Kamisama Hajimemashita | Análise

A franquia Kamisama Hajimemashita (ou também conhecida como Kamisama Kiss) causou furor nos fãs de shoujo sobrenatural. A fama em torno da manga que lhe deu origem é incontestável, e a adaptação para o pequeno ecrã não foi surpresa. Em 2012, a obra foi pela primeira vez adaptada para animação, pelos estúdios TMS Entertainment. As expetativas eram elevadas, a fasquia em relação ao anime difícil de alcançar, conseguiu o anime fazer jus ao manga?

 

 

Kamisama Hajimemashita | História

Kamisama Hajimemashita retrata a história de Nanami Momozono, abandonada pelo pai e expulsa da sua própria casa devido às dividas que o mesmo deixou, encontra-se sem rumo, sozinha e sem grandes perspetivas de futuro. A sua sorte muda ao salvar um homem de ser atacado por um cão. Sensibilizado com a história da jovem, o estranho homem de cabelo branco convida Nanami a viver na sua casa, casa esta que se encontrava, supostamente inabitada… por humanos.

Sem compreender a situação em que se vê inserida, a morena enterrada num mar de responsabilidades e informações surreais sobre a sua nova condição em prol de uma habitação condigna para viver: ser a nova Divindade local.

 

 

Kamisama Hajimemashita | Enredo

O romance entre humana e youkai já faz parte da gíria de relacionamentos amorosos preferenciais, pelo público feminino. Este é apaixonado pela ideia do amor impossível, suga toda e qualquer obra onde um poderoso youkai se rende aos encantos da doce e frágil donzela. Kamisama Hajimemashita é, numa primeira e crua análise, mais um cliché da animação sobrenatural romântica. No entanto, com uma primazia, originalidade e delicadeza que o tornam num dos melhores clichés da atualidade.

 

 

Num mar de luz e brilho, somos presenteados com uma personagem um tanto azarada, Nanami Momozono. Expulsa de casa por causa das dívidas do pai, vê se incapaz de encontrar uma solução viável para a sua vida. A estrutura linear e simplicidade da personagem, apesar de pouco cativante, acaba por enquadrar na narrativa, também ela muito simples, numa primeira instância.

 

 

Os acontecimentos simples e fáceis de prever, culminam na protagonista a viver num templo degradado, mantido em condições habitáveis por um belo e arrogante familiar, Tomoe. A raposa demónio, inicialmente reticente com a mudança de mestre, é aos poucos, conquistada pela simplicidade e perseverança da jovem.

Como todos os bons romances nipónicos, Kamisama Hajimemashita explora a relação amor-ódio como um caminho direto para uma paixão inigualável.

Mas será sempre tudo tão cliché?

 

 

Nem tudo neste romance é cliché. A prova disso é o amor não correspondido e todo o conjunto de situações e personagens que transformam a estrutura linear e vazia da obra numa gradual teia de dúvidas, pensamentos e relações pessoais com uma complexidade progressiva.

O passado de Tomoe é, sem dúvida, um dos pináculos narrativos da obra. Os jogos psicológicos e as ligações misteriosas entre passado e presente, são um verdadeiro empurrão na carruagem de acontecimentos enigmáticos e cativantes da obra. Com uma primazia que faz jus à fama da franquia Kamisama Hajimemashita, somos contemplados com dois universos temporais completamente diferentes, progressivamente mais ligados, e concomitantemente mais confusos e indecifráveis.

 

 

Com apenas treze episódios a ligação entre espetador e personagem é efémera e pouco efetiva. Sendo Kamisama Hajimemashita uma adaptação de um shoujo de longo curso, é quase impossível a desenvoltura de um nível de empatia ao nível da manga que lhe deu origem, ficando a obra a meio do caminho, sendo que quando esta compreensão começa a ser alcançada, a história termina.

 

 

Kamisama Hajimemashita | Ambiente

O excesso de brilho e efeitos decorativos são uma caraterística inerente ao género. Com tons entre o branco e o lilás, a obra transmite doçura mesmo nos momentos mais macabros e com uma carga dramática superior.

Uma das caraterísticas visuais mais demarcadas de Kamisama Hajimemashita é, sem dúvida, as cores e névoa usadas nas diferenças temporais. O passado negro de Tomoe é assim retratado, também visualmente, como algo obscuro, misterioso, um cenário de guerra que contrasta com toda a luz do presente.

 

 

O uso de frames figurativos são outro elemento recorrente, por vezes usado em demasia. Utilizados como forma narrativa intermediária, maioritariamente associados a momentos de comédia, amenizam a relação de Tomoe e Nanami, reforçando animação e leveza da obra.

Apesar de toda a qualidade e jogo de cores bastante agradável da franquia, Kamisama Hajimemashita priva na qualidade dos pormenores, sendo que a fluidez e qualidade do design não são nada de novo nem com qualidade a cima da média. 

Quanto à banda sonora, as melodias doces são uma constante, com agradáveis sons de notória origem oriental, transmitem a paz e serenidade que todo o ambiente pretende transmitir. O opening e ending originais da obra seguem as caraterísticas em cima referidas, dando a ilusão que se tratam de uma prece ao deus do templo.

 

 

Juízo Final

Uma obra com alguns picos narrativos e um potencial evidente, permanece no limiar do bom com grandes expetitavas de melhorar. Em suma, Kamisama Hajimemashita surge como uma grande introdução a uma animação de longo curso, o que para os fãs e seguidores assíduos da manga, tal fato não surpreende. A construção lenta faz parte das caraterísticas mais marcantes da franquia, onde o linear se torna complexo e o duplo significado torna-se uma constante numa história onde o amor está em constante evolução, e as relações são uma descoberta, uma aprendizagem incessante.

A infantilidade e leveza iniciais são muito pouco cativantes, para os espetadores mais exigentes, sendo a obra rapidamente descartada. Sem trazer nada de novo, mas ao mesmo tempo transmitindo o necessário, aos poucos somos embrenhados num mar de dúvidas e conclusões lógicas sobre pontos de vista bastante particulares. Concluindo, o espetador deverá ter paciência e vontade de saborear a calma e o divertimento da mesma, sem nunca esperar grande carga emotiva ou drama exacerbado. O próprio romance entre Nanami e Tomoe acaba por ser uma linha narrativa secundária, passado para segundo plano face às várias relações possíveis entre as várias personagens e as diferentes formas de lidar quer com elas como com os sentimentos aclamados pelas mesmas.

Se procuram algo fantástico, um romance sem igual, não considero Kamisama Hajimemashita a melhor das escolhas, no entanto, se aliarmos esta temporada à nova, a minha recomendação passa a recair sobre a mesma. Contudo, devo realçar que as expetativas nunca devem ser muito elevadas, o potencial inerente ainda se encontra latente e tudo o que é mostrado ainda permanece no limiar do mediano.

 

 

 


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Kamisama Kiss Último Capítulo

Primeiras impressões Kamisama Hajimemashita 2

Kamisama Hajimemashita Segunda Temporada

 

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