Tokyo Ghoul Root A | Análise

por João Simões

Tokyo Ghoul | História

A história retoma exatamente do ponto onde nos deixou. Esta parte do anime apresenta-se como uma sequela, todavia, dá mais a sensação de ser um segundo cour, do que realmente uma segunda temporada da obra.

 

Tokyo Ghoul Root A Anime

 

Tokyo Ghoul | Um massacre narrativo

Se a primeira temporada e o primeiro episódio desta sequela entraram com o pé direito, a temporada que a sucede não é nada mais nada menos que um tropeçar de pés consecutivo, enquanto vemos a obra a cair por um caminho irreversível, dirigindo-se assim diretamente para um poço sem fundo. Começa como um bonito floco de neve que se vai aglomerando a outros majestosos flocos, sofrendo uma natural metamorfose para uma avalanche assassina de fiéis seguidores.

 

Anime Tokyo Ghoul Root A

 

A história tem um início bastante bom, na medida em que prossegue diretamente os acontecimentos do final da primeira temporada. Este liga-se sem desvios àquele que se decalcava como um dos pontos negativos mais relevantes da primeira temporada e que se refletiu, concretamente, na imensidão de questões por resolver. Exemplo disso, foi o final em aberto, que revelou por sua vez o quanto a obra ainda tinha para nos dar. Por norma, uma sequela nasce com o intuito de fechar as pontas soltas, de limar as arestas mais rugosas, de concluir o universo construído e desenvolvido na sua antecessora. Em contrapartida, tudo que Root A tinha como requisito, não só para ser uma continuação bem executada mas também para satisfazer o público, não o fez. Aliás, conseguiu ainda a brilhante proeza de concretizar exatamente o contrário.

 

`Tokyo Ghoul Root A Juzou

 

A má estruturação do enredo originou uma história sem rumo, na qual mostra pretensão em descortinar tudo, mas no fim não nos é revelado nada. Existem episódios sem conteúdo, como se tivessem nas mãos todo o tempo do mundo para “tentar” desenvolver personagens através de criação de conflitos desnecessários. E ao mesmo tempo existem episódios com conteúdo a mais, como se não tivessem tempo algum para “tentarem” desenvolver a narrativa. Em vez de um ritmo gradual no que diz respeito à exposição narrativa, para que possam controlar o próprio universo narrativo, de modo a nos transmitir a informação necessária para o entendimento do conteúdo, somos presenteados com infelizes manobras de escrita pobre.

 

Tokyo Ghoul Root A Amon Akira

 

Ao longo de todos os episódios, passam-nos a sensação de que agarram uma quantidade enorme de informação, e foram obrigados a comprimir essa mesma informação, afunilando-a em 12 episódios. Mas para quê? O sucesso monetário e a popularidade estavam garantidos, tanto pelo material fonte como pela primeira temporada. Não era preferível algo mais alongado ou dividido por mais temporadas, do que criar um desastre destes? Algo que não consegue transmitir nada além de frustração e desilusão? Basicamente, a produção desta sequela revelou-se algo completamente desnecessário, sendo que optaria por ficar no limbo pouco gratificante do final da primeira temporada, do que ter que assistir à desesperante sequela.

 

Tokyo Ghoul Root A Gemeas

 

Tokyo Ghoul | Terá a obra um objetivo?

A existência de opiniões divergentes relativamente a esta continuação são um fato. Todavia, porque será que existem? Não será límpida o quão má a composição desta obra se encontra?

 

Tokyo Ghoul Root A Manga

 

Penso que as opiniões divergem duplamente, excluindo as excepções. Ou seja, numa primeira instância o público é divido entre aqueles que leram o material fonte e os que o desconhecem por completo. E dentro de cada um destes agrupamentos volta a dar-se mais uma divisão: os que adoraram e os que odiaram. Não obstante, como tal é possível? Bem, dentro dos que conhecem a manga, uns odiaram simplesmente porque a adaptação não é fidedigna. Ainda assim, uma outra parte decidiu aproveitar para ver novo conteúdo, em que tudo que fosse entregue seria bónus, tendo ainda oportunidade de ver algumas das sequências que realmente existiram na manga.

Por outro lado, aqueles que apenas têm conhecimento narrativo da primeira temporada, também se divergem em amor e ódio. O ódio é compreensível, já o amor não o consigo explicar uma vez que destroçou por completo tudo de bom que existia na obra.

 

Tokyo Ghoul Root A Escritora

 

Tokyo Ghoul | Conceitos despersonalizados

Episódio após episódio, foram inseridos mais personagens, mais eventos, mais de tudo, culminando consequentemente na inevitável expansão do universo narrativo. Todas estas asneiras de escrita perpetuaram ainda mais arestas bicudas, mais pontas soltas, mais questões sem resposta. Isto não se designa apenas por má gestão narrativa, mas sim por escrita desprovida de qualquer tipo de qualidade e discernimento. Com isto, as personagens perderam a boa substância que possuíam.

 

Tokyo Ghoul Root A Personagens Misterio

 

A pobre escrita geral teve obviamente consequências para todos os lados. Como se fosse uma metralhadora, disparando desenfreadamente atingindo todos os cantinhos do universo de Tokyo Ghoul. Enquanto que a primeira temporada nos mergulhou em conceitos extremamente interessantes, como o significado de Ser Humano, aquilo que nos separa das outras espécies, a consequência de coabitarmos com seres que se encontram acima de nós na cadeia alimentar, a segunda temporada esquece todos estes conceitos maravilhosos que foram abordando, todos eles entregues através de bonitos monólogos e introspeções da nossa personagem principal Kaneki, o nosso elo de ligação emocional com aquele mundo enquanto espetadores. Não obstante, o protagonista é a personagem que menos aparece, silenciando deste modo os seus pensamentos e um dos grandes elementos que nos conectava aquele mundo fantástico.

