Para aqueles que não costumam estar tão atentos à indústria dos animes, é possível que estranhem este artigo. Fazendo uma breve introdução à questão, podemos dizer que nos últimos anos a China tem adaptado várias novels e mangas do seu próprio país para o pequeno ecrã. Por este motivo, nas mais recentes temporadas de anime podemos encontrar algumas obras de origem chinesa.
Um estúdio que ficou conhecido neste processo foi o Haoliners. Fundado inicialmente em 2013 e hoje em dia gerido por ex-integrantes do estúdio Gonzo, Haoliners produziu animes como Bloodivores, Hitori no Shita e Cheating Craft.
Porém muitos destes animes só têm dez minutos e as suas histórias têm tendência a ser medíocres. Até hoje nenhum deles passou a casa dos sete valores no site MyAnimeList. Animação pouco fluida, tramas pouco desenvolvidas e precariedade são características bem presentes nestas animações chinesas. Sem contar que as próprias premissas não são muito entusiasmantes.
The Kings Avatar – O Revolucionário Anime Chinês

Porém, esta primavera trouxe até nós aquela que parece ser a primeira obra chinesa que não está destinada a fracassar. Quan Zhi Gao Shou ou The King’s Avatar é adaptação de uma novel também de origem chinesa e fala-nos sobre e-sports. Para começo de conversa, alguém já viu algum anime que abordasse e-sports? Não me estou a referir obras de RPG tipo Sword Art Online ou Log Horizon. The King’s Avatar analisa a própria indústria dos videojogos e a vida dos jogadores profissionais, sem se esquecer das fantásticas batalhas no mundo online.
Agora vem aquela pergunta: mas o anime é bom? Bem, para terem uma noção de como The King’s Avatar está a ser bem recebido, é já o anime desta temporada (tirando sequelas) com a maior classificação do MyAnimeList. Quando escrevi este artigo, com seis episódios lançados o anime estava com 8.13.
Na minha visão pessoal, este anime devia ensinar muita coisa a estúdios japoneses. O Japão produz animes há várias décadas, enquanto a China encontra-se na corrida apenas há uns cinco anos. Apesar da maioria das obras chinesas terem sido medíocres, conseguiram trazer-nos um anime com qualidade técnica soberba, enquanto a qualidade dos animes japoneses continua a descer a pique. O facto de no Japão a animação ser uma indústria que move montanhas faz com que lucro interesse mais que qualidade. É basicamente por isto que, se a China continuar a melhorar, teremos de lhe tirar o chapéu.
Primeiramente o facto de haver tanta animação fluida em todos os episódios, sem baixar a qualidade e mantendo cortes limpos é uma coisa que falta a muitas obras. Em seguida, The King’s Avatar mostra os RPG de uma maneira mais realista que muitas obras sobre o tema. Perdoem-me os fãs de SAO, mas ir para um jogo namorar e brincar às casinhas… não é o que 90% dos gamers fazem.
Apesar de não ser a melhor trama de sempre, este anime chinoca tem personagens carismáticas e uma história interessante. Na verdade, até podem descartar o enredo, o que é de impressionar aqui são as batalhas. Então, se são fãs de ação entrem na aventura. Algo que também se diferencia são as personagens mais velhas na casa dos 25/30 anos. Estamos fartos de adolescentes virgens.
O grande problema deste e de outros animes chineses será sempre a língua. Por algum motivo o japonês entranha facilmente. Agora o chinês é estupidamente rápido e a sonoridade muito esquisita. Sem contar que os atores de voz são maus e que metade das falas das personagens não têm muita expressividade. No entanto a banda sonora é espetacular.
É algo que incomoda e que pessoalmente ainda não me habituei, porém tendo em conta todos os fatores que vos falei neste artigo, não ver The King’s Avatar não devia ser sequer opção! Este menino proveniente de um estúdio que só fez outros três animes, está a bater de frente com obras japonesas e que não lhe chegam aos calcanhares. Tendo em conta que em cinco episódios, a comunidade ficou rendida, o potencial deste anime é tremendo.