As Ilhas Laranja representam a segunda temporada do anime Pokémon. Depois de uma primeira série que conquistou muitos adeptos, terá esta jornada de apenas 36 episódios superado a sua antecessora? A resposta surge já de seguida, com uma pequena viagem pelos pontos chave das Ilhas Laranja.
Pokémon Aventuras nas Ilhas Laranja | A História
Depois de uma prestação satisfatória na Liga Indigo, Ash, Misty e Brock são enviados pelo Professor Oak para as Ilhas Laranja com vista a recolherem uma Pokébola diferente de todas as outras. Este objeto repleto de mistério tem um “G” e um “S” gravados e em vez de ser vermelha ostenta a cor laranja.
Todavia, aquela que parecia ser apenas uma deslocação à Ilha de Valência para recolha da Bola GS torna-se numa aventura com dimensões bem maiores. Ao descobrir que pelas ilhas adjacentes à de Valência decorre a Liga Laranja, torneio destinado aos treinadores de Pokémons, Ash não vai aceitar regressar a Pallet sem antes participar na competição de pokémons mais importante da região.

Pokémon Aventuras nas Ilhas Laranja | Episódios para todos os gostos
Não tendo sido eu a elaborar a análise no ptAnime à primeira temporada de Pokémon, vou aproveitar para me alongar um pouco nesta segunda aventura que manteve muitos dos aspetos apresentados durante a Liga Indigo.
Há dias terminei de rever “Pokémon Aventuras nas Ilhas Laranja” e, agora numa fase mais adulta da minha vida, consigo perceber as diferenças de sentimentos aquando da visualização durante os meus tempos de adolescente. No tempo presente, olho para Pokémon como uma série com muitas caraterísticas orientadas para os mais novos, mas que ainda assim não deixa de ter alguns aspetos que cativem os graúdos.
A história/enredo de Pokémon é em si muito simples. Por vezes são necessários muitos episódios para se encontrar alguma desenvoltura no que toca ao desenvolvimento das personagens, dos pokémons ou do fio de história que conduz Ash na sua jornada para se tornar um grande treinador de Pokémons. Um exemplo claro disto é a relação entre Ash e o seu Charizard, cujo desentendimento parecia não ter fim. Só na reta final desta série é que esta situação ficou resolvida, acabando esse por ser um episódio que apreciei enquanto graúdo.
Já na outra face da moeda está o famoso Team Rocket que é presença assídua na trama. Para mim não deixa de ser tempo de aborrecimento, pois o desfecho deste trio é sempre o mesmo. Todavia, os mais novos certamente que os veem com outros olhos. Para eles é tempo útil, tempo de interesse. Posto isto, é fácil perceber porque Jessie, James e Meowth não falham uma presença.
Relativamente aos episódios mais banais, são eles que fazem os mais velhos desesperar pela chegada de Ash ao próximo ginásio, mas que deixam a pequenada sempre satisfeita. Felizmente há sempre um ou outro que se safe, como é o caso daquele em que Meowth e Pikachu se perdem dos seus companheiros e são obrigados a cooperar, ou aquele em que grupos de Squirtles, Wartotles e Blastoises assumem o papel de bombeiros da cidade e roubam o protagonismo a toda a gente. Digamos que são exceções à regra.
Por fim, temos os capítulos que assinalam o progresso de Ash na sua caminhada, neste caso pela Liga Laranja. Os episódios em que o ator principal mede forças com líderes de ginásios. A meu ver são estes que juntam a pequenada com os mais velhos. O universo Pokémon suscita muito interesse pelas criaturas que apresenta e por tudo o que as envolve. Ora se há altura em que os pokémons brilham é nos duelos entre si. Com alguma surpresa, estas batalhas assumem um formato diferente em “Pokémon Aventuras nas Ilhas Laranja”, conferindo alguma inovação à franquia. Mais do que medirem forças entre si, alguns desafios de ginásio são verdadeiros testes às capacidades físicas dos pokémons e suas especialidades. A precisão da “pistola de água” do Squirtle, a velocidade de Lapras no seu habitat natural e os duelos a pares entre pokémons são alguns exemplos das novas tendências que as Ilhas Laranja apresentam aos espetadores. Neste contexto situa-se ainda o duelo final da série, sobre o qual não vou falar muito para não suscitar grandes spoilers. Posso sim referir que este embate confere um desfecho de grande qualidade a esta sequela.