 

Tokyo ghoul root a evasão

 

Tokyo Ghoul | Ambiente

Não é possível afirmar que Tokyo Ghoul Root A tem melhor ambiente que o seu precedente. Não tem. Consegue indubitavelmente pontos altos momentâneos, mas não passa disso. O visual é terrivelmente aproveitado devido à sua inconsistência persistente, tanto a nível de desenho como de animação. Sendo que temos momentos que nos fazem soltar gargalhadas espontâneas sobre a má qualidade que nos é apresentada, como temos determinados momentos que nos fazem babar sem nos apercebermos. Vou deixar que as imagens falem por mim:

 

Tokyo Ghoul Root A

 

Quando a qualidade técnica se encontra no seu pior, poderão encontrar sem muito esforço faces desproporcionais, animações lentas, com queda de frames e irrealistas até nos movimentos mais simples. Quando a qualidade técnica se encontra no seu melhor, não vão querer nem conseguir desviar o olhar durante uma milésima temporal. O desenho fica sólido, os cenários ganham cor própria que nos faz acreditar inconscientemente na veracidade dos mesmos. A animação atinge um outro patamar, proporcionando sequências de ação incríveis.

 

Tokyo ghoul root a derp

 

Apesar de todos estes aspetos nos retirarem a grande imersão que deveríamos ter neste universo, existe um elemento que muitas vezes nos segurou ao longo da obra, e que sem ele muitos eventos não teriam funcionado da mesma forma: a banda sonora! Esta, além de possuir composições incríveis, tem um sentido de oportunidade raro de se ver e de se ouvir. Entra nos momentos certos, com a faixa mais acertada possível, sincronizando muitas das vezes o tipo de melodia de cada música com a atmosfera emocional dos momentos narrativos.

 

Tokyo ghoul gif

 

Tokyo Ghoul | Juízo Final

Resumindo e concluindo, Tokyo Ghoul Root A foi uma das sequelas mais esperadas dos últimos tempos, e das que mais desiludiu. A pobre narrativa, em vez de carregar no sentido exponencial positivo a primeira temporada, atirou-a para a morte certa. O ambiente é um terror inconstante, deixando-nos ainda mais deprimidos, quando ocasionalmente nos mostram que podem e conseguem produzir frames dignos de serem encaixilhados como uma obra de arte.

Obviamente, tal como outras sequelas (por exemplo Sword Art Online II), consegue ainda ter público suficiente a consumir a temporada como se fosse algo de extraordinário, dando assim espaço monetário para a Pierrot criar mais uma massacre descontrolado, a uma obra que segura um potencial bem acima da média.

Ver esta temporada será, em síntese, ver porque sim. Não tem sumo, não conclui nada, nem nos mostra nada de novo. Não recomendo que percam o vosso tempo a ver esta suposta continuação, mesmo que tenham visto e gostado da primeira temporada. Se gostaram de Tokyo Ghoul original, comecem a ler a manga (desde o início) e façam o julgamento da obra no seu formato original, porque esse é realmente o único formato que vale a pena.

 

 

 

2 comentários


Loading...

Também deverás gostar de

2 comentários

David 24 Julho, 2015 - 20:17

E pensar que defendi alguns episódios que tiveram alguma comédia e relações legais entre os personagens, como um todo root A é muito ruim, em todos os aspectos, adaptação, enredo, …
Pierrot tem dinheiro, isso não da pra discutir, mas pra que a miseria de 2 cour pra um mangá com 14 volumes?! Dava pra adaptar a obra perfeitamente sem modifica-la com 3/4 cours, pra que essa limitação que as produtoras se impõe atualmente?
A qualidade de animação estava uma porcaria, tava muito ruim, não sei como conseguiram cagar tanto num anime que tem apenas 12 episódios. Pierrot deu bastante mancada na adaptação, como ela não investiu um pouco mais em um anime tão curto como esse?!
Decepção, essa palavra define essa segunda temporada, define as modificações para ruim, que até defendia também por ainda estar encaixando as lutas que aconteceram no mangá só que em outros lugares e momentos, mas não da pra defender, ficou uma porcaria, não teve enredo que salvasse, se tivesse um seria um começo, não teve animação que agradasse, poucos momentos foram legais, e Só, anime e adaptação ruim. E também incluo um pouco a primeira temporada que não adaptou diretamente o mangá, gostei dela mas poderia ter sido melhor aproveitada.
Pt vocês assistiram Terra Formars?

Responder
João Simões 27 Julho, 2015 - 22:48

Deixa lá, acho que todos caímos no erro de, em algum ponto da narrativa, defender (ou tentar defender) esta continuação de Tokyo ghoul. Eles dinheiro têm, disso não existe mesmo dúvidas, não sabem é gerir nada, nem dinheiro nem recursos nem artistas, e depois andam lá todos feitos escravos a produzir porcaria que faz dinheiro fácil. É mesmo triste que assim tenha sido. Esperemos que algum dia, um estúdio decente pegue na obra da forma que merece.

Sim, temos a análise dele programada, mas não sei quando será lançada.

Responder

Deixar um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.