Forbidden Siren | Análise PlayStation 4

por Ricardo Nogueira
Forbidden Siren

Uma pérola do terror Japonês que passou ao lado de muita gente quando saiu pela primeira vez em 2003 para a Playstation 2, Forbidden Siren (ou simplesmente Siren no Japão) está agora disponível na Playstation Store para a PS4.

Recebeu uma sequela e um remake Americano, mas nenhum se compara ao original. Forbidden Siren é simplesmente um dos melhores e mais assustadores jogos de terror asiático que tive o prazer de experimentar.

 

Forbidden Siren | Sinopse

O palco central do jogo é a misteriosa aldeia de Hanuda, algures numa região montanhosa do Japão. O enredo desenvolve-se ao longo de 3 dias, com um elenco de 10 personagens, todos a tentar descobrir (ou evitar que se descubra… ou simplesmente a deambular por ali a chorar) os mistérios escondidos pelos habitantes da aldeia, a estranha religião que lá é praticada, e o significado da imponente sirene que por vezes irrompe pelo nevoeiro, fazendo com que os mortos se levantem e se tornem nos shibito e dando aos protagonistas a habilidade de ver através dos olhos uns dos outros, ou até mesmo dos inimigos.

 

Forbidden Siren

O estranho culto que os habitantes praticam é central no enredo do jogo.

 

Forbidden Siren | Jogabilidade

Embora à primeira vista Forbidden Siren se assemelhe a outros marcos do survival horror, rapidamente descobrimos que esse não é o caso. Não nos dão uma arma para a mão e pedem para tratarmos dos inimigos à la Rambo. Na verdade, a jogabilidade baseia-se em escapar dos shibito, os antagonistas principais, usando maneiras engenhosas e inovadoras de os distrair ou eliminar, tomando partido da nossa habilidade de olhar através dos olhos deles.

O decorrer dos eventos do jogo é feito através duma espécie de horário, onde podemos selecionar o personagem e a altura do tempo que queremos jogar, abrindo portas para um sistema de “efeito borboleta”, onde por vezes para conseguirmos passar o nível da Personagem X às 14h, temos de primeiro abrir uma porta com a Personagem Y às 9h.

 

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A seleção de níveis, com a hora e a personagem. Linhas unem os momentos que vão influenciar outros personagens.

 

Rapidamente vamos dar por nós a andar para a frente e para trás no tempo, assistindo ao triste final de personagens que ainda nesta manhã ajudamos a escapar, mudando o decorrer dos acontecimentos do jogo até chegarmos ao verdadeiro final.

O grande senão de Forbidden Siren é a sua extrema dificuldade. Não no sentido de ter inimigos poderosos, mas em deduzir o que fazer. Cada segmento dá-nos simples indicações e objetivos, e cabe ao jogador descobrir onde ir, que item usar e onde. Por vezes é muito contra-intuitivo, como quando temos de usar um pedaço de fio e atá-lo a uma ventoinha, para criar uma distração e podermos fugir. Quando damos por nós a insultar uma ventoinha digital, pode-se dizer que sim, é um jogo por vezes frustrante:

 

 

E se eu disser que temos de congelar uma toalha para mais tarde a usarmos para partir um porquinho mealheiro e distrair um polícia zombie que estava a comer uma tarte, ninguém vai acreditar. Mas é verdade e, até me custa dizer isto, acaba por fazer sentido. E mesmo quando controlamos o eventual personagem que possui uma arma, não fica mais fácil. Balas são extremamente limitadas e cada tiro tem de contar, e contrariamente ao típico zombie, os shibito nunca morrem, apenas ficam temporariamente sem sentidos, dando ao jogador uns preciosos minutos para descobrir o que fazer a seguir. Várias vezes dei por mim a tentar fugir de um inimigo, mesmo tendo uma arma de caça, só para conservar balas para mais tarde.

 

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Matei este, mas fiquei sem balas e morri. Típico.

 

Forbidden Siren | Estética e Som

Por outro lado, os mapas e cenários de Hanuda são dos pontos fortes de Forbidden Siren, e raramente me importei de ter de os pesquisar minuciosamente. Desde minas abandonadas, a escolas, hospitais, templos e aldeias rurais, o ambiente do jogo está melhor do que muitos jogos mais recentes.

 

Casas tradicionais e escolas são alguns dos vários cenários que transmitem muito bem o ambiente e setting japonês.

Casas tradicionais e escolas são alguns dos vários cenários que transmitem muito bem o ambiente e setting japonês.

 

A combinação do nevoeiro, da chuva leve e da banda sonora composta por sons amorfos e notas aleatórias são o suficiente para nos pôr em alerta constante, mesmo quando estamos simplesmente a andar sozinhos e sem inimigos. Dei por mim a gritar de medo quando abri um portão e ele rangeu. Mas felizmente ninguém viu e a minha reputação mantém-se. Por enquanto.

Também há muito para explorar para além dos objetivos do jogo, com vários objetos, documentos e monumentos para encontrar e completar o Archive, que nos mostra mais aprofundadamente o passado de Hanuda e as razões por detrás dos acontecimentos do jogo.

 

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Algumas das coisas que estão no Archive mudam a nossa perspectiva de certos níveis.

 

Com o decorrer do tempo e à medida que avançamos nos eventos, os mapas e os inimigos vão também mudando de aparência, quebrando a repetição e adicionando ao pressentimento que fomos de facto apanhados no meio de algo muito maior.

Os gráficos mostram um bocado a idade do jogo, apesar do remaster. Mais precisamente a técnica usada para mostrar as caras dos personagens, que sendo todos baseados em atores japoneses reais, são muito obviamente fotografias bidimensionais coladas no modelo 3D, sendo por vezes muito estranho de se ver em ação. Mas tendo em conta que estamos a jogar um jogo já com 10 anos, não há grandes queixas para além disso.

 

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A qualidade da cara contrasta com o resto da personagem.

 

O elenco é variado, desde uma pequena estudante do 8º ano até ao trombudo caçador de 70 anos. Cada personagem tem o seu próprio sabor, e rapidamente os vamos ver a interagir uns com os outros, às vezes como aliados e outras vezes como rivais. Típico das obras japonesas, a variedade das personagens é interessante e por si só suficiente para nos manter cativados. Há aqueles que queremos salvar, e os outros que fazemos a festa quando finalmente os vemos a morrer. Tão bom.

 

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Cada personagem tem o seu mini perfil com a foto do ator/atriz que lhe dá a cara.

 

Forbidden Siren| Opinião Final

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Fujam desta

 

Forbidden Siren é, apesar da sua extrema dificuldade, um excelente jogo de terror japonês, que infelizmente não teve a atenção que merece quando saiu pela primeira vez. Pela sua dificuldade e necessidade de pensar antes de agir, não é para qualquer um. Mas se estão à procura de um jogo de terror com um bom elenco, ambiente espetacular, mecânicas de jogo interessantes ou simplesmente de uma boa desculpa para comprar roupa interior nova, então definitivamente recomendo Forbidden Siren.

 

 

 

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