A Pandemia está a tornar Akihabara num Foco de Criminalidade

por Maria J Oliveira
A Pandemia está a tornar Akihabara num Foco de Criminalidade

A pandemia da Covid-19 não parece ter atingido o Japão com a mesma gravidade com que tomou outros países no mundo: o número de óbitos e casos por cada cem mil habitantes é baixo e um dos métodos de proteção mais eficazes contra o contágio, o uso de máscaras sociais ou cirúrgicas, já era praticado para prevenir a circulação dos vírus responsáveis pelas gripes e constipações.

No entanto, muitas zonas do Japão sofreram com as restrições trazidas por uma pandemia que, como indica o nome, afeta a sociedade a nível global. As quebras notórias no setor do turismo continuam a minar economias locais e nem os bairros mais famosos de Tóquio escapam.

 

A Pandemia está a tornar Akihabara num Foco de Criminalidade

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A Pandemia está a tornar Akihabara num Foco de Criminalidade

 

De acordo com um relatório recente da revista semanal Shūkan Gendai, o bairro de Akihabara (ou Akiba), o mais requisitado pelos fãs de anime, videojogos e cosplay, é atualmente mais “assustador” do que Kabukicho, o famoso bairro vermelho de Tóquio controlado por yakuza e gangues de natureza criminosa. A mesma publicação cita uma fonte próxima à polícia que notou um aumento no número de estabelecimentos ligados à cultura pop em Akihabara que mais não são do que “cópias dos originais” com ligações a grupos criminosos. Desde que o mais recente confinamento obrigatório terminou, as medidas policiais têm endurecido.

Ainda nos primeiros meses de 2020, quem visitava Akiba acabava muito provavelmente a enveredar por ruas secundárias onde mulheres jovens de cosplay tentavam atrair clientes para diversos estabelecimentos. A maioria destes locais era aquilo que anunciava ser: maid cafés legítimos, bares e restaurantes.

Contudo, segundo a mesma fonte próxima da polícia, nos últimos tempos tornou-se bem visível uma prática nada comum em Akihabara: atrás das jovens avistam-se homens com calças desportivas e tatuagens por todo o corpo. Normalmente são o que aparentam ser, ou seja, yakuza. Quem entrar por engano num maid café de fachada dá por si a pagar centenas de dólares por uma só bebida, numa tática que é frequente em Kabukicho.

O que vieram fazer a Akiba estas pessoas ligadas ao crime? Primeiro, há que recordar que durante um dos picos da pandemia, o bairro de Kabukicho foi visado pelas autoridades devido ao número de focos de contágio com origem em estabelecimentos com acompanhantes (host/hostess bars). A presença dos meios de comunicação no bairro tornou ainda mais difícil a vida de negócios paralelos, que se viram forçados a procurar novas áreas para se manterem no ativo.

Akihabara, afirma a fonte policial, foi considerada uma zona ideal por diversos motivos. Um deles é o facto de ser um ponto de união de várias linhas ferroviárias, onde muitos usuários efetuam o transbordo de um comboio para outro e a aproveitam para beber alguma coisa antes de regressar a casa. Por outro lado, a presa fácil é abundante: os otaku que circulam e fazem compras em Akiba têm, no geral, uma maior disponibilidade de tempo e dinheiro que o cliente comum e, segundo reza o estereótipo, são mais suscetíveis de se deixarem seduzir por mulheres disfarçadas de personagens.

Estas notícias relativas a uma maior presença criminal em Akihabara surgem ao mesmo tempo que as da crise financeira severa que ameaça o bairro devido ao desaparecimento dos turistas. Estes não são tempos fáceis nem para o maior centro otaku de Tóquio.

 

Fonte: Otaku USA

Tradução e Edição: Maria J Oliveira

 

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