Durante um RGG Summit realizado no ano passado, evento criado pela desenvolvedora para anunciar novidades sobre os jogos em que estão a trabalhar, foi anunciado Like a Dragon Gaiden: The Man Who Erased His Name, um jogo que tem como objetivo fazer de ponte para a história de Kiryu Kazuma entre o Yakuza 6 e o próximo grande lançamento, Like a Dragon: Infinite Wealth, previsto para lançar a 26 de janeiro de 2024.
Gaiden significa, em japonês, uma “história secundária”, e é exatamente isso que este jogo procura em entregar. Algo mais curto, mais conciso, apenas para dar algum contexto à narrativa, e como bónus ainda de entregar uma demo de Like a Dragon: Infinite Wealth para quem estiver interessado na jogabilidade deste próximo grande jogo da franquia.
Apesar de toda esta natureza de jogo de menor importância que rodeia o Gaiden, principalmente no que se diz respeito a recursos, tendo contado apenas com cerca de 6 meses de desenvolvimento, segundo o produtor Makoto Suzuki, é de surpreender a experiência de qualidade que este jogo conseguiu entregar.
Nesta análise, vamos perceber como é que este jogo conseguiu superar as expetativas de todos os fãs, mesmo com a sua curta duração.
Like a Dragon Gaiden: The Man Who Erased His Name – Análise

História
À semelhança de outros jogos da franquia, a história é um aspeto fundamental em Like a Dragon Gaiden, principalmente quando o objetivo deste jogo é mesmo cobrir alguns buracos que foram deixados por jogos anteriores da série.
Tendo isso em conta, mesmo isto sendo chamado de um jogo secundário, eu iria tão longe quanto dizer que é uma das melhores histórias da série e uma ótima forma de encerrar a saga de Kiryu como protagonista da série.
O jogo explora a vida de Kiryu Kazuma após ter abandonado o seu nome e vida depois dos acontecimentos de Yakuza 6. Ele entregou-se a uma organização secreta chamada Daidoji e realiza trabalhos para esta sob um pacto em que nunca poderá ser descoberto que Kiryu, conhecido por todo o Japão como um lendário Yakuza que salvou o seu clã de ser extinto várias e várias vezes, continua vivo e bem.
Kiryu assume então o nome de “Joryu” e procura realizar os diversos trabalhos nas sombras, mas acaba por descobrir que essa farsa não seria perfeita por muito tempo, uma vez que a Omi Alliance, velhos inimigos do Tojo Clan e, consequentemente, de Kiryu, puseram todo o dinheiro ao seu dispor para o poder encontrar e conseguir a sua ajuda num plano de dissolução da Yakuza.
A história de Gaiden é curta, mas é recheada com emoção, personagens excelentes, principalmente as introduzidas no próprio jogo, como no caso da Akame e do Hanawa, sendo prevalentes ao longo de toda a narrativa, e acima de tudo sabe a uma recompensa a qualquer fã que acompanhou todas as aventuras do Kiryu até aqui.
É livre de problemas? Absolutamente não, às vezes o jogo torna obrigatório fazer algum conteúdo secundário para meter palha entre os maiores momentos de ação, mas isso não anula as suas notáveis qualidades, principalmente aquele capítulo final que faz até alguém com coração de pedra chorar.
Jogabilidade
A jogabilidade de Like a Dragon Gaiden conta com algumas novidades relativamente à última vez que vimos Kiryu a ser uma personagem jogável durante Yakuza 6, com destaque para os 2 estilos de combate:
- o Agent, sendo completamente novo neste jogo e tem como principal função de coordenar o combate com diferentes tipos de armas que vão sendo introduzidas ao longo da história;
- o Yakuza, que tem como base o Dragon Style que já esteve presente em jogos anteriores da franquia, tem como foco a escolha entre reagir rapidamente a ataques inimigos, ou simplesmente carregar um ataque em troca de maior dano.
