A primeira vez que me cruzei com Mars Red foi aquando a sua adaptação anime, na Temporada de Primavera de 2021. Chamou-me a atenção pela sua estética (e fardas!) – fez-me lembrar Owari no Seraph – e, claro, por se tratar de vampiros.
Mas, foi só isso. Não me passaria pela cabeça ler/ver o manga não fosse a aposta da Editora Midori. Em suma, sou humana e erro…
Mars Red Volume 1 – Análise | Editora Midori
- Manga: Mars Red
- Editora: Midori Editora
- Ano de Publicação em Portugal: Maio 2023
- Autores: Bun-O FUJISAWA (Argumento); KarakaraKemuni (Adaptação + Arte)
- Origem: Musical


Uma leitura surpreendente
Vamos começar por constatar o óbvio: a capa do volume é linda. Não podemos apontar nada à estética e visual do volume. É estupidamente bonito. Só por aí já me conquistou. Compraria fácil só para o ter em exposição nas minhas prateleiras (aproveito para adiantar que já tivemos um sneak peek do volume 2 pela Editora Midori, e consegue ser ainda mais bonito!!!).
Mas eis aquilo que não estava à espera: a história é, de facto, interessante!
Ao contrário do esperado, tratando-se de um shounen de vampiros, começamos o manga mais ao estilo policial: com a protagonista Shirase Aoi, repórter num jornal de caráter sensacionalista, a investigar uma série de mortes…
A todo o ambiente de Japão dos anos 20’s (a história decorre pelo ano de 1923, Era Taishou) é adicionada a mística e arte steampunk, conferindo um design único e tornando o story telling misterioso.
Tratando-se de uma obra de época, exige uma atenção ao detalhe por parte do leitor (mesmo para percebermos o enquadramento temporal-social) que me surpreendeu tanto quanto me agarrou. Sempre adorei o glamour dos anos 20 e o ambiente mecânico da revolução industrial, considero que a artista conseguiu-nos envolver muito bem em todo esse ambiente.
Mas, como é a história de Mars Red?
A minha sugestão é lerem sem saberem nada de nada, tal como eu. Ainda assim, se pretenderem continuar a ler a minha análise, não se preocupem que não terá spoilers. A minha opinião mais específica quanto à edição deste volume encontra-se mais abaixo 😉
Começamos a leitura com um terramoto, “O grande terramoto de Kanto”, de 1923. Temos assim a nossa primeira referência histórica verdadeira. A nossa protagonista Aoi, tenta salvar uma pessoa que se encontra numa sala de espetáculos à mercê da estrutura que aparenta se desmoronar a qualquer momento.
Logo de seguida recuamos na narrativa, uns anos antes, na Capital Imperial – Tóquio. Onde Aoi investiga uma série de mortes enquanto vive o luto pela perda do seu melhor amigo e noivo, Shuutarou. Revoltada e em dor, Aoi acredita que Shuutarou esteja vivo. Afinal muita coisa há por explicar, segundo a repórter: aquando a suposta “morte”, esta recebeu apenas uma Certidão de Óbito afirmando que o seu amado tinha falecido, sem corpo e sem especificarem como.
Determinada a encontrar a verdade – seja sobre os casos de assassinato, seja no caso do seu amado – Aoi acaba envolvida numa teia perigosa e sobrenatural de mortes e batalhas sangrentas.
Em paralelo, temos o “Código Zero”, a 16ª guarnição do Exército Militar e Policial do Império Japonês, uma unidade especial composta por “Super Soldados” infetados por vampiros, ou seja vampiros, que trabalham para o governo com o objetivo de matar e controlar outros vampiros.
Patrocinada pelo estado, no seio da revolução industrial, assistem a uma dificuldade crescente em serem financiados. O exército não acredita no seu valor real, e encara as apostas indústriais como uma via muito mais prolífera que a de super soldados (claramente tudo gente que nunca enfrentou um vampiro!).
Duas linhas narrativas e muito potencial!
Admito que sou fã da componente de romance de Mars Red. O amor entre Aoi e Shuutarou é tão doce. A determinação da protagonista é apaixonante. E mais!… Estamos a falar de uma mulher dos anos 20 a se afirmar enquanto pessoa independente e capaz de trabalhar e lutar num meio machista e difícil de sobreviver. Além disso, aborda muito o luto. Aoi perdeu o irmão e logo a seguir o noivo. Está sozinha. O desespero que a vemos sentir, os pensamentos e toda a progressão da personagem que tenta “viver” e encontrar força interna para tal, é muito prazeroso de assistir.
Por outro lado, temos a linha militar que nos causa alguma ansiedade e desconforto. Por um lado por já sabermos, pelas demais obras do género, o quão injusta a hierarquia militar é; por outro por não estarmos a perceber qual o objetivo primordial da obra. Explicando através de um exemplo, em Naruto, o objetivo é ver o protagonista a ser Hokage, aqui não sabemos bem qual o fim. Terminei o volume sem entender para onde caminhava, pelo menos nesta linha narrativa.
No caso da linha narrativa da Aoi, acho que é inegável a curiosidade sobre o “Romeu” e qual o papel deste na vida dela. Acredito que o segundo volume aborde um pouco mais a relação dos dois até ao fatídico terramoto.
Vale a pena comprar o Mars Red Volume 1 pela Editora Midori?
Oh se vale! A tradução está impecável. E não me refiro apenas ao português de Portugal mas também – e sobretudo – a dois pontos que achei fulcrais: o uso de expressões populares a substituir expressões japonesas com o mesmo significado; e notas históricas a contextualizar o leitor.
Além disso, no final do volume temos a tradução de dois textos muito importantes para entender a origem de Mars Red. Uma carta da ilustradora KarakaraKerumi e agradecimentos (com explicação do processo criativo) do autor original e da ilustradora.
Convém relembrar que Mars Red é, originalmente, uma peça de teatro musical, de Bun-O FUJISAWA. Adaptar o argumento não deve ter sido nada fácil, sobretudo quando se trata de algo tão “vocal” quanto um musical. Dito isto, é uma boa aposta de leitura. Vão encontrar qualidade na edição, uma arte deslumbrante e um ambiente cativante.
Venha o segundo Volume!
Análises
Mars Red Volume 1 - Midori Editora
Japão, anos 20, um terramoto afeta a região de Kanto e levanta com ele uma série de mistérios que a repórter Aoi se encontra a investigar. Entre eles mortes misteriosas e o desaparecimento do seu noivo.
Os Pros
- Arte
- Protagonistas interessantes
Os Contras
- Linha narrativa militar que deixa dúvidas quanto ao seu futuro