
Título: Shokugeki no Soma
Adaptação: Manga
Produtora: J.C. Staff
Géneros: Ecchi, Escolar, Shounen, Culinária
Ficha Técnica: Disponível
Opening
Kibō no Uta (Song of Hope) – ULTRATOWER
Enredo
A Tōtsuki Culinary Academy é uma escola de culinária de elite “suprema” na qual menos de 10% dos alunos se graduam. Aqui, todas as discórdias são resolvidas no definitivo e apaixonante confronto “mano-a-mano”: Shokugeki. Acompanhamos então Yukihira Sōma, um jovem com o sonho de ser o chef no seu restaurante de família. Este é desafiado pelo pai a sobreviver a este inferno elitista e tornar-se o melhor.
A sinopse serve apenas para dar uma ideia geral do universo de Shokugeki no Soma, porque, em boa verdade, após a visualização do primeiro episódio é possível vislumbrar as várias possibilidades e o potencial que a narrativa encapsula a partir de uma premissa que à partida parece linear.
O primeiro episódio chega para nos dar a introdução e nos deixar água na boca para ver os seguintes, algo que também ocorre no manga. Este é outro ponto vital que deve ser analisado. Tudo indica, após esta visualização, que o realizador, escritor e toda a equipa técnica envolvida, têm bem presente o material fonte. Fala-se muito em fan service hoje em dia como algo prejudicial, que é utilizado pelos estúdios como uma maneira preguiçosa de adaptar uma obra. A adaptação de Shokugeki no Soma deve escapar a essa lista. A fidelidade ao manga de Shun Saeki e Yuuto Tsukuda é algo que deve ser louvado. Dado o material que o estúdio dispõe, uma adaptação que segue as ideias e linhas principais da obra original e fornece excelentes apontamentos (que vou referir adiante) para enaltecer e aprimorar sentimentos que o papel simplesmente não consegue transmitir, é o caminho a seguir.
Ambiente
Bem, falando do óbvio e do elementar primeiro: esta é uma adaptação anime levada a cabo pela J.C. Staff, um estúdio que cria o balanço perfeito entre mistificar o quotidiano e obras slice of life (Bakuman e Nodame Cantabile) bem como dar o ar da sua graça em trabalhos que requerem algum toque de magia (Witch Craft Works). Estabelecendo isto e as obras que referi, a J.C. Staff tem um bom padrão que aplica na adaptação de Soma, digamos que está como peixe na água. O advento de novas técnicas de animação e possibilidade de maiores resoluções permitem elevar este padrão ainda mais. Por isso, há que agradecer ao estúdio, pois caso o nível de animação se mantenha neste nível ou até se eleve, vamos ter uma das mais belas produções visuais deste ano.
Há que ter bem presente que tratando-se fundamentalmente de uma obra que, apesar de shounen não possui as mesmas armas que outras desta categoria. Aqui não se espera sangue, lutas físicas de proporções titânicas ou super poderes ocultos. A arma que esta obra possui é o detalhe do desenho no que toca aos alimentos e técnicas culinárias e a criação de momentos de tensão entre o confronto de personagens sobretudo quando parece que o destino delas se prende com uma receita. Na outra ponta do espectro consegue, com igual facilidade, dar um particular toque de comédia que é essencialmente expresso na reação das personagens aos pratos apresentados. Julgando por este episódio posso afirmar que o estúdio está de fato no melhor caminho possível, tanto a nível de design dos pratos, como das personagens (trabalho magnífico de Shitaya Tomoyuki) assim como da banda sonora que é épica quando tem que ser e funcional quando o momento pede algo mais estranho e divertido.
Potencial
Se tiveram a paciência de ler até ao fim, sabem que na minha opinião este é um anime com muito potencial e que terá tanto mais impacto quanto o estúdio quiser pois a fonte, a obra original, possui as linhas de enredo necessárias para que tudo à volta aja como complemento perfeito para transformar a criação de Shun Saeki e Yuuto Tsukuda numa série de respeito também no mundo anime.
Tem um ambiente fantástico e a tradução do papel para o ecrã não é apenas boa, como ainda a empurra para lá dos limites possíveis da animação, de tal forma que quase cheiramos a comida que nos é apresentada. Preparem-se para ficar como muito apetite durante e após cada episódio.
Por outro lado, o primeiro episódio deu ainda para antecipar alguns detalhes do caráter de certas personagens o que, aliado a um bom trabalho de atuação vocal, permitem antecipar que as personagens que já apareceram e as que vão aparecer, serão o núcleo da adaptação que é deliciosamente englobado pelo ambiente culinário.
O que pode correr mal? Muita coisa, pois antevejo que tudo dependa da aceitação do público. Mas sinto que o estúdio está preparado para contingências dessas e que não baixará padrões nem usar atalhos.
Só o tempo dirá se Shokugeki no Soma ganha ou não lugar nas nossas prateleiras e, acima de tudo, nos nossos corações.
Análises
Shokugeki no Soma
Só o tempo dirá se Shokugeki no Soma ganha ou não lugar nas nossas prateleiras e, acima de tudo, nos nossos corações.
Os Pros
- Fiel à obra original nos pontos essências
- Excelente animação
- Ambiente que nos deixa a salivar por mais
Os Contras
- Tema de culinária num mundo Shounen pode ser um risco