Aoharu x Kikanjuu | Análise

A série anime Aoharu x Kikanjuu trata-se da adaptação da manga de NAOE, pelo conceituado estúdio Brains Base (Amnesia, Baccano, Blood Lad, Durarara!!). Estreou na temporada de verão de 2015, e prometia ser uma das séries de destaque da temporada. Será que conseguiu?

 

Aoharu x Kikanjuu | Opening:

Toy☆GunGun – “The Bravest Destiny”

 

Aoharu x Kikanjuu | Enredo

Quando Hotaru se muda sozinha para um novo apartamento, encontra um homem misterioso perto deste. Obcecada por condutas corretas, decide confrontar o seu, ao que parecia, novo vizinho. No dia seguinte na escola, Kanae, a melhor amiga de Hotaru, conta-lhe que um anfitrião a enganou de forma a que a mesma lhe desse o seu dinheiro. Quando Hotaru o vai confrontar, descobre que o homem é nada mais nada menos, que o seu vizinho Masamune?! Em resultado da confusão despoletada entre Masamume e Hotaru, a jovem acaba por integrar a equipa de competição de airsoft, de Masamume: a Toy GunGun. Uma equipa que não permite raparigas como membro integrante.

 

 

Aoharu x Kikanjuu estreia-se com uma premissa inovadora e repleta de potencial, para um shounen de ação e aventura tendo por base o desporto em vigor. Contudo, tal não se veio a comprovar. Muito pelo contrário!

 

 

Em contrapartida, vemos uma obra que não sabe muito bem o que quer ser. Quer ser um romance heterossexual, um romance homossexual, ser ambos é também uma hipótese, ou uma série de ação, com algum thriller, mas talvez até seja sobre o desporto em vigor. Bem, a verdade é que nos primeiros episódios é difícil discernir qualquer uma das linhas, tornando-se uma salada de conceitos sem nenhum deles ser desenvolvido em concreto e muito menos com qualidade.

 

 

Cada episódio é semelhante a uma montanha russa, ora temos um pico acima da média ora uma descida vertiginosa.

 

Aoharu x Kikanjuu é o que se pode chamar de obra bipolar, no mesmo episódio temos nuances de qualidade narrativa suficientes para fomentar a curiosidade e prender o espetador, e por outro, uma quebra de construção narrativa tão repentina que parece propositada. Em suma, quando pensamos que a obra pode ser boa, vem algo que nos alerta que não, esta não passará de algo mediano como um todo.

 

 

Duas linhas narrativas – Um mesclado de ideias

As personagens são o mais comum e linear possível. O cliché é reforçado à medida que o leque de intervenientes aumenta. A única personagem que numa fase inicial cativa é a protagonista. O potencial inerente a Hotaru é progressivamente destruído à medida que uma das premissas fulcrais (quando ela vai revelar o seu género) é consecutivamente mal desenvolvida, mal utilizada e atrevo-me a dizer, por vezes esquecida. O seu senso de justiça e vontade de combater o “mal” aproximam-na de uma protagonista mahou-shoujo em modelo masculino, criando algumas cenas de comédia fácil. As restantes personagens, em particular os desportistas de airsoft, revolvem em torno de estereótipos definidos e sem grande espaço para progressão.

Como fã de yaoi, as semelhanças entre os protagonistas de Aoharu x Kikanjuu e os vulgarmente utilizados no género, são avassaladoras. Em boa verdade, mesmo para os espetadores não familiares com o género, as associações são evidentes. O teor de romance homossexual não é negado, e muito menos filtrado. As personagens masculinas sentem-se atraídas umas pelas outras, sendo que a linha entre a admiração e a atração física é tão ténue que só a sentimos entre o casal “hetero” de protagonistas.

 

 

Mas a obra é um anime yaoi ou shounen-ai? Não, teoricamente trata-se de um shounen, com o desporto airsoft como base narrativa. Até a meio da série, pouco ou nada foi desenvolvido com coerência nesse quesito. A balança pesava indubitavelmente para o lado mais pernicioso, até que um plot twist surge e o pouco que se poderia retirar de bom é finalmente emanado.

O desporto fez-se presente e a sequência de “batalha” conseguiu mostrar, apesar de todo o exagero aliado à protagonista, uma mísera parte do potencial do airsoft enquanto componente narrativa.

 

 

Aoharu x Kikanjuu | Ambiente

Para os conhecedores dos estúdios envolvidos era de se esperar uma animação sólida e minimamente consistente, pelo menos dentro da média, que foi o que se verificou. Infelizmente neste quesito Aoharu x Kikanjuu não brilhou e muito menos surpreendeu, ficando-se pela média e, tendo em conta os estúdios, ligeiramente a baixo da média comparativamente a outras obras produzidas pela Brains Base.

Apesar da solidez, apresentou algumas falhas e pontos altos que afetaram a consistência da obra, tendo sido esperado algo melhor para esta produção. Ainda assim, não deixa de ser uma obra agradável a nível visual, com uma luminosidade bastante brilhante e uma coloração agradável. Os picos de qualidade de animação estão concentrados nas cenas dedicadas ao airsoft. As sequências em slow motion tornaram a disputa mais cativante, bem como acentuaram uma sensação bélica que iria alimentar a pobre construção narrativa do jogo. Em compensação, os stare moments, as paragens de imagem para supostamente transmitir um deep meaning com os exageros cénicos associados, foram um mau hábito da produção criando momentos sem fundamento absolutamente nenhum.

 

 

O opening e ending brilharam com grandes interpretações, tendo sido o ponto forte a nível sonoro, em toda a obra. Já a banda sonora em si, demonstrou-se dentro da média com melodias divertidas e originais mas que pouco se demarcam, apesar de que, quando ouvidas com atenção, enriquecem a animação que têm por base.

 

 

Aoharu x Kikanjuu | Juízo Final

Aoharu x Kikanjuu é resumidamente uma salada de clichés românticos dentro dos géneros shounen-ai e shoujo, com um deslumbre da modalidade em desenvolvimento na obra, pelo meio. As personagens são demasiado genéricas para cativarem a atenção dos espetadores mais exigentes, e a premissa original apesar de aliciante, não passa de um elemento a ornamentar um conjunto de ideias que não se conseguem definir como um todo. Para os mais inexperientes, sobretudo para os mais jovens nestas andanças, acredito que esta será uma obra que vos irá agradar. Afinal de contas, com tantos elementos algum há de cativar!

É inegável a curiosidade que a obra nos remete. Airsoft é algo inexplorado na animação japonesa e tratando-se de uma modalidade pouco conhecida, alicia todo e qualquer espetador a descobrir quais os contornos desta adaptação e como pegaram nesta modalidade. No entanto, a narrativa pouco apelativa e sem uma linha coerente e estruturada a sustentar a premissa original, retira todo e qualquer intuito para a visualização de Aoharu x Kikanjuu.

Em suma, a obra não possui qualidade narrativa e visual suficiente para atrair os espetadores mais experientes e muito menos os mais exigentes, tratando-se apenas de mais uma obra para ser sugada pelas massas e arrumada num canto. Para os obstinados por “mais um anime bonitinho”, fãs de yaoi, shounen-ai, e com um grande fascínio por “shippar” personagens e vê-las a contorcerem-se por atrações dúbias, aí sim, esta é a obra indicada.

 

 

 

 

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