Shaman King 2021 – Como Aconteceu e Primeiras Impressões

por Maria J Oliveira
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Uma das séries anime mais esperadas deste ano era Shaman King (2021). Estreada no dia 1 de Abril, veio não só satisfazer a gula dos fãs dos shōnen com muitas personagens, fantasia, ação e comédia, como também soldar uma dívida com os leitores do manga original e apresentar a obra a um novo público.

 

Shaman King 2021 – “Como Aconteceu” e Primeiras Impressões

A narrativa a explorar tem uma premissa simples e apelativa. You Asakusa é um aprendiz de xamã, alguém que consegue estabelecer pontes entre o mundo terreno e o mundo dos espíritos e deuses, e o seu maior anseio é o de vencer um torneio para xamãs que só decorre uma vez a cada quinhentos anos; a vitória dar-lhe-á acesso à mais poderosa das invocações, uma capaz de alterar o mundo em que vivemos. Um dos primeiros a dispor-se a ajudá-lo na sua jornada é Manta Oyamada, um rapaz normal que só queria atravessar um atalho quando se depara com Asakusa (e que, vem-se a descobrir em seguida, consegue ver fantasmas).

 

Há muito tempo, éramos nós umas crianças

Muitos dos que acompanham este novo anime, incluindo seguidores do ptAnime, reconhecerão o título Shaman King. Em Julho de 2001 estreou no Japão a primeira adaptação televisiva do manga homónimo de Hiroyuki Takei, produzida pelos estúdios Xebec; essa série viajou até nós uns poucos anos depois sob alçada do canal SIC, onde foi emitida numa versão dobrada num bloco de programação dedicado aos mais novos (na altura não havia uma dezena de canais infantis à disposição e não se tinha NOS ou MEO em casa, mas TV Cabo).

A primeira série inspirada em Shaman King contou com 64 episódios, tendo o último episódio emergido em Setembro de 2002. No entanto, o manga homónimo ainda estava a ser publicado na Weekly Shōnen Jump, a tal revista que continua a ser uma referência no fornecimento de material à indústria de animação nipónica. Shaman King, a obra de Takei que fora incluída no repertório da Shōnen Jump em 1998, só ficou concluída no verão de 2004 e teve direito a spin-offs, uma prequela e uma sequela, embora o impacto destes últimos entre o público tenha sido um pouco menor.

 

Shaman King 2021 - Amidamaru

Amidamaru em 2002, com cabelo lilás

 

O que levou ao cancelamento da primeira série?

Entre os principais fatores estará a constatação de que, ao adaptar um manga em processo de edição a um ritmo semanal, rapidamente os seus conteúdos e os do anime iriam coincidir, gerando a necessidade de criar material inédito. O mangaka chegou a participar na produção do anime, mas afastou-se ao não conseguir conjugar a escrita de Shaman King com as suas novas funções. Tudo isto contribuiu para que a segunda parte da série televisiva fosse uma sucessão dos muito temidos fillers.

 

O que nos espera?

Os fãs da série animada não tiveram acesso a dois anos de material original. Aproveitando talvez a onda recente de remakes e adaptações mais fiéis e completas (Bishoujo Senshi Sailor Moon Crystal e sequelas, Fruits Basket (2019) , Hunter x Hunter (2011) ) e a boa vontade de uns quantos, surgiu o projeto Shaman King (2021). Esta nova versão, produzida pelos estúdios Bridge, tenciona adaptar os 32 volumes do manga de Hiroyuki Takei em 52 episódios e tem alguns repetentes no elenco, como Megumi Hayashibara a dar voz à personagem Anna Kyouyama e aos temas de abertura e encerramento.

 

Shaman King 2021 Anna

Anna Kyouyama e o seu olhar luminoso, em 2021

 

Não vi ou vi muito poucos minutos da série de 2001/2002, pelo que a minha opinião não é influenciada por sentimentos de nostalgia. Em contrapartida, não me foi fácil fazer uma comparação entre as duas adaptações.

Gostei dos primeiros episódios pelo ritmo célere que combina na perfeição com o humor pateta e as muitas sequências de ação que sei que vão ser abundantes nesta série. Há um certo mistério em redor das personagens e do que realmente as motiva, o que torna tudo mais interessante.

A parte técnica está bem conseguida e adapta-se bem ao género ação/aventura. A única coisa que me provocou certa espécie, creio que só no primeiro episódio, foi o tamanho desproporcional das cabeças dos protagonistas.

 

Cabeçudos de Torres Vedras

Foto que encontrei dos cabeçudos de Torres Vedras. Perdão, exagerei.

Ao que me referia, na realidade.

 

O maior defeito desta série é o de não se destacar de outras dentro do género: aqui temos mais um rapaz que quer ser o melhor entre os seus pares através de combates em que o espiritual tem um papel de grande relevo. Não sei se digo isto por já ter visto outros shōnen com elementos sobrenaturais que considerei bastante bons, apesar de serem inspirados em obras posteriores à de Takei. A minha opinião talvez mude daqui a uns meses.

 

 

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