A rapariga que inventou um sonho de Haruki Murakami – Crítica Literária

por Raquel Cupertino
A rapariga que inventou um sonho de Haruki Murakami - Crítica Literária

Nunca li Murakami na vida. É verdade, shame on me, por este ser o meu primeiro livro do autor, sem nem ter pegado no consagrado Kafka À Beira-mar. A minha aventura literária por um dos maiores autores japoneses vivos começa assim com uma coletânea de contos.

 

A rapariga que inventou um sonho de Haruki Murakami – Crítica Literária

A rapariga que inventou um sonho de Haruki Murakami - Crítica

 

A rapariga que inventou um sonho de Haruki Murakami, trata-se de um conjunto de obras que nos inspiram e suscitam em nós as mais variadas emoções. O medo, o terror, a ansiedade, a paixão, a solidão e a apatia, caminham lado a lado ao longo de todo o livro.

Considero que foi uma criação prodigiosa só pela forma como mexeu com as minhas emoções. Num dia estou a ler um conto de um rapaz que perdeu o seu melhor amigo para o mar, e no seguinte encontro-me imersa numa reflexão sobre o significado de ser-se “tia”, em todos os contextos que uma introspecção é capaz de alcançar.

 

A cada capítulo uma história a descobrir…

Não existe um padrão. Não há uma linha condutora entre cada história e muito menos encontram-se todas dentro do mesmo género. Em boa verdade há, inclusive, algumas em que o limite entre a fantasia e a realidade é tão ténue que não consigo categorizá-las.

Pessoalmente e enquanto noob literária devo dizer que é um desafio analisar este livro. É como se me pedissem para comentar vários livros ao mesmo tempo sem poder falar em nenhum deles de uma forma mais pormenorizada.

O número de páginas de cada conto varia de 10 a 30 páginas, em média, sem qualquer tipo de padrão. Apenas a vontade do autor em escrever e explorar cada uma delas dita a longevidade das mesmas.

 

A rapariga que inventou um sonho de Haruki Murakami - Crítica Literária

 

Existe narrativas a abordar os mais diversos temas pelo que poderão gostar mais de um conto que do outro, tudo muito dependente do gosto pessoal e do “mood“.

Habituada a ler bestsellers ou obras de género bem definido, considero A rapariga que inventou um sonho uma obra de autor. Apesar de todas diferentes as histórias são todas elas altamente introspectivas. Os protagonistas reflectem e/ou comentam sobre algo abstrato, podendo, não raras vezes, apenas usar uma situação inusitada como pano de fundo para a reflexão de temas mais profundos como a vida ou a solidão.

 

A rapariga que inventou um sonho – Um reflexo do autor?

Não conheço o autor, e feliz ou infelizmente, não tenho nenhuma opinião formada do mesmo. Sei que é dos autores contemporâneos mais reconhecidos no panorama mundial, mas o meu conhecimento fica por aí. Isto para dizer que não sei se a melancolia que senti na A rapariga que inventou um sonho é ou não padrão do mesmo.

Não é uma obra de comédia nem tão pouco posso a considerar de romance puro e duro, apesar de tantas vezes abordar o amor. O livro é uma coletânea de muitas histórias sobre tudo e sobre nada em concreto, para nos fazer pensar e relaxar. É um exercício de relativização da vida, do amor, da solidão, da humanidade.

Um must read intemporal para quem quer desfrutar uma boa e curta história, sobre a vida, as pessoas e as suas emoções.

 

 

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