Gifuu Doudou Kanetsugu to Keiji | Análise

por Renato Sousa
Gifuu Doudou Kanetsugu to Keiji | Verão 2013

Transmitida durante as estações de verão e outono do ano transato, Gifuu Doudou Kanetsugu to Keiji é uma série que leva o espectador em viagem até à Era Sengoku Japonesa. A produção visa recontar alguns episódios importantes que deflagraram naqueles tempos de guerra civil, onde estavam envolvidos diversos clãs japoneses.

E porque em tempos de guerra há sempre os que se destacam pela defesa de grandes ideais, e consequentes intervenções que mudam o rumo aos acontecimentos, eis que surgem em cena, com todo o protagonismo: Kanetsugu Naoe e Keiji Maeda. Dois excêntricos totalmente fiéis às suas ideias e linhas de pensamento dignas de calcarem o mesmo terreno em que assenta a justiça.

 

A importância de conhecer um pouco a História Japonesa

O contexto histórico japonês em que se encaixa Gifuu Doudou Kanetsugu to Keiji pode ser bastante complicado de se perceber para quem pouco conhece do Japão. Nomeadamente, da Era Sengoku em particular.

A série pode ser resumida em dois cenários:

  • o da guerra e dos vários confrontos entre clãs na luta pela conquista de prestígio e território;
  • o dos encontros políticos, nos quais marcam presença as grandes figuras dos diversos clãs. É nestas reuniões que se projetam os acontecimentos futuros;

Apesar dos cenários possíveis serem em número reduzido, o lote de personagens é bastante considerável. Como se não bastasse, os nomes não são nada fáceis de se fixar. Veja-se os dos dois protagonistas, que se juntam a outros como Kagekatsu Uesugi, Tarobei Ohnosawa, Hideoshi Toyotomi, Ieyasu Tokugawa ou Naomasa Ii.

 

Gifuu Doudou Kanetsugu to Keiji | Studio Deen

 

Com tantos clãs e uma constante entrada e saída de cena das mais diversas personagens, acreditem que por vezes é muito complicado seguir o fio dos acontecimentos. Isto também acontece por outro motivo. Isto é, pelo facto de se estar desenquadrado com esta parte da história japonesa. Afinal de contas, os nomes até são baseados em personagens reais daquela Era.

Ainda sobre a anterior dificuldade. Lembro-me perfeitamente de ver alguns episódios e de me perguntar quem era aquela cara que eu conhecia mas já não sabia o nome. Enquanto pensava na cena onde essa dita personagem tinha aparecido previamente, já o diálogo ou relato do narrador tinha tomado outros contornos, sendo obrigado a puxar o capítulo atrás.

Neste sentido, deveria ter havido uma maior preocupação por parte da produção em tornar a série mais percetível e orientada ao público estrangeiro e aos miúdos japoneses que agora começam a adquirir cultura histórica do seu país. Não seria coisa fácil, mas sem dúvida que era possível fazer melhor.

 

O desaparecimento de Keiji Maeda

Para além do narrador principal, os próprios protagonistas da história também assumem um papel semelhante a este. Desde o início da série que os dois surgem a beber sake e a recordar com alegria os acontecimentos que o espectador vai presenciando.

Todavia, a certa altura, Naoe assume esse papel em exclusivo. Keiji torna-se um mero ouvinte que de vez em quando tira as suas dúvidas. De facto, esta mudança corresponde ao que se passa na história, já que Maeda sai de cena a certa altura.

Uma situação que não faz muito sentido, pois desde o começo da série que os dois têm igual destaque. O próprio título da produção, Gifuu Doudou Kanetsugu to Keiji, comprova isso mesmo.

Como se não bastasse, o desaparecimento de Maeda também não é muito bem explicado. Mas há mais. Quando os dois surgem em conversa, Keiji aparece totalmente careca, ao contrário dos eventos históricos no qual esteve envolvido, sendo esta mais uma alteração que fica por explicar.