O combate do jogo é extremamente intuitivo e fácil de aprender, e conta com um sistema de upgrades igualmente familiar, em que se pode usar dinheiro para desbloquear novos movimentos e afins.
Porém, apesar do Yakuza Style ser excelente e tão divertido de usar quanto me lembro de estilos semelhantes, achei o Agent demasiado dependente dos diferentes aparelhos que o Kiryu pode usar, principalmente tendo em conta que estes são extremamente fracos e inúteis mesmo no nível máximo.
No que se diz a conteúdo secundário, o jogo traz um sistema denominado Akame Network. Neste sistema, o jogador será incentivado a cumprir diversas tarefas aleatórias pela cidade em troca de pontos, que irão poder ser usados para comprar itens na loja da própria Akame, ou simplesmente gastar em novos movimentos para o combate.
A par deste sistema, vêm as missões secundárias, que apesar de não serem muitas devido à menor dimensão deste jogo, são tão divertidas quanto sempre. Com os temas mais aleatórios possíveis, como ajudar um rapaz que quer usar o ChatGPT para conquistar a namorada ou ajudar um streamer desesperado por visualizações a gravar um vídeo numa casa pseudo-assombrada. Para quem quiser fazer uma pausa do tom mais sério da história principal é sem dúvida algo que recomendo fazer!
Mas o que o Gaiden traz em conteúdo secundário não fica por aqui, uma vez que podemos contar com o regresso de mini-jogos extremamente divertidos (e não, não falo dos jogos de tabuleiro cheios de termos japoneses que fizeram metade dos jogadores desistir de ir atrás do 100%).
Podemos contar com diversas atividades, desde a karaoke, a golfe (que é surpreendentemente divertido) ao regresso do Coliseu, que foi completamente reconstruido relativamente a outros jogos em que fez a sua aparição, e conta agora com novas missões de luta e uma grande quantidade de fanservice.
Isto tudo vem, naturalmente, acompanhado de uma banda sonora excelente como já é esperado da franquia.
Mundo
Like a Dragon Gaiden, tal como já esperado da franquia, faz jus ao seu género de mundo aberto e é extremamente competente a criar uma cidade viva e cheia de coisas para fazer.
Optando desta vez por uma cidade de menor dimensão que já marcou a sua presença em outros jogos, Sotenbori, esta é recheada de restaurantes, bares, e diversos eventos aleatórios que dão vida à cidade.
Além disso, a história faz um excelente trabalho em revisitar alguns locais que tiveram grande importância em jogos anteriores como uma forma de homenagear o final da saga do Kiryu.
Mas para além da já conhecida cidade, podemos ainda contar com o Castelo, um barco flutuante que serve de paraíso para os maiores nomes da Yakuza, onde é possível apostar, lutar, e naturalmente entrar num débito imenso. É extremamente bonita, bem aproveita tanto num contexto de história como de conteúdo secundário e sem dúvida uma das minhas áreas favoritas do jogo.
Veredito Final
Like a Dragon Gaiden: The Man Who Erased His Name é mais uma adição incrivelmente sólida à franquia, ocupando agora o lugar de um dos meus jogos favoritos protagonizados por Kiryu Kazuma.
Claramente criado com muito amor aos fãs pelos seus desenvolvedores, é um jogo capaz de fazer chorar, rir, e serve como uma ótima despedida a esta era da franquia Yakuza/Like a Dragon.
Análises
Like a Dragon Gaiden: The Man Who Erased His Name
Um dos melhores jogos da franquia na sua narrativa e que, mesmo com as suas pequenas falhas, é sem dúvida obrigatório para qualquer fã da saga.
Os Pros
- História Excelente;
- Conteúdo secundário divertido;
- Ótima banda sonora;
- Ótima banda sonora
- Mundo aberto vivo e divertido de explorar.
Os Contras
- Agent Style pode ser facilmente negligenciado.