A Cultura Geek Japonesa na Era da Covid-19

Artigo original de Brian Ashcraft

 

A pandemia de Covid-19 continua ativa, com maior ou menor intensidade, um pouco por todo o mundo, Japão incluído. Ao longo dos últimos meses, o estado de emergência foi renovado em várias regiões do país, estando Tóquio presentemente sob restrições ao mesmo tempo que decorrem os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2020, com um ano de atraso e sem público nas bancadas.

 

A Cultura Geek Japonesa na Era da Covid-19

Nem as amadas maids escapam ao imperativo da máscara.

 

As tentativas de travar a expansão do vírus SARS-CoV-2 levaram muitas pessoas a ficar em casa e a praticar o auto-isolamento; o teletrabalho e as aulas online tornaram-se imprescindíveis, embora nem sempre gerem resultados ideais, mas um maior conhecimento da doença e a vacinação podem reverter a situação. Imensos negócios viram-se obrigados a encerrar temporariamente e uma parte não voltará a abrir as portas. O mundo mudou. O que significa isto tudo para a cultura otaku japonesa?

 

Esta cultura depende muito de concentrações de pessoas em pontos geek como o bairro Akihabara (Tóquio) e a Den Den Town (Osaka), da ida a convenções de anime e videojogos, da presença desconfortável em salas de concertos cheias para assistir a espetáculos de idols e do consumo de comidas leves em maid cafes. Devido à Covid-19, grandes convenções como a Comiket e a Tokyo Game Show foram canceladas e substituídas por modestas edições online em 2020; o maior evento dedicado a figuras e réplicas, o Wonder Festival, também foi cancelado. Em 2021 teremos menos eventos e mais limitados pelas restrições, mas a situação pandémica não é tão previsível como se esperava.

 

Uma vez que muitos focos iniciais de Covid-19 no Japão tiveram origem em palcos e salas de concertos, os encerramentos dispararam na primeira metade de 2020. Uma das soluções para retomar as agendas musicais adiadas foi este conjunto de caixas transparentes que pode ser usado em espetáculos ao vivo.

 

Caixas de proteção apresentadas pelo grupo Enatsu no tatari. Este tipo de escudo protege os músicos, mas seria preciso algo mais para garantir a segurança do público.

 

Os salões de jogos também passaram um mau bocado. O centro de entretenimento independente Mikado, em Tóquio, foi abraçado por uma onda de apoio sob a forma de donativos (crowdfunding) que compensou a queda na afluência de clientes, assustados pelo novo coronavírus.

 

Apesar de a maior parte da população se ter visto obrigada a permanecer em casa, isso não foi visto como uma benesse para produtores de videojogos como a Nintendo, que temeram alterações e atrasos no processo criativo e no fornecimento tanto de matérias-primas como de produtos finais. Felizmente para estas companhias, o novo estilo de vida caseiro e sedentário resultou num aumento significativo na venda de consolas e jogos.

 

 

 

[Nesta sala com simuladores de condução foram instaladas placas de acrílico entre assentos para evitar o contágio.]

Houve estabelecimentos de eletrónica que permaneceram abertos em zonas como Akihabara.

 

 

Nesse mesmo bairo, muitos locais simplesmente encerraram.

 

 

No geral, Akihabara ficou transformada numa cidade-fantasma.

 

 

As medidas de segurança sanitária foram adotadas aos poucos, dando um novo aspeto à paisagem urbana na era da Covid-19.

 

 

Na Yodobashi Camera de Akihabara, uma das maiores lojas de eletrónica em Tóquio, os clientes são aconselhados quanto ao modo como devem estar nos elevadores.

 

 

Alguns maid cafes continuaram abertos e tiveram em consideração as restrições impostas. O seguinte tweet mostra como estes estabelecimentos tentaram proteger os clientes e as maids de contágios nos primeiros meses de pandemia, com medidas que viriam a ser reforçadas.

 

 

Em maio de 2020, com o prolongamento do estado de emergência, alguns dos maid cafes mais populares de Akihabara ou fecharam as suas portas temporariamente ou ofereceram a opção de take-away (refeições preparadas pelas funcionárias). Maidreamin foi um dos estabelecimentos que se manteve encerrado, tendo optado por manter a atividade através de vídeos em que o pessoal era gravado a fazer coisas como preparar omuraisu.

 

[Serviço Virtual Maidreamin]

 

Outros estabelecimentos pediram aos clientes que higienizassem as mãos e encarregavam o seu pessoal, devidamente protegido com máscaras, de desinfetar superfícies e instalar placas de acrílico entre mesas.

 

Maid borrifa mãos de cliente com álcool-gel.

 

Houve cafés que começaram a reabrir com horários reduzidos.

 

 

Os maid cafes tendem a encher, pelo que estas medidas de proteção têm sido eficazes no controlo da doença.

Toku Dane, um dos mais famosos programas matinais televisivos, deu destaque ao maid cafe Strawberry, em Sendai, que reabriu com películas transparentes a separar cada cliente.

 

 

Na imagem seguinte pode-se ver como era a disposição da sala antes da pandemia e como ficou durante um dos “estados de emergência”.

 

A Cultura Geek Japonesa na Era da Covid-19

 

O café Strawberry perdeu 80% dos seus lucros nos primeiros tempos de pandemia e conseguiu manter as maids empregadas graças a uma página de crowdfunding.

 

 

Depois do caos inicial, de alguns casos alarmantes e alguns meses de aparente calma em que as medidas de distanciamento social e a esperança da vacinação causaram o relaxamento por parte da população, o número de casos de Covid-19 voltou a aumentar e vários especialistas sugerem que o novo estado de emergência se alargue a todo o Japão.

 

Voltaremos a ter enchentes para eventos, multidões a conviver e cafés repletos de clientes? Quando a Covid-19 deixar de ser uma pandemia, quantos estabelecimentos estarão ainda abertos e a funcionar normalmente?

 

Fonte: Kotaku

 

 

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