Akagami no Shirayuki-hime | Análise

Akagami no Shirayuki-hime, ou Snow White with the Red Hair, trata-se de uma adaptação do estúdio Bones da manga da autoria de Sorata Akizuki, que estreou na temporada de verão de 2015.

 

Akagami no Shirayuki-hime | Opening

“Yasashii Kibou” – Saori Hayami

 

É um romance shoujo cuja história desenvolve-se à volta de Shirayuki, uma bela rapariga que trabalha como “médica”, e que possui cabelo vermelho, algo muito raro no seu país. Fascinado pela irreverencia do cabelo da jovem, o príncipe do seu país ordena que Shirayuki se torne sua concubina. Esta foge do seu país e acaba por conhecer Zen, o príncipe do país vizinho. Encantado com a personalidade forte e independente, Zen convida-a a viver no seu país, e ela aceita segui-lo e servir o seu novo país como médica da corte.

 

 

Akagami no Shirayuki-hime | Enredo

A premissa é francamente familiar, e o título ocidental não deixa margem para dúvidas: trata-se de uma re-adaptação do conto Branca de Neve e os Sete Anões. Todavia, seguindo a tradição da animação japonesa nas “re-adaptações” de contos ocidentais, esta é muito mais que uma transcrição do conto base, sendo antes uma nova história usando elementos da original.

Akagami no Shirayuki-hime trata-se de uma história completamente nova! E isto não reside apenas nas diferenças relativamente ao conto ocidental, mas sobretudo na construção, exposição e desenvolvimento narrativo. É uma lufada de ar fresco dentro do género, difícil de competir seja com obras atuais como com clássicos.

 

 

Sem guidelines obrigatórias, a obra assume contornos naturais aos olhos do espetador. Somos presenteados com personagens interessantes, de personalidade forte e independente que se desenvolvem ao longo de uma narrativa pausada, mas não aborrecida. A magnificência desta obra está presente nessa própria linha pausada e consistente em que se desenvolve.

Cada novo episódio, cada nova “aventura” explora um pouco mais dos protagonistas, isto seria normal não fosse a própria exposição ser atípica. Em Akagami no Shirayuki-hime conhecemos os protagonistas pelos olhos dos outros e ações dos mesmos. Não há diálogos descritivos, não há exposições maçudas de algo que deveria ser óbvio, o conto de fadas é natural e instantâneo, como se toda a utopia latente do género fosse apenas contida na personalidade fantástica desses mesmos protagonistas, deixando tudo o resto livre para um desenvolvimento orgânico e real.

 

 

Akagami no Shirayuki-hime – Um Romance de encantar

Aquando o primeiro episódio uma dúvida se levantou: Será Akagami no Shirayuki-hime mais um cliché romântico? Na altura, reticente, deixei em aberto a questão, afinal a probabilidade de se tornar em mais uma história básica, sem conteúdo e fácil de discernir em toda a sua extensão, era muito elevada. Nada nos levava a crer no ex-líbris que estavamos prestes a contemplar.

É difícil conter os suspiros, os arrepios aquando os grandes momentos românticos da obra. É inegavelmente uma história de encantar em todo o seu esplendor! No entanto, é-o de uma forma bem peculiar. A beleza assenta nos pequenos gestos, inofensivos aos olhos de um espetador ocasional, mas que significam muito mais que dezenas de palavras aos que seguem a obra do início ao fim. Uma troca de olhares, um gesto ou simples conversas quotidianas sobre o estado do reino, não há limites para imersão do universo Akagami no Shirayuki-hime.

 

 

Akagami no Shirayuki-hime – História com peso e medida

O romance apesar de ser o objeto central da obra, não é o protagonista da mesma. É um efeito das circunstâncias, das ações e personagens que compõem este universo rico em problemáticas reais, intervenientes orgânicos e meticulosamente bem posicionados ao longo da linha narrativa principal.

A monotonia não é opção e toda a estrutura se desenvolve sobre contornos únicos, apenas possíveis dentro daquele mundo, conferindo à obra uma derradeira personalidade. O ambiente monárquico é prodigiosamente descrito sob as entre-linhas narrativas de um conto de fantasia. Assente em personagens fortes e nutridas de substância, que concebem a harmonia necessária de modo a nos envolver por entre as exigências lógicas do cenário envolvente.

 

 

Akagami no Shirayuki-hime | Ambiente

Akagami no Shirayuki-hime não seria a mesma sem a animação provida pelo estúdio Bones. O ambiente é sem dúvida alguma o ex-líbris da obra, e nesse ponto não havia margem para dúvidas desde o primeiro momento em que contactamos com ela. Com uma animação de nos fazer babar por mais, a série presenteia-nos com um ambiente brilhante, repleto de cores vivas e resplandecentes. Tudo numa harmonia que nos faz desejar pertencer aquele mundo fantástico onde o sol brilha como ninguém, e a palete de cores em cada imagem se equipara à realidade vivida.

 

 

A coerência e composição permanecem ao longo de todo o episódio. Não existe quebras significativas e os pináculos de realização assumem-se como mais maravilhas para os nossos olhos, já rendidos ao trabalho do estúdio. A leveza e realismo transparecidos nos cenários conjugam-se na perfeição com o enredo, tornando-o parte integrante do mesmo. Sem a conjugação entre banda sonora, cenário, luminosidade, fotografia a força não seria a mesma. A magia latente em Akagami no Shirayuki-hime depende do ambiente, da qualidade de animação, jogo de cores e planos de personagens e ações.

 

 

A banda sonora surgiu nos momentos certos, sob a tonalidade certa. Dentro dos sons clássicos e melodias orquestradas, provou estar à altura da obra, fornecendo o realismo e magia ideais. O opening é um dos pináculos de produção da série, seja em musicalidade seja em significado, que merece ser saboreado vezes sem conta.

 

Akagami no Shirayuki-hime| Juízo Final

Akagami no Shirayuki-hime trata-se de um romance completamente novo, uma obra de arte refrescante que não segue nada e nos surpreende nas pequenas coisas. Para os grandes amantes de romance é sem dúvida uma obra obrigatória nos vossos reportórios. Duvido que se arrependam da escolha e que deixem escapar o pack completo da animação japonesa contemporânea: qualidade ambiente aliada a uma construção narrativa sublime que nos emerge desde o primeiro momento.

Quanto aos adeptos de algo mais forte, frenético e dramático, sugiro que repensem sobre o que desejam efetivamente assistir. Esta é uma série agradável, mas não possui de todo esses requisitos. Se por um lado, a singularidade de Akagami é facilmente absorvida pelos amantes de animação em toda a sua essência. Por outro, os amantes do género em questão irão rejubilar por mais um quebra clichés rico e entusiasmante.

 

 

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