Más Práticas estão a destruir a Indústria Anime!

por Renato Sousa
Quanto custa produzir um Anime

Qualquer pessoa que se interesse e leia sobre o que se passa nos bastidores da indústria Anime tem conhecimento que os talentosos trabalhadores desta área passam por grandes dificuldades, desde salários baixos, sobrecarga de trabalho (que pode levar à depressão!) e até mesmo problemas de saúde bem sérios!

O último relato sobre esta dura realidade, que muitas vezes se faz sentir na indústria de animação japonesa, vem de um veterano inserido na área em declarações prestadas ao Mag2 News.

O autor anónimo, que afirma ter quase 20 anos de experiência no ramo, diz mesmo:

 

“Comecei a sentir nos últimos anos que este sistema altamente ineficiente, que sobrecarrega e paga mal aos seus trabalhadores, está prestes a atingir o seu limite.”

 

Um dos fatores que mais contribui para esta ineficiência do sistema é o facto da maior parte dos animadores serem freelancers que trabalham a partir de casa. Ora isto torna necessária a existência dos chamados “Corredores da Animação” que, como o nome sugere, andam constantemente na estrada a fazerem a ligação entre os freelancers e o estúdio para quem trabalham. Para quem não conhece e tiver interesse, pode passar os olhos sobre o anime Shirobako que é excelente a demonstrar o caos originado por este processo.

Claro que há mais fatores para além do referido no anterior. Veja-se o recente aumento de linhas por desenho que exige mais tempo para esta tarefa, assim como o facto dos animadores estarem constantemente a falharem os prazos de entrega por estarem a trabalhar em vários projetos em simultâneo.

De referir ainda que todos estes trabalhadores não ganham o suficiente para poderem se quer pensar em mudar de casa e viver perto dos seus estúdios. Um peso adicional a contabilizar nos totais de tempo e energia desperdiçada.

 

Anime Shirobako

 

O autor deste relato faz ainda uma comparação com outros estúdios de animação extra-Anime, onde os artistas trabalham no próprio estúdio do projeto e desenham em tablets em vez de papel, tornando assim a digitalização instantânea.

Ainda no ramo do internacional, outra diferença com grande impacto diz respeito aos programas de animação utilizados. O Anime ainda é maioritariamente desenhado à mão, o que não acontece com outros tipos de animação que utilizam programas 3D e Flash.

Todavia, apesar das críticas tecidas por este veterano do ramo ao “prato que lhe dá de comer”, a sua paixão pela área é visível quando afirma:

 

“A animação japonesa tem uma atmosfera única, sendo este o tipo de animação que eu gostaria de continuar a criar.”

 

Mas lamenta-se:

 

“Tenho muita dificuldade em imaginar a indústria anime a ultrapassar esta situação.”

 

Posto isto, as boas notícias advêm de alguns estúdios que parecem estar dispostos a trabalhar numa solução para alguns dos problemas trazidos a público. Atente-se à Kyoto Animation e à Trigger, que asseguram salário aos seus colaboradores que trabalham em casa. Um outro caso é o de Masaaki Yuasa, da Science Saru, que optou por incorporar Flash num dos seus mais recentes trabalhos, Ping Pong The Animation, conseguindo na mesma manter a atmosfera distinta do universo Anime.

Concluindo, resta ansiar que os estúdios comecem a adaptar mais medidas semelhantes às referidas em cima para que a indústria Anime não atinja o seu limite. Não digo isto apenas porque este tipo de entretenimento acompanha a minha vida. Mas também porque quem desenvolve obras excecionais como as que os artistas desta indústria nos fornecem, sem dúvida alguma que merecem boas remunerações e, em função disso, uma maior qualidade de vida.

E vocês, o que pensam desta situação?

 

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Fonte: Otaku USA Magazine

 

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