Pokémon Aventuras nas Ilhas Laranja | As Personagens
Logo no início desta aventura, o trio mais conhecido da Liga Indigo sofre uma alteração. Brock decide fazer companhia à Professora Ivy no seu laboratório e quem assume o seu lugar é Tracey, um jovem observador de Pokémons. Depois de saber que Ash e Misty conhecem uma das personalidades deste universo que ele sempre desejou conhecer (Professor Oak), o rapaz nunca mais os vai largar. Curiosamente, Tracey Sketchit traz consigo um pokémon para além dos 150 numerados que até à data eram conhecidos no mundo do anime, Marill. Este pokémon de água bastante engraçado, juntamente com Lapras e com a super fofa Togepi, deixa perceber que uma nova fornada de pokémons está para chegar no pós Ilhas Laranja.
“Pokémon Aventuras nas Ilhas Laranja” não é uma série abundante em novos pokémons. Na verdade, alguns dos que acabam analisados pelo Pokédex de Ash já tinham passado por essa mesma avaliação na Liga Indigo. Uma palavra final para Lapras que é presença constante na trama, sendo peça fundamental para a deslocação dos nossos amigos entre as várias ilhas. Com um pokémon como este não há ninguém que queira fazer as deslocações de barco ou canoa.
Pokémon Aventuras nas Ilhas Laranja | O Ambiente
Como facilmente se percebe, “Pokémon Aventuras nas Ilhas Laranja” deixa os ambientes citadinos para fazer das ilhas, do mar e da praia uma presença regular. Uma escolha que só pode agradar a gregos ou a troianos, mas que para a história em si significa uma maior presença de pokémons de água. Desta feita, e voltando aos parâmetros da história, Misty podia ter aproveitado para enriquecer o seu lote de pokémons deste tipo. Sem grande relevo, despediu-se das Ilhas Laranja apenas com mais um: o amável Poliwag.
Já a vertente musical mantém-se fiel àquela que podemos ouvir nos videojogos da franquia e na série anterior, o que me parece motivo para sorrir. De uma forma geral as badaladas são todas elas agradáveis. A música reproduzida no duo Opening/Ending também merece o seu destaque pela carga de animação e diversão que contém. Particularmente para as crianças deve ser difícil não a cantarolar. Quando dão por ela já o estão a fazer.
Pokémon Aventuras nas Ilhas Laranja | Juízo Final
Com apenas duas temporadas analisadas neste espaço, a verdade é que estas aventuras pelas Ilhas Laranja cativam essencialmente os mais novos, não deixando de captar o interesse dos graúdos em alguns dos seus episódios melhor cotados. Esta parece ser a fórmula mágica que a TV Tóquio encontrou para fazer de Pokémon um fenómeno ainda maior na televisão e nos videojogos, já que uma categoria leva à outra. A ver vamos o que nos reserva a próxima aventura desta franquia que parece não ter fim.
De forma muito resumida, os fãs de Pokémon que se continuam a sentir atraídos por este universo, caso ainda não tenham visto “Pokémon Aventuras nas Ilhas Laranja” – algo improvável pois a série passou em Portugal – devem fazê-lo. Caso contrário, valorizo esta produção apenas no sentido dos mais novos, aos quais é super recomendada, até pelas simples lições de vida que alguns episódios incluem e que ao público mais adulto nada têm a acrescentar. Por agora é tudo, segue-se a Liga Johto!
Análises
Pokémon Aventuras nas Ilhas Laranja
Mais orientada para o público adolescente, esta segunda temporada de Pokémon não deixa de cativar a classe mais adulta em alguns dos seus episódios nem aqueles que sempre foram apaixonados por este universo.
Os Pros
- Banda Sonora
- Produção Visual
Os Contras
- Nada de relevante a apontar