A seguir ao sushi, a tempura (天ぷら tenpura) está entre as iguarias japonesas mais famosas e apreciadas dentro e fora do país do Sol Nascente.
Em qualquer restaurante buffet japonês-chinês, marcam presença a tempura de camarão ou de vegetais, como cenoura, abóbora, etc. São estas as duas grandes categorias de tempura – peixe e outros animais marinhos (como camarões e bivalves), e produtos da terra (vegetais, raízes, cogumelos ou folhas). Normalmente não se usa carne, pois esta por si mesma já contém um elevado teor de gordura, que se agravaria com a fritura. Pode ser comida sozinha com um molho próprio, como um aperitivo, por cima de arroz ou noodles, ou ainda como parte de um “set meal”.

A tempura como hoje a reconhecemos surgiu com a chegada dos ocidentais ao Japão no séc. XVI, e tem reconhecida influência portuguesa. Os nossos peixinhos-da-horta, onde a um polme à base de ovos e farinha se adicionam legumes ou outro ingrediente a gosto, sendo depois fritos em óleo bem quente, levaram uma transformação “à japonesa”, quer na preparação como na apresentação. A etimologia da palavra tempura provém do Português – em “tempero”, ou “têmporas” (que diz respeito aos dias em que os católicos não comiam carne).
Começou a ganhar popularidade no séc. XVIII, em pleno período Edo (1603-1868), quando na capital com o mesmo nome (atualmente Tóquio) proliferavam barraquinhas de comida de rua. Diz-se que era o prato favorito do fundador deste período histórico, o shōgun Tokugawa Ieyasu (1543-1616), e que terá mesmo morrido por tê-la comido em excesso!
Em teoria, é um prato fácil de confecionar em casa. O essencial numa boa tempura é preservar o sabor original dos ingredientes, não se usando qualquer tempero antes de ser cozinhado (curiosamente, uma contradição com uma das possíveis origens da palavra!). O polme é feito com ovos batidos, diluídos com um pouco de água fria, e farinha de tempura. Há quem use água com gás em vez da normal (o gás confere alguma leveza ao polme), ou uma mistura de farinha normal com um pouco de maizena quando não se tem a farinha própria. Depois de mergulhar o ingrediente no polme, coloca-se em óleo bem quente, que deve ser mantido a uma temperatura constante, ajustando o lume sempre que necessário. Quando ficarem com um aspeto dourado, retiram-se do óleo e escorrem-se antes de servir. O melhor é comer a tempura enquanto ainda está quente e estaladiça.
Agora que já sabem um pouco mais sobre este prato, que tal experimentarem fazer em casa e se deliciarem? Apenas tenham moderação na quantidade ingerida (lembrem-se do “amor” excessivo do shōgun)!
Como curiosidade e para saber mais, recomenda-se este pequeno documentário da NHK.