Spice and Wolf | Análise

por António Costa
Spice and Wolf anuncia Data do Fim

 

Portanto… Esta análise será um pouco complicada para mim. Eu adoro Spice and Wolf. Eu AMO Spice and Wolf. Está no meu top 10 de animes preferidas e estou de momento a ler a série de livros. Como tal, falar da série apresenta-me alguns problemas, porque se for demasiado efusivo, a análise tornar-se-á nos desvarios de um fanboy. Como tal terei que ser exato ao expressar o meu amor por Spice and Wolf. A série foi produzida pelo estúdio IMAGIN, lançada em 2008 e é uma das animes que geralmente uso para demonstrar a criatividade do meio e como uma espécie de gateway drug para quem esteja interessado. É inteligente mas não demasiado cerebral e mantém um tom casual e descontraído. A série perfeita para se ver quando está a chover lá fora e estamos ao pé da lareira a beber um bom chá. Mas acho que me estou a adiantar… Comecemos pelo básico.

 

Spice and Wolf | Enredo

A série passa-se num mundo muito semelhante à Europa medieval e segue Kraft Lawrence. O Lawrence é um mercador viajante que salta de aldeia em aldeia a tentar vender os seus produtos, com o sonho de um dia conseguir juntar dinheiro que chegue para comprar a sua própria loja. Os planos dele são ligeiramente alterados, quando descobre uma rapariga nua com orelhas de lobo e uma cauda, na sua carroça.

 

Spice and Wolf-Análise

Para que saibam, toda a gente nesta série tem as proporções anatómicas de uma Barbie.

 

Esta é a Holo, uma deusa loba de uma aldeia por onde o Lawrence passou que abençoava as colheitas e fazia-as crescer. No entanto, devido a vários avanços tecnológicos, a aldeia já não tem necessidade da ajuda dela e por isso ela decide fugir e regressar ao seu local de nascença no norte. Depois do choque inicial, o Lawrence decide ajudá-la a regressar a casa e os dois embarcam em várias aventuras relacionadas com o fascinante mundo de economia medieval! Sim. Economia medieval.

A série divide-se em duas histórias sendo a primeira sobre um esquema relacionado com a variação do valor de moedas, e a segunda sobre tráfico de ouro. Apesar de parecer aborrecido, os diálogos económicos mantêm-se simples porque o foco fica muito mais à volta de metais e trocas de produtos do que exatamente números e percentagens. É uma série mais intelectual e muito baseada em diálogo que, eu imagino, possa ser aborrecida para algumas pessoas, mas se estiverem à procura de algo mais calmo e pensativo as histórias são envolventes e é interessante ver os estratagemas que arranjam para tentar resolver as situações. Para além disso, o diálogo engraçado e as personagens envolventes ajudam a manter a nossa atenção. Falando nisso…

 

Spice and Wolf | Personagens

E assim chegamos finalmente à principal razão do meu amor por Spice and Wolf: A Holo. A Holo é a minha personagem preferida de sempre. De tudo. Sejam filmes, livros, séries, a Holo está no topo da minha lista. Eu tenho tanto respeito por esta personagem que nem nunca vi Hentai dela na minha vida.

 

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Claro que isto não se aplica a TODAS as personagens de que gosto…

 

E porque é que lhe tenho este amor todo? Bem, para mim, ela é a personagem perfeita. Eu não quero dizer que ela não comete erros e nunca faz nada errado, mas sim que tem todos os atributos que fazem uma personagem interessante. Ela é engraçada mas sensível. É muito convencida mas é assim por se sentir solitária. Ela é a força desta série, aliás ela é a personagem que está na capa de todos os livros!

 

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No entanto, o Lawrence é que é a personagem principal, não a Holo (apesar do foco estar todo nela). Então como é que é o Lawrence? Ele é… Ok. Ele é definitivamente a personagem em que nos devemos projetar ( o chamado “Audience Surrogate”) mas tem uma personalidade distinta que chegue para não ser um “Gary Stu”.

 

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Eu nem tenho que dizer nada… Esta imagem fala por si.

 

Como o duo se move de cidade para cidade, não existem personagens secundárias constantes na história, e as que eles encontram são simples e diretas. Não necessitam de muito desenvolvimento e estão lá apenas para avançar a história. Felizmente, o duo principal tem carisma e uma relação interessante, portanto a série funciona bem sem personagens secundárias constantes.

 

Spice and Wolf | Produção Visual

É bom.

É só isso, não tenho muito mais para dizer. É uma série que envolve pessoas a sentarem-se e a conversar sobre economia e não é realizado pelo Akiyuki Shinbo. Há algumas cenas com mais movimento onde eles gastam um bocadinho mais de dinheiro. Os fundos são agradáveis e evocam a natureza medieval do cenário da história. Os designs das personagens são muito anime. Vocês percebem a ideia. É ok.

 

Spice and Wolf | Banda Sonora e Som

Aqui tenho um pouco mais para dizer do que na Produção Visual. A música da abertura é uma das minhas preferidas e é perfeita para a série. Combina muito bem com o feel relaxado da série e cria um verdadeiro sentido de melancolia que, mesmo que a série não tenha acabado, te faz sentir saudades das personagens que conheceste. O resto da banda sonora é parecida. Usa muitas flautas e coros amplificando a calma e o conforto da série. Há uma música em particular, usada para momentos de ação ou perigo, que soa mesmo tirada da “Princesa Mononoke”.

 

 

Para esta série recomendo a dobragem em inglês. O Japonês não é mau, mas como é uma anime tão à volta de diálogo, aguenta-se melhor numa língua que sabemos falar (quem não falar inglês pode ignorar isto). Isso e a Brina Palencia, que faz de Holo, é a melhor. Ela dá-lhe um tom de realeza e dignidade, que fica mesmo bem.

 

Spice and Wolf | Pensamentos Finais

Com tudo dito, Spice and Wolf talvez não seja para toda a gente. Pode ser demasiado lento para alguns ou a economia pode ser confusa para alguns (pessoalmente, só à segunda vez é que me consegui lembrar que raio é que tinha acontecido na história e como é que o plano fazia sentido). Mas, para quem estiver com vontade de ver algo mais intelectual e mais calmo (para não falar de uma das melhores personagens de sempre), a série consegue balançar bem as questões económicas e os momentos das personagens, sem ficar aborrecido, e tornar economia interessante e compreensível. O que é impressionante, se pensarmos nisso.

 

 

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