, HotD deveria ser mau. Mas a forma como foi realizado confere-lhe importância artística que não deve ser ignorada. Faster! Pussycat! Kill! Kill! realizado por Stanley Kubrick (não que eu ache o Araki tão bom como o Kubrick). Lixo ou Arte? E, apesar de eu o ter ignorado previamente, também existe o divertimento que podemos tirar da anime. Para tal vou olhar para outro exemplo mas com uma diferença essencial: Highschool DxD (daqui para frente referido com DxD).

 

Highschool DxD imagem de grupo

 

A história de DxD é tão genérica que eu estou convencido que alguém foi às wikis de várias animes, copiou, colou, mudou alguns nomes e BOOM! Anime instantânea, basta pôr água. As suas personagens… Porra, acho que já comi postas de salmão com mais personalidade que esta gente. E, ao contrário de HotD, a animação é mediana e a direção é básica.

Aliás, a única coisa que consegue balançar a completa porcaria de DxD é o meu PURO AMOR POR AQUELA ESTÚPIDA SÉRIE! Eu simplesmente adoro DxD, não há forma de evitar isso. Um crítico uma vez chamou-lhe “o Mcdonald’s de anime”. Sabes que não te faz bem, não dizes a ninguém que lá vais e está provavelmente a matar-te. Ainda assim nenhuma força te impede de aproximares do balcão e pedires uma dose de batatas e um CBO. É o mais básico e o pior dos prazeres. E tu enfia-lo pela garganta abaixo como se o amanhã não te trouxesse diabetes e colesterol. Arte? Ou Lixo?

Para o caso de estarem com essa impressão, DxD é a exceção em vez da regra. Muitas vezes este tipo de séries são estúpidas, mal animadas e um desperdício de tempo. To Love-Ru salta-me particularmente à vista como uma série absolutamente inútil e incapaz de trazer qualquer tipo de diversão.

Pessoalmente, eu acredito que o valor artístico não vem apenas do peso e importância do que trata ou da capacidade do seu criador. Vem do objetivo e do sucesso com que o realiza. Highschool of the Dead tem valor artístico não apenas como divertimento, mas através da sua cinematografia e direção. Highschool DxD tem valor como puro divertimento. Muita gente se esquece mas arte não serve apenas para ser “deep” ou para refletir a realidade. Às vezes queres ver algo que te faça pensar ou ponderar a tua realidade. Outras vezes talvez queiras algo completamente idiota e cheio de ação e mamas porque queres excitar-te. Ambas importantes da sua própria maneira. Mas como é que distinguimos o “lixo” apelativo de “lixo” que é literalmente apenas lixo? Bem, estas questões (tanto a do lixo e arte, como o de o que é bom ou não) dependem muito do senso comum de cada um. Algo que eu ache estúpido ou ofensivo, outra pessoa pode achar divertido e vice-versa. Cada pessoa que decida por si. E talvez, quem sabe, consigam encontrar algo de maior valor numa série que pareça inferior… Exceto se for To Love-Ruou Sword Art Online… Ou Oreimo, essa também é bastante má… Ou Love Hina… E alguém se lembra de Myself; Yourself? Essa série é insuportável…

 

3 comentários


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3 comentários

Leandro Santos 21 Abril, 2016 - 21:19

o video já diz tudo sobre o anime 😀
o realizador por detrás de grandes obras é algo pela qual não esperava..
mas percebo perfeitamente o teu ponto de vista, por vezes vemos algo que até sabemos que é mau mas existe sempre algo que nos chama a atenção e que vemos nem sabemos bem porquê, onde queremos apenas ver algo divertido sem ter que pensar muito, para mim isto são os guilty pleasures

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Vitor Hugo 22 Abril, 2016 - 15:00

Boas , percebo onde queres chegar e eu acho comparável a alguns dos “blockbusters” de Hollywood e a minha opinião é que a grande maioria(excepção dos filmes da marvel) são lixo , a mesma coisa com os animes que citaste acima.
Entretenimento =/ Qualidade. Eu depois de tantos filmes, animes , séries já ignoro tudo o que não seja decente , isto é, procuro apenas ver as “masterpieces” mas isso é apenas a minha preferência.
Cumprimentos

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António Costa 3 Maio, 2016 - 12:20

Tenho um amigo que partilha a mesma preferência, mas eu gosto de funcionar no oposto. As Masterpieces sempre lá estarão, agora aquele filme com o palhaço que vende galinha frita provavelmente será esquecido se não lhe dermos a devida atenção…

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