Ora, tendo isto em conta, e a forma aberta como a série terminou, estará nos planos da Studio Deen uma sequela a esta produção?

 

Gifuu Doudou Kanetsugu to Keiji | Verão 2013

 

Onde está a qualidade nas batalhas de Gifuu Doudou?

Em análise está uma série cujas batalhas envolvem os diversos clãs com ambição de controlar todo o território nipónico. Assim sendo, é normal que a atenção do espectador recaía sobre as lutas “travadas” entre os soldados e seus principais líderes. Aqui diria que “há muita parra para pouca uva”, uma vez que as animações estão longe de serem as melhores. Há apenas cruzamento de armas de forma estática. Depois disso, parece que a cena fica parada. Que não há desenvolvimento a não ser a morte ou o ferimento do guerreiro em questão. Gifuu Doudou Kanetsugu to Keiji deixa muito a desejar neste aspeto.

Por outro lado, a nível de paisagens e cenários que dão vida às cenas protagonizadas pelas personagens, o trabalho desenvolvido é muito apreciável. Basicamente, níveis de exigência diferentes originaram resultados diferentes nestes dois aspetos.

Já que estou a falar de matérias ambientais da produção, uma palavra para a banda sonora do anime. Esta é mais uma a conseguir passar despercebida na maior parte das cenas. As excepções são dois ou três momentos mais relevantes.

 

Uma série de Samurais que não descartou a fantasia

É mesmo isso que acabaram de ler. Os responsáveis pelo projeto aproveitaram as conversas entre figuras importantes para conferirem a Gifuu Doudou Kanetsugu to Keiji um pouco de fantasia. Os resultados não foram por aí além. Todavia, com os diálogos longe de serem interessantes, a ideia sempre tornou este tipo de cenas mais satisfatórias.

A técnica foi aplicada aos protagonistas. Muitas vezes testados até ao limite para demonstrarem a sua excentricidade, Keiji e Kanetsugu mostram-se capazes de emitir auras poderosas através dos seus corpos. Auras que chegam a dar origem a criaturas animalescas que intimidam as outras personagens presentes no local.

 

Gifuu Doudou Kanetsugu to Keiji | Verão 2013

 

Vale a pena viajar até à Era Sengoku para conhecer esta parte da História do Japão?

Sinceramente, não por intermédio de Gifuu Doudou Kanetsugu to Keiji. Este não é, definitivamente, o melhor caminho para uma travessia neste capítulo da história asiática. Esqueçam lá isso!

Primeiro, pela pobreza das batalhas, particularmente em termos gráficos. Segundo, pela excessiva perda de tempo com confrontos entre as figuras principais por intermédio de diálogos longos. Terceiro, pela complexidade do elenco, na qual faltou um desdobramento que permitisse ao espectador inteirar-se melhor com as várias personagens e aquilo que elas representam. A meu ver, estas são as grandes causas para o falhanço que se tornou este anime.

Para lá disto, temos os aspetos neutros e positivos. Nomeadamente: a banda sonora que raramente se destaca; as paisagens agradáveis com que o espectador é presenciado de quando em vez; os momentos de exibição que Keiji Maeda e Kanetsugu Naoe protagonizam através da sua excentricidade; um ou outro fator histórico que chega a ser bem explicado. Porém, tudo isto não dá qualidade suficiente para tornar a produção satisfatória ou mais do que isso.

De momento, a dúvida permanece sobre a possibilidade de uma sequela. Até porque o manga continua! A surgir uma segunda temporada, penso que os seus responsáveis deveriam repensar sinceramente num novo modo de estruturação dos acontecimentos, e, inevitavelmente, na melhoria dos combates. Este último pode ser o aspeto-chave para cativar determinado público.

Veremos o que o futuro reserva.

 

Gifuu Doudou Kanetsugu to Keiji – Trailer

 

 

 

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