Madhouse – Assistente alega ter trabalhado 393 Horas num Mês

por Usagi Wright
Madhouse - Animador afirma que Atitudes Abusivas continuam

Conforme já noticiado anteriormente aqui no ptAnime, no dia 5 de abril um assistente de produção da Madhouse juntou-se a um sindicato e iniciou o processo de negociação coletiva. O assistente, o qual não se sabe a identidade, está a pedir uma indemnização por horas extras não pagas, bem como um pedido de desculpas pelas várias formas de assédio de poder que recebeu.

A Bungei Shunju Online publicou uma entrevista com este assistente na segunda-feira, dia 22 de abril, que detalha mais sobre as circunstâncias que o levaram a agir contra o estúdio.

 

Madhouse – Assistente alega ter trabalhado 393 Horas num Mês

Madhouse - Assistente alega ter trabalhado 393 Horas num Mês

Créditos: Bungei Shunju Online (bunshun.jp)

 

O assistente de produção explicou: “Durante a crise, o máximo que eu trabalhei foram 393 horas por mês”. O limite proposto pelo governo japonês para horas extras por mês é de 100 horas.

O assistente também falou em detalhes sobre as circunstâncias que o levaram a ser hospitalizado devido ao excesso de trabalho. “Eu estava a trabalhar num dos episódios posteriores de uma série. Os storyboards só terminaram um mês antes da transmissão, então tivemos que compactar um cronograma de produção de três meses num mês. Durante esse tempo eu iria dormir no estúdio por três dias, só indo para casa tomar banho.

“Foi por volta das 7 da manhã quando eu estava a voltar para o meu apartamento um dia, quando toda a fome, cansaço e stress sobre todas as coisas que eu tinha por fazer “me apanharam” e eu desmaiei na estrada. Um polícia que estava a passar ali, chamou uma ambulância. Quando eu acordei, eu estava tipo, “Ah, excesso de trabalho, huh”, eu estava a receber um pouco de soro, paguei a taxa de 10.000 ienes (cerca de 79,60 euros) por uma ambulância e depois fui para casa nesse estado.”

 

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Créditos: Bungei Shunju Online (bunshun.jp)

 

Quando o assistente ligou para o estúdio para informá-los do que aconteceu, disseram-lhe para tirar um dia de folga. Mas foi uma semana antes da transmissão, pelo que ele voltou a trabalhar no dia seguinte. No entanto, ele lembra que o diretor de animação continuou a pedir o regresso até o final para atender aos padrões de qualidade. Quando o trabalho foi finalmente concluído com um padrão “mínimo” ao custo do sono de todos, os superiores assumiram que tudo estava bem e nada foi resolvido.

Após esse incidente, o assistente foi diagnosticado com uma reação psicogénica. Após dois meses de medicação durante o trabalho, este recuperou-se e juntou-se à Black Company Union, um sindicato formado em 2017 que oferece consultoria e apoio a trabalhadores de diversas indústrias.

A Mayo Clinic define uma reação psicogénica, também chamada de distúrbio neurológico funcional, como uma doença que afeta o sistema nervoso “que não pode ser explicada por uma doença neurológica ou outra condição médica. No entanto, os sintomas são reais e causam sofrimento significativo ou problemas funcionais.” Uma reação psicogénica pode fazer com que uma pessoa não possa andar, engolir, ver ou ouvir. A reação pode variar em gravidade, mas não pode ser controlada pela pessoa afetada.

 

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Enquanto isso, o assistente acumulou três milhões de ienes (23.820 euros) em horas extras não pagas. De acordo com o ativista dos direitos dos trabalhadores jovens, Shōhei Sakakura, a Madhouse tem uma taxa fixa por mais de 50 horas. “Se trabalhar mais de 50 horas, não receberá nenhum dinheiro extra. No entanto, isto não foi explicado ao funcionário antes de ele se juntar à empresa. Depois de fazer as contas, acreditamos que ele acumulou três milhões de ienes em valor de horas extras não pagas “.

O assistente disse que sua situação não se limita a pessoas que trabalham na Madhouse. “Assistentes de produção, especialmente quando trabalham numa série de TV, tendem a trabalhar mais de 100-200 horas por mês. Nos estúdios de subcontratação, eles nem sequer têm um cartão de tempo para as pessoas registarem as suas horas.”

O assistente disse que, ao tomar esta iniciativa, ele preocupa-se por ter perdido a oportunidade de ser promovido. No entanto, ele sente que as suas ações foram necessárias. Em 2010, um assistente de produção da A-1 Pictures morreu por suicídio. O Escritório de Inspeção de Normas Trabalhistas de Shinjuku citou a depressão devido ao excesso de trabalho como a causa do suicídio do funcionário. O assistente de produção da Madhouse disse que deseja impedir que novas tragédias deste tipo aconteçam.

“As pessoas perguntam-me se estou a tentar destruir a Madhouse, mas não é isso que eu quero fazer. Só quero melhorar as condições de trabalho.

 

O Studio Madhouse foi fundado em 1972 por ex-animadores de Mushi Pro, incluindo Masao Maruyama, Osamu Dezaki, Rintaro e Yoshiaki Kawajiri. Maruyama deixou a empresa em 2011 para formar o estúdio MAPPA. A Madhouse é bem conhecida pelas suas produções em Card Captor Sakura, Death Note e na primeira temporada de One-Punch Man.

 

Fonte: Anime News Network

 